segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Os Reis e seus desperdícios


Aqui tudo é motivo pra festa... principalmente as datas da igreja católica. Chegamos de volta a Sevilha no dia em que saíam "os reis"...



Tradicionalmente, montam uma espécie de "carrinhos alegóricos" que sao puxados por pequenos tratores...



as crianças vao dentro, disfarçadas de reis magos, jogando balas para todos os lados!



O "desfile" de Valencina terminou cedo e fomos (com meus primos) a um povoado ao lado chamado Camas...



Tinha muita gente na rua!



A festa é bonita, mas o que realmente impressiona, é o desperdício!



As ruas ficam cobertas de doces e balas...




Que em seguida as máquinas vem recolher...



juntar todo o excesso que acabaram de espalhar...




Sao quilos e quilos, literalmente, jogados no lixo!




Nao tem como nao se indigar!

Barcelona: última parte!



Finalmente, no último dia, na última hora com sol, conseguimos ir ao Park Güell...




Um dos lugares mais interessantes de Barcelona, que eu queria muito conhecer... e que
milagrosamente, não é necessário pagar para entrar.



Na verdade, eu já estava meio cansada de lugares turísticos...




Só que esse lugar é realmente muito interessante, não dá pra perder!




Minha irmã foi com minhas sobrinhas para um parque de diversões e eu fui conhecer o lugar.


Fui fazer umas fotos no mirante e observei um grupo muito estranho: eram alegres, brincavam se abraçavam e tiravam foto tudo amontoado... também falavam outra língua que parece português:
Brasilês!



Olhei pra eles com simpatia, mas como sou tímida...
não disse nada. Pra que? Não demorou nada e um deles veio me pedir um cigarro. Minha resposta foi imediata: "Tinha que ser brasileiro!" Pronto. De repente eu estava em casa! Apesar do pouco tempo que tinha para conhecer um parque único no mundo, não tinha a mínima vontade de sair dali!




A Juliana, uma carioca linda, muito simpática, me disse que quando fosse a Madrid, ficasse na casa dela. Eu nem podia acreditar! Estava há dias tentando conseguir um contato em Madrid que pudesse me apresentar a cidade, já estava até me conformando em ter que ficar sozinha e só um dia... Fiquei muito feliz! Trocamos contatos e me convidaram para seguir com eles. Eu disse que não podia...



...mas um moço bonito insistiu e eu não fui capaz de resistir. Desci com eles pra ver o único que eu já tinha visto. Tiramos algumas fotos... e quando finalmente consegui me desprender deles, me dei conta de que já começava a escurecer e que meu tempo já devia estar terminando.



Fiquei morrendo de vontade de ficar mais um dia pra poder sair com aquela turma, mas viajava no dia seguinte cedíssimo... fiquei só na vontade!

domingo, 13 de janeiro de 2008

BARCELONA parte 3

Olha aí o portão-dragão de Gaudí:



O dia 04/01 era nosso último dia. Desse ainda ficaram algumas fotos.
Nesse dia fomos ao centro de Granollers para ver La Porxada, uma construção de 1587...

na qual acontecia uma feira de artesanato...


e que fica na frente del Ayuntamiento (Prefeitura)...


Também me apaixonei por outra escultura...

além de já estar completamente enamorada de minhas pequeninas sobrinhas (Barcelona não tem nada mais lindo!)...


A Sofia tem 4 anos e a Sara tem 2, e me deixaram realmente impressionada por serem completamente diferentes. A Sofia fala um espanhol perfecto, é doce, doce, doce ao extremo, por sinal, adora doce. É mimada e bastante dependente, mas come toda a comida sem problemas.


Já a Sara... é extremamente sem vergonha! Não faz esforço nenhum para falar corretamente (decíframe ou te devoro), não gosta de doce e menos ainda de comer, ela enrola o máximo possível, olha pro lado, conversa, desconversa... e a cada refeição, vão-se umas 2 horas até ela comer tudo! É meio desconfiada e bastante independente, e tem uns olhinhos tão vivos... que é impossível não se apaixonar!


De veras, me deixaram intrigada, pensativa... como podem ser tão diferentes? Fiquei pensando nisso: no quanto somos diferentes, por mais que nos vistam com roupas iguais e tenhamos uma criação parecida, têm coisas que são natas, que são só nossas!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

***






"Sobre o que não se pode falar, se deve calar."




Wittgenstein






terça-feira, 8 de janeiro de 2008

BARCELONA parte 2

Fomos um pouco à praia que fica no caminho de Granollers... é muito estranho ver todo mundo encapotado na areia! E mesmo com o frio, acho que ficamos mais tempo procurando lugar para estacionar!

Como com as crianças tudo demora muito, decidimos que na quinta eu iria sozinha a Barcelona e pegaria o ônibus turístico cedo. - Uma das coisas que mais me irrita nessa cidade é a quantidade de turistas, por todas as partes, há muitos! A outra é que tudo está em catalão! (Como parece uma mistura de espanhol com italiano, não era tão difícil decifrar o mais óbvio, mas, muita coisa eu realmente não entendia!). - Acordei de madrugada, um pouco ansiosa talvez, me perguntando como seria o meu dia em cima daquele ônibus!


Na verdade não estava muito animada... e felizmente fiquei enrolando antes de sair, pois meu cunhado que ainda estava trabalhando, ligou e quando soube que eu ia sozinha, se ofereceu pra ficar com as crianças. Foi a melhor coisa que podia acontecer, pois choveu a tarde toda, e meu dia naquele ônibus, sem dúvida, não teria sido tão agradável.

O primeiro lugar que fomos foi o Tibidabo, e pra chegar lá pegamos um funicular, um trem velho, que eu adorei!


O caminho é muito bonito. Lá em cima faz mais frio ainda! Têm um parque de diversões, um restaurante e uma igreja imensa com um mini Cristo Redentor em cima, que toda vez que eu tentava fotografar a neblina escondia! Aliás, a vista de lá de cima dá para ver toda Barcelona... e o mar... mas eu só vi neblina mesmo! Ainda assim, foi o lugar que mais gostei.


Acreditem, eu entrei na igreja! E até gostei da parte de baixo, atrás das imagens dos santos há desenhos fortes, com cores vivas. Não tenho como não lamentar ter perdido as fotos! Também fotografei lá dentro a coisa mais absurda que já vi: uma máquina que tem várias velas de mentira dentro, e que pela módica quantia de 20 cents, se pode acender a minilâmpada que imita a chama da vela, como se estivesse acesa! E também tem a que imita a de sete dias, apesar da chama ser do mesmo tamanho, para acender essa é preciso inserir 50 cents! Dá pra acreditar?

Bom, passaria o dia inteiro ali, mas tinha que aproveitar pra conhecer outros lugares. Passamos rapidamente por um mosteiro e também vimos um portão de ferro de onde surgia um dragão, pena que não sei descrever e não encontrei nenhuma imagem, também é Gaudí.

Ah! Minha irmã rodou bastante pra chegar ao estádio de futebol e eu disse que não queria ver. Mas ela queria. Chegamos justo na hora em que os jogadores estavam entrando nos ônibus, e tinha um monte de gente querendo ver, principalmente... o Ronaldinho Gaucho! É muito engraçado! - desculpem, mas tenho uma certa dificuldade em entender todo esse fanatismo. Para ver o estádio vazio, era preciso pagar 14 Euros!!!



Passamos no Museu Nacional d`Art de Calunya (8 Euros - outra coisa que me irrita na cidade: para tudo e qualquer coisa é preciso pagar.), como minha companheira já tinha visto, pensei em talvez ir no dia seguinte. Entramos na lojinha e comprei um jogo de memória com as pinturas. :) Segundo Walter Benjamin, a arte reproduzida não tem a mesma aura que a original... mas a reprodução técnica a torna acessível às pessoas que não tem acesso à outra - que por sinal, são a grande maioria.

Aproveitamos que estávamos só nós duas e fomos a um restaurante tradicional chamado Los Caracoles de 1835! Eu havia entrado no primeiro dia só pra ver e fotografar, pois a cozinha é no meio do restaurante, que a princípio parece pequeno, mas não é. É um labirinto que sobe... por escadinhas de madeira!

Ficamos em um lugar perfeito: um salão pequeno que tinha vista para a parte de baixo onde está a cozinha. Também tivemos sorte com o garçom que foi super atencioso. Eu pedi carne, e veio um pedaço que eu achei que nunca iria conseguir terminar de comer, tinha dois dedos de grossura e cobria o prato quase inteiro! Eu que sempre digo que temos que diminuir o consumo de carne, que todos os habitantes da terra não podem, nem precisam, comer tanta carne... não tive como não sentir um certo remorso e pensei seriamente em não comer carne pelo resto do ano, mas como mal começara... achei melhor adiar a decisão. :)


Essas fotos estão muito sem graça! É emocionante passar pela cozinha, é muito quente e ao mesmo tempo que dá vontade de parar para ver aquelas panelas imensas com chamas de fogo, dá vontade de passar logo com medo de se queimar.


O restaurante é muito velho, e como eu amo coisas velhas, simplesmente amei o lugar! Usam muita madeira e cerâmica. As paredes são recobertas de fotos de personalidades que comeram lá (inclusive o príncipe), e de matérias antigas, até de capa, nas quais era apontado como melhor restaurante. Cheio de detalhes, com muitos caracóis, de todos os tipos! Pintados nos azulejos do banheiro e nas portas das geladeiras, talhados em madeira em porta azeites, piro grafados no cardápio, em bronze, até a máquina de chopp era em formato de caracol! Adorei.



Seguimos para o Castelo de Montjuic, mas... estamos na Espanha: precisávamos muito descansar o almoço. Estacionamos de frente para o castelo e ali, com aquela humilde vista e a chuva caindo do lado de fora, dormimos nossa siesta. Fiz questão de entrar no castelo, mas já era de noite e o vigilante avisou que não encontraria mais que fantasmas aquela hora. Fiquei mais empolgada ainda! Adoraria conhecer um!

Realmente... não deu pra ver muito mais além do muro de pedras. Da vista, a neblina só deixava ver parte de algo com água, que minha irmã me disse ser o porto. Mas tudo bem, ela me apontava em que lugar mais ou menos estava tal coisa, e eu imaginava! ;) Não conheci nenhum fantasma, mas vi um gato preto...



* todas as imagens desta postagem foram retiradas da internet.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

B A R C E L O N A

Cheguei em Barcelona no dia 30/12 para passar a semana com minha irmã, a quem todos os parentes dizem que pareço muito, e que eu achei muito mais parecida com minha mãe, pelo menos agora que está casada e tem duas pequenas e belas criaturinhas. Mas a última vez que nos havíamos visto eu tinha uns sete anos e ela, que é doze anos mais velha, era totalmente diferente! Foi muito bom reencontrá-la e poder conversar sobre as coisas do passado.

Minha irmã mora em Granollers, uma pequena cidade que está a 30 minutos de Barcelona. No primeiro dia, estava sem carro e fomos de trem. Achei ótimo porque tive a oportunidade de conhecer o transporte público lá. Têm muitas linhas de trens e metrôs, talvez por isso me parece tão confuso! Pude constatar que as estações são um desastre para os deficientes físicos, pois estávamos com o carrinho de bebê e foi bem cansativo ficar subindo e descendo ele por tantas escadas!

Andamos bastante pelo centro e seu famoso passeio, vimos, como é impossível não ver, várias obras de Gaudí, dentre elas La Pedrera e La Sagrada Família - que é um absurdo de construção! não está pronta, segue com outro arquiteto por mais 10 anos, creio.



domingo, 6 de janeiro de 2008

Barcelona x Sevilha / Eu x TV

De volta a Sevilha depois de passar uma semana em Barcelona, onde não sobrava muito tempo para escrever... tenho agora a missão de colocar minha memória para funcionar (nada fácil), visto que mais uma vez a máquina fotográfica me deixou na mão apagando mais de 200 fotos (!!), com as quais ficava muito mais fácil e agradável contar el cuento. Para poderem ter uma idéia do que vi, vou pegar algumas fotos na internet, claro que, nem de longe tão boas quanto as que fiz e não existem mais... ;)

Barcelona é uma Senhora cidade, muito bonita. Mas preciso dizer: não me fascina como Sevilha. É muito grande e muito impessoal, e o pior: sabe que é bonita. Sevilha me parece mais aconchegaste, mais relaxada, ela sabe que é bonita mas não faz tanta pose, não se preocupa tanto com a aparência, é sensual naturalmente. Isso é a impressão que tenho eu... e pode que esteja um pouco influenciada pela opinião de minha irmã mais velha que mora lá, quem eu não via há uns 16 anos já.

Ela reclama que lá as pessoas são muito fechadas e quando percebem que você é imigrante, te rechazam (rejeitam). Ela também prefere Sevilha, diz que aqui as pessoas são mais sociáveis. O marido também concorda que a cidade aqui é bem mais humana, mas, segundo ele, não tem trabalho.

Já minha irmã que mora aqui, vive pensando em ir para outra cidade, principalmente depois de ter morado uns meses na Inglaterra, diz que aqui as pessoas não tem educação e que os empregados são muy explotados (explorados), não respeitam os horários, fazem muita pressão até os funcionários ficarem quemados (totalmente esgotados), tem vontade de ir para o país Basco, pois ouviu dizer que lá os imigrantes são mais bem tratados. Mas minha sobrinha... não quer nem saber dessa história! Diz que para lá não vai porque lá estão os terroristas.

Tentamos explicar-lhe que muitas vezes a televisão só conta um lado, que tudo e qualquer coisa tem muitos pontos de vista, mas que a televisão geralmente só transmite o ponto de vista que coincide com o que a maioria da população pensa, pois assim com maior quantidade de pessoas assistindo, podem ganhar mais dinheiro com a publicidade. Ela olha meio desconfiada, afinal de contas, é o que todo mundo fala. Imagino que deva concluir para si, que definitivamente, sua família não é normal.

Felizmente não é normal! É isso que gostaria de explicar-lhe, mas não consigo. Apesar de minha irmã lutar contra, sempre que está em casa sem ela fica na internet conversando com as amigas por msn, ou assiste TV. Como tentava ajudar minha irmã nessa luta e ainda por cima cobrava que ajudasse mais a mãe... se tornou mais difícil ainda conversar com ela.

Às vezes tenho a impressão de que queria ser igual às amigas... e eu temo tanto isso! Quero tanto que entenda que a diversidade é importante e extremamente saudável, que ser diferente é bom. Que SER é muito melhor que TER.

Mas se tudo e todos dizem o contrário, por que ela acreditaria em mim? E se a tela parece mais interessante, por que pararia para me ouvir? Detesto disputar com os meios de comunicação, por que sinto que é uma batalha perdida. Vem me arrebatar um triste sensação de impotência... mas não é ela que impera, impera uma inquietação que busca uma saída quase que em vão, como em um jogo viciante que não se consegue ganhar, mas tampouco se consegue parar. Simplesmente não me conformo. Não me conformo.

Hoje é isso que me aflige, sobre Barcelona, escrevo mais outra hora.