sábado, 22 de dezembro de 2007

Ler o que? Escrever pra quem?

Hoje recebi e-mail de um amigo contando que entrou no blog, mas que, como os textos eram grandes... ficou com preguiça. Achei legal ele ter "confessado", aliás, compreendo perfeitamente. Mas isso me fez pensar: se já tem tanta coisa por aí que não damos conta de ler (durante as féria é tão difícil escolher um dentre tantos livros que estão na fila há tanto tempo!), por que estou escrevendo mais? E, pra quem?

A resposta imediata foi: estou escrevendo pra mim. Mas estão, por que publicar? É... não sei bem ao certo. Sei que agora não posso parar de escrever, porque depois, recomeçar é terrível! O texto não flui e quando finalmente sai, fica parecendo um amontoado de rodas quadradas que procuram se encaixar em vão. Se é o que eu gosto de fazer... fazer o que?

Quando olhei de novo a tela, tinha acabado de chegar um e-mail (lindo!) do Pedro Aguerre, um sociólogo de coração vivíssimo e de um brilho nos olhos inigualável que faz parte do NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC). Em espanhol, deixou registrada sua expectativa de saber mais sobre "mis andanzas por la dulze y terrible España", fiquei muito feliz com a mensagem!! Também me perguntou se eu já tinha visto a revista Aurora: "Tiene un bellisimo artículo de Rafael."

Artigo do Rafael??? Nossa!! é mesmo! ele me enviou o link antes de eu viajar e na correria, não consegui ver! Abri na mesma hora e comecei a ler.... mas minha irmã chegou em seguida e ficamos horas falando sobre o passado. Depois que ela foi dormir retomei o artigo, que está realmente muito bonito e envolvente. Foi curioso porque, dentre outras coisas, aborda a necessidade de se reconhecer o passado que a Hannah Arent defende, e com a qual tenho concordado cada dia mais.

http://www.pucsp.br/revistaaurora/download/rafael_araujo.pdf

Vale a pena ler o artigo até o fim - principalmente para os futuros sociólogos. O Rafael também faz parte do NEAMP e foi meu professor de sociologia deste ano - é outro sociólogo lindo, super ligado a arte e extremamente competente, que eu mais que admiro!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sevilla y Valencina

Minha irmã mora em uma kit linda, em uma província chamada Valencina de la Concepción. É um lugar lindo de verdade, parece de mentira até! As casinhas são todas antigas, com sacadas e flores, as ruas são de paralelepipedos (que palavrão!), mas mais parecem calçadoes! Cada vez que vem um carro em alta velocidade me assusto, pois em lugares assim no Brasil, ou não passam carros, ou tem que passar a 20 por hora.

Na terça fui com minha irmã à Sevilha (ao centro). É impressionante de bonito! A cidade é muito antiga e foi conservada. Não tem prédios altos, só a catedral é alta, altíssima! Não entrei por que está sendo restaurada. Parece que tudo tem todo um charme. Havia uma feira de artesanato, com coisas muito bonitas, boa parte em cerâmica e em prata, talvez por isso, não me pareciam tão artesanais. O mais interessante: tinha música ambiente e tocavam música brasileira!! Voltamos conversando por um passeio bonito a beira de um lago... ah! minha irmã também é muito legal!

Ontem quando minha sobrinha chegou da escola, pedi que me apresentasse o bairro. Saímos umas 15h30, ela me levou à biblioteca, mas estava fechada para o almoço e só abriria às 16h! Achei engraçado. Em São Paulo isso é impossível de se imaginar! Mas tudo bem, acho ótimo que façam duas horas de almoço, só é uma pena que durante esse horário a biblioteca esteja fechada. Ela disse que me levaria a um parque bem grande e bonito então, e... pasmem! também estava fechado!!! Será que é obrigatório dormir depois do almoço? O que adianta ter tempo se os espaços de lazer estão fechados? É muito estranho! Voltamos para a biblioteca que já estava aberta. Fiquei meio decepcionada a princípio, era muito pequena e quase toda infantil... mas tem uma parte para adultos que tem livros de ciências sociais e filosofia :) não têm muitos, mas, são suficientes para eu me divertir enquanto estiver por aqui! Tirei algumas fotos e voltei para casa. À noite fui conhecer minha tia e sua família em uma província vizinha.


A viagem

Minha viagem estava marcada para segunda dia 17/12... que sensaçao estranha dá saber que se vai cruzar o Atlântico - pelo menos a primeira vez. Apesar disso, tive a impressão de que a Maíra e o meu pai estavam mais nervosos que eu. Eu me mantive bem calma... até o momento em que quiseram barrar a minha garrafa de cachaça (!!!) aí fiquei muito nervosa! Não podia viajar sem minha cachaça! Me acalmei e consegui resolver: minha mochila teve que ir com as demais bagagens, e eu fiquei torcendo para que minha garrafa resistisse.

No primeiro vôo, ainda estava no ritmo de São Paulo, fui lendo. Ir até a Argentina primeiro (fazer o que?) só serviu para quebrar meus preconceitos, pois no pouco tempo que estive ali, fui super bem tratada. No segundo vôo, em um avião imenso, bem mais agradável, peguei a revista Cultura Periférica pra terminar de ler... mas, estava tão boa que resolvi prolongar o prazer e guardar o finalzinho para outro momento! Vim a maior parte do caminho dormindo, quando acordava, ficava pensando na vida... que vida!

Ao desembarcar, andei bastante até chegar na estação de metrô, apesar de não ser preciso sair do aeroporto para chegar lá. A atendente me explicou bem que linha tinha que pegar, onde tinha que descer pra fazer baldeação e onde, porfim, pegaria o ônibus para Sevilha. Claro que, como eu sou atrapalhada por natureza, o mais simples, às vezes, se torna um pouco complicado... por exemplo: fiquei me perguntando por que só a minha porta nao abriu, depois descobri que se vc não apertar o botão a porta do metrô não abre. O metrô é um bom lugar para reparar nas pessoas, as daqui parecem normais, como em qualquer outro lugar, a impressão que tenho é que eu é que não pareço normal (como em qualquer outro lugar)!

Aqui as pessoas também não levantam para dar o lugar para os idosos (pelo menos eu não vi) com a diferença que não há lugares diferenciados, nem plaquinhas informando da lei. Para fazer a baldeaçao, sofri um bocado, pois o elevador estava fora de serviço e as escadas rolantes só subiam. Eu quase cai descendo a mala por umas escadinhas já bem gastas, e nem assim houve quem se oferecesse para ajudar. Mas realmente, não se pode generalizar: me dei conta de que não sabia para que lado tinha que ir, era uma linha circular - pela lógica qualquer lado serviria, mas achei melhor perguntar - a mulher não tinha ideia, mas um homem que ouvia fez questão de ajudar, o trem chegou e mesmo assim, ele foi correndo até a placa para averiguar. Adivinhem: Era do outro lado. Dessa vez me preparei bem, coloquei a bolsa dentro da mochila e tomei mais cuidado ao descer. Fui obrigada a concluir que os brasileiros (homens) são mais gentis.

Para comprar a passagem para Sevilha, rodei um bocado até achar o lugar que instintivamente achei que fosse ao chegar. Apesar de ter uma fila imensa, consegui comprar a passagem para as 17h. Faltava menos de 10 minutos, e como fiquei uns 5 brigando com o orelhão para conseguir ligar para minha irmã... Desci a rampa rolante correndo (quase rolei também!), olhei a passagem e estava escrito “Plaza:17”, tinha um ônibus saindo no 18, mas não era para Sevilha, eram 17h em ponto, não podia ter saído já! Procurei os ônibus mais próximos e no 14 estava o meu. O motorista de bigodes e bastante impaciente, brigou comigo (!!) eu expliquei que estava escrito “plaza 17” e ele me respondeu que esse era o meu lugar no ônibus. Mandou eu colocar a mala la em baixo logo por que já íamos sair, mas demorou uns minutos mais e em seguida veio brigando com outro passageiro que tinha ido ao banheiro – com esse ele brigou mesmo, ficou um tempao resmungando! Mas era tão absurdo que todo mundo deu risada!

O caminho não era nada bonito, terrenos imensos de terra seca, sem uma árvore, sem um verdinho sequer, uma terra tão triste e mal tratada... supus que pelo inverno, quando apareciam árvores, eram todas iguais e tão enfileiradinhas que chegava a irritar! Dormi durante boa parte do caminho (de novo, como consigo?) depois da parada, nao consegui mais dormir e comecei a reparar no quanto aquela viajem era monótona: já não se enchergava quase nada da paisagem, a estrada era sempre igual, com poucas curvas, sem buracos e a velocidade sempre a mesma. Para quem já viajou de Curitiba a São Paulo com a Cometa... é exatamente o contrário. A lerdesa do ônibus começou a me incomodar, pensei comigo que deveria estar andando a 60km/h, mas como no mesmo dia já tinha voado a 950km/h, podia ser que fosse impressão minha. Resolvi então contar: olhava as plaquinhas que marcam os quilómetros e contava os minutos. Nos primeiros achei que estava certa 60, no máximo 70 por hora. Para tirar a dúvida continuei contanto e 12 minutos depois, pelas minhas contas, estávamos a 90km/h, concluí então que não sabia mais contar, pois não era possível, continuei contando. Depois de meia hora, fui obrigada a reconhecer que quando queremos comprovar algo, se o resultado da pesquisa não for o que esperávamos, não adianta aumentar a amostra, não vai alterar o resultado!

Depois que um casal de idosos desceu em uma província próxima a nosso destino, percebi que o ônibus começou a andar mais rápido: 10 minutos depois tinha certeza de que estávamos a 100km/h. Que falta do que fazer! Mas pelo menos utilizei um pouquinho minha matemática que era tão boa e anda tão enferrujada... Chegamos com 20 minutos de atraso (ele realmente estava mais devagar do que devia:). Minha irmã e minha sobrinha já estavam me esperando. É tão legal ser recebido na rodoviária! :)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Começando...

Finalmente resolvi deixar de resistir ao novo, afinal, os blogs tem se apresentado uma excelente alternativa para a falta de alternativas que a mídia nos oferece e trazem consigo um grande diferencial: a possibilidade de interaçao! - a possibilidade de concordar, discordar, de se apresentar um outro ponto de vista é algo que precisamos buscar garantir sempre, por mais difícil que às vezes pareça, ou que realmente seja.

Antes de começar a fazer sociologia estava dividida entre jornalismo e direito (acreditem!) e percebi que se não tivesse uma boa compreensão de nossa sociedade, nenhuma das duas opções serviria para muito. Hoje, a cada dia, tenho mais certeza de que fiz a escolha certa. E mais: acho um absurdo que as escolas públicas não tenham sociologia!!!

Bom, como adoro escrever, mas percebi que muitas vezes acabamos alugando alguém que de repente está sem tempo ou mesmo não está interessado no que temos a dizer, enquanto outros gostariam muito de saber qualquer coisa e ficam sem notícias... achei que o blog seria uma boa alternativa. Assim cada um pode ver a hora que quiser e se quiser ou puder.

Não sei se quando acabarem minhas férias vou conseguir continuar escrevendo... tampouco sei o que vai sair daqui - acho que vai ser mais terapia do que qualquer outra coisa! A idéia é compartilhar idéias e experiências... vamos ver no que dá! Acho que pra mim vai ser muito bom, espero que pra vcs também seja. ;)