terça-feira, 21 de abril de 2009

Família Blogueira

Esses dias me dei conta do quanto minha família é blogueira, cada vez dou menos conta de acompanhar, mas quando dá um tempinho e consigo fazer uma rápida visita ao mundo vizinho... é tão, tão bom!

Outro dia entrei no blog da minha irmã que mora em Sevilha. Putz, que delícia! O meu blog comecei quando estava lá na casa dela, o dela começou este ano, e já está bem legal. Muito bom poder ver, ou melhor, ler a visão crítica de uma imigrante que até pouco tempo se sentia como a maioria dos imigrantes daquelas bandas. O blog dela é o titiritera.

O blog do meu pai (pluralf) - que adora a pluralidade e a mistura de palavras - tem normalmente a divulgação de algum evento envolvendo a "trupe da trópis", esse bando de artistas e produtores que ele praticamente criou, e vira e mexe entra alguma longa crítica, que confesso dificilmente leio até o fim, pois ele, como eu, quando começa a escrever não consegue mais parar... Além de às vezes me parecer por demais teórico para alguém já saturado da teoria da faculdade como eu. Mas vale conferir, viu?

My mother is the better! Ela consegue escrever absolutamente todos os dias! Geralmente descreve sua rotina, mas sempre tem algo interessante ou divertido no meio, além de também vez ou outra fazer relação com alguma história de seu fantástico passado, o que, ao menos para mim, é fascinante! A pedido meu ela preserva a identidade de todos e por conta disso, não sei se deveria passar o endereço, mas... aí vai: fiona de shrek.

Meu irmão - amado por uma considerável parte das mulheres, incluindo eu, sua fã número 1 - apesar de trabalhar, é músico e vagabundo. No seu blog sampa noturno escreve sem regularidade, claro; mas sempre vale uma visitada, e se não tiver nada de novo, uma vasculhada. Tem muita coisa boa e, de vez em quando, também aparece uma nova letra, poema, crítica ou conto que te arrancam da quadradez da tela e da vida e te levam para um outro lugar, ambiente ou situação. Definitivamente, muito bom.

E eu? Hoje aproveitando o feriado prolongado para escrever um pouco do muito que gostaria. Essa semana me dei conta de outra coisa: toda semana digo que vou parar de faltar na faculdade e que vou voltar a escrever no blog. É, está demorando, eu sei. Mas não é descaso não, é que é muita coisa mesmo. Mas eu não esqueço. Está anotado e uma hora vou conseguir, assim como vou conseguir acabar com boa parte da minha lista de pendências. Se der certo contratar a estagiária que pretendo, vai ser tudo mais fácil. :D... Sei, sei sim que não vai resolver tudo, mas vai ajudar bastante!

Enquanto isso? Além de todas as dicas acima, sugiro que espiem o blog da Soninha (gabinete soninha) que escreve esplendidamente e, pelo que descreve, dá pra ter uma boa noção do que vivemos todos os dias na Subprefeitura Lapa.

Ah! Não desistam de mim não. Uma hora eu vou conseguir.

Domingo, 19.04.09 às 20h40

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Trabalho

Sempre gostei de trabalhar. Não sei o que acontece, mas desde criança sofro desse mal. Chorava quando minha mãe me mandava dormir... Não sei se é do signo (sou capricórnio) ou se é sina mesmo.

Como cientista social, estudei bastante o tema e passei a defender mais ainda, com mais convicção e veemência a adoção de jornadas de meio período. Acredito que as pessoas deveriam ser proibidas de trabalhar mais de 6 horas por dia para que assim pudessem estudar, conviver com seus filhos, se envolver na melhoria da sua comunidade, se dedicarem ao que quisesse, ir ao cinema, teatro, ou ficar sem fazer NADA, por que não?

Sei que caminhamos no sentido contrário, mas quem sabe agora com essa crise alguém com um pouquinho mais de poder não tem coragem de defender a idéia? A esperança não pode morrer...

Certo, mas porque esta defensora trabalha tanto então?

Hmmm... acho que hoje posso dizer que juntamos a fome com a vontade de comer. Amo meu trabalho, tem suas limitações, tem bucha que não acaba mais, mas é fantástico a gente poder fazer o que acredita. São 40 km com muitos problemas e (esperamos) 4 anos. Queremos fazer tudo o que for possível para melhorar nosso pedacinho de mundo... por isso tenho trabalhado praticamente 24horas por dia.

Às vezes é desgastante por que quero terminar logo o começado, sei que há uma série de outras pendências aguardando e as coisas não param de chegar. De cada reunião sai uma listinha que às vezes não dá tempo de parar pra olhar, mas que a gente sabe que existe.

Na semana retrasada o que mais me pegou foi a desocupação de uma favela em área de risco que tivemos que “terminar”, a semana simplesmente não queria acabar. Chovia, era de noite já, tínhamos umas 10 famílias com um monte de crianças com fome e sem saber onde dormiriam. Compramos esfihas e as famílias foram encaminhadas para albergues, mas aquelas imagens me acompanharam o final de semana inteiro. A música Circo Incandescente do meu irmão não me saia da cabeça.

Na semana passada o duro foi superar minhas próprias expectativas. Queria tudo pronto para sexta: a coleta seletiva, nossa mini-bibliotequinha e a caixinha de sugestões. Marcamos uma conversa com os servidores no auditório para ter uma primeira conversa e explicar como essas três coisas funcionariam. São coisas simples, mas que representam muito do que queremos na nossa gestão: participação, consciência ambiental, cultura, bem estar e satisfação.

Não estava perfeito porque muitas pessoas não foram, houve uma falha no equipamento na primeira apresentação, na segunda a Soninha mal pode passar e também estavam faltando os cartazes explicando sobre os três itens. Apesar disso, não me estressei, talvez porque sei que fiz tudo que era possível, e não só eu. Toda a equipe que trabalhou para que estivesse tudo como eu queria.

Esta semana deveria ser mais tranqüila, me dedicaria a eliminar pendências (preciso parar de inventar um pouco, se não, não dou conta), fiz os cartazes mais simples com intenção de depois melhorá-los, só pra não deixar sem nada, da coleta seletiva é mais complicado e tem que espalhar, pretendia fazer ontem, mas depois que voltei do almoço, não consegui fazer mais nada. Não conseguia trabalhar, baixou um mal-humor, mal-estar sem explicação. Estava angustiada e só no final da tarde vim saber o porquê: meu amigo que estava internado tinha morrido.

Amigo, pai, mãe, irmão, mentor espiritual. O Wagner só tinha 31 anos, mas parece que terminou cedo sua missão aqui com a gente. Fui pra “torre” da Sub, um lugar onde podia ficar sozinha e encarar o céu, cara-a-cara, COMO PODIAM?? O céu estava carregado. Chorei, chorei, chorei, chorei e chorei. As nuvens se foram, a noite chegou... Queria ficar ali pra sempre, mas meu terapeuta queria me ver e resolvi ir. Quando fui desligar o computador vi um e-mail do meu pai em homenagem ao Wagner... quando vi as fotos, chorei de novo, recebi um abraço longo e apertado da Soninha e a desincumbência de trabalhar hoje.

Chorei de novo quando soube que não haveria velório e não poderíamos ir ao enterro. É a primeira vez que perco uma pessoa tão próxima, senti falta/necessidade de um ritual, como algumas pessoas não poderiam se reunir hoje, no Domingo vamos fazer um circulo como os que fazíamos quando ele morava com a gente.

Ai. Os vizinhos fizeram o favor de colocar uma música triste, dessas que se tocasse perto do Wagner ele não resistiria de fazer a dublagem. Que saudade Deus!

11.02.09 às 19h

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Caminhada

No dia primeiro à noite fui para a Caminhada Cultural da Expedición donde Miras (já escrevi sobre eles/nós em janeiro do ano passado), encontrei o povo em Cabreúva e no dia seguinte partimos para Itú, nunca tinha andado tanto na minha vida!!! Meu pé doía, (doía demais!) ao mesmo tempo em que meu corpo se sentia bem e poderia continuar infinitamente não fosse o pé doendo e que o orgulho de ter completado o percurso a pé implorava que os pés agüentassem mais um pouco... Pensei várias vezes: "Quando o próximo carro de apoio passar, eu vou pedir para parar." Mas sempre resolvia ir só no seguinte. Houve um momento em que queríamos (eu, binho e sua esposa) ao menos descansar um pouco, mas não havia lugar. Andávamos no acostamento e ao lado só tinha mato, tudo molhado pela chuva que já tinha tomado. Por fim, quando já não podia mais caminhar sem achar uma pedrinha pra sentar, disse: "Se depois daquela curva não encontrarmos nada, sento, mesmo que no meio da pista." Depois da curva, encontramos o alívio duplo: o portal da cidade e dois carros de apoio nos esperando!!! Puxa, como foi bom! A galera que está mais acostumada foi do portal até a biblioteca comunitária que nos alojaria a pé, mas eu fiquei bastante satisfeita em fazer esse trecho de carro.

No dia seguinte fizemos reunião com quebra-paus e muitos abraços no final, à noite, fomos fazer o Sarau na Praça principal, da matriz ou qualquer coisa assim. O Sarau de Itú, a cidade das coisas grandes, foi grande! Foi uma delícia! Confesso que não achei nada de outro mundo o orelhão e o semáforo gigante, mas quando vi o copo de cerveja, no qual ia uma garrafa inteirinha... fiquei tão feliz! :D

No dia seguinte rumamos à porto feliz, depois de muita discussão se ir pela rodovia com caminho mais curto ou pela estrada de terra com caminho bem mais longo, optou-se pela estrada de terra, felizmente! A estrada era linda, linda, linda. Pena que parei pra descansar um pouco e acabei esfriando. Fui uma parte bem maior do que imaginava de carro, e me arrependi muito, pois era lindo demais!

De noite comemoramos um ano da saída da primeira caminhada que foi de São Paulo à Curitiba. Apesar de ter ficado chateada com algumas coisas, problemas que todos os grupos acabam tendo, queria poder ficar, mas voltei para São Paulo para poder resolver um monte de pendências.

Depois de ir umas quatro ou cinco vezes no Consulado da Venezuela e no Poupa Tempo, além de outros lugares sem tanta freqüência, pude me livrar de duas pedras grandes (papéis que precisava enviar para minha mãe na Venezuela e a renovação da CNH). Quanta burocracia! Mas nem reclamo tanto, porque o Poupa Tempo, apesar de uma ou outra falha, é realmente fantástico, no sentido de se poder resolver tudo perto, e quando penso na burocracia da Venezuela, que, sem exagero, é dez vezes pior... ai! Coitada da minha mãe que está lá sofrendo com um monte de coisas de um monte de lugares diferentes que exigem, é terrível!

Queria muito voltar para a Caminhada, o que só foi possível na quinta 16. Chegamos em Bofête de madrugada já, e o lugar que o pessoal estava dormindo não era dos mais confortáveis, tanto que depois de uma hora tentando dormir, resolvi ir para o carro cochilar, já que dali a pouco teria que levantar. Queria muito conhecer a dita cidadezinha porque no primeiro ano de faculdade tive que ler o livro "Os Parceiros do Rio Bonito" que falava sobre aquela região. Nem imaginava que era tão perto de Botucatu, cidade que tenho admiração e um carinho muito especial. A estradinha de Terra, que delícia! Maravilhosa! Inté tomei banho de rio, de vestido e tudo! Foi muito, muito bom! Um pessoal de lá da Prefeitura e da Câmara acompanhou a gente por boa parte do caminho, apesar de andarem a maior parte do tempo de carro, também andaram a pé e o presidente da Câmara até subiu na árvore pra pegar goiaba, também cruzamos com outro vereador que andava a cavalo, tão diferente do que estamos acostumados! Eles levaram alguns dos nossos até a nascente do Rio Bonito, falaram que era pertinho, mas não era tanto assim não. Eu, fiquei satisfeita de ver ele "riachando", deixei os pés um bom tempo na água, o que ajudou muito a agüentar a mega subida que vinha depois. Foi exagero encarar a subida. O pé estava um pouco mais energizado talvez, na verdade, menos inchado, mas a virilha começou a arregar e quando terminou a subida parei de caminhar e segui dirigindo. Mas, que gostoso, que gostoso!!! Nunca imaginei que andar pudesse ser tão bom!

Chegamos à mágica Demétria, uma fazenda que também denomina o bairro. Ficamos no Sítio Bahia na casa que antes morava o atual administrador da Demétria, Paulo Cabreira. Não estava lá no sábado porque é o dia que vêm para São Paulo, participar da feira de orgânicos da Água Branca. Chegou durante o Sarau, que foi o mais lindo dos que participei. Um espaço bem legal, com um monte de gente e bastante participação dos moradores. Foi mágico, magnífico! O povo não queria parar. Depois do Sarau resolveram ir para um lugar que dava para fazer fogueira. Ficamos lá no meio das árvores com lua e estrelas, música e aquela pitada de álcool. Estava muito bom, mas eu já estava cansada e resolvi voltar antes das 5 da manhã como a maioria, foi bom, assim pude tomar banho antes de dormir.

No domingo, último dia, vontade nenhuma de sair da Demétria. A comida deles, além de ser uma delícia, parece que alimenta, energiza de toque a mais que não sei explicar. O Paulo Cabreira conversou com a gente tentando explicar como funciona a agricultura biodinâmica, o que eu sinto muito, mas não vou saber explicar nem vou tentar resumir toscamente. Mas é muito legal, vale à pena procurar conhecer e principalmente, se alimentar melhor; (uma hora quem sabe explico mais, só uma obs: não sou antroposófica, mas eles têm contribuições que merecem ser levadas a sério, como a educação Waldorf, por ex.), apesar desse tipo de alimentação ser caro, considero compensatório por isso antes de sair fui a lojinha gastar: uma foram que encontrei de investir em mim e agradecer a eles.

Última caminhada: apesar de já estarmos em Botucatu, ainda restavam uns dez quilômetros para o centro, e lá fomos nós. O caminho foi gostoso, mas muito rápido, talvez tanto por ter ido conversando com uma pessoa encantadora por quem fiquei admirada, a chamam de Índia, é de Manaus, antropóloga, mas parece mesmo o que faz: é "Vó Social", cuida das crianças dos pais que saem para trabalhar e eles pagam o que podem. As crianças a adoram, aliás, quem poderia não?

Chegamos ao espaço em que seria o sarau. Ainda não podíamos ir para o alojamento no ginásio. Quando chegamos lá, não deu tempo de se instalar e comer direito, pois tínhamos decidido fazer o sarau no mesmo dia, já que muitos, incluindo eu, tinham que voltar no domingo para poder trabalhar na segunda. O sarau... foi extranho. Não sei se porque estava todo mundo cansado, com fome, com sono, ou se estavam triste por ter terminado a caminhada, acho que os dois. Nem parecia que tinham chegado ao destino. Mas tudo bem. Voltamos para o Ginásio, comemos e saímos, até entregar todo mundo e chegar em casa... eram quase seis da manhã! Tinha que estar às 10 na posse da Soninha, podia dormir duas horas, mas esse negócio de dormir só um pouquinho comigo não funciona! Cheguei lá depois do meio dia, fiquei chateada, mas não muito, fazer o quê se meu corpo não agüentou? O único que poderia fazer era estar lá o quanto antes à disposição, e foi o que fiz. Trabalhei até às oito da noite e desde então é praticamente o único que faço, mas faço com prazer, apesar de às vezes algumas coisas serem bastante doídas, está sendo maravilhoso.

Eu não dou conta de escrever sempre, mas a minha chefe, não entendo como, sim. Quem tiver curiosidade de saber como é meu trabalho é só espiar o blog dela: http://gabinetesoninha.blogspot.com


 

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Virada

Passei a virada de ano numa cidade do interior próxima a metrópoles. Pobre cidade, pelo pouco que vi, nem parece de interior, nem de outra coisa, além de parecer literalmente pobre.
Fomos para o sítio do Prefeito reeleito, num galpaozão com churrasco, um trio tocando músicas sertanejas e forró e um monte de gente que eu não conhecia. Gente simples e simpática, não me senti mal em nenhum momento.

Por falta de hotel, ficamos em um motel que disseram ser a melhor opção, não quero nem imaginar como seria a pior! Até que ele era bonitinho, vai, e se não tivéssemos pedido um quarto simples talvez saísse água do chuveiro na direção certa. A vista era bonita, mas mal deu tempo de olhar, pois tínhamos que ir para a posse do Prefeito.

Tinha separado uma roupa social para a ocasião, mas como não tinha usado o vestido de festa na noite anterior que era azul claro e bem leve (para um vestido de festa), acabei usando ele. Era estranho estar usando salto fino às 8h da manhã, mas quando cheguei lá, havia gente vestida com roupa de festa (mesmo), de social e esporte também. É uma loucura essa história de ter que estar com “roupa adequada” aff!!

A Câmara Municipal... acho que eu não vou saber descrever. Tinha talvez a estrutura de um posto de saúde de São Paulo, não é possível comparar com a monstruosa Câmara Municipal de São Paulo, cheia de frescuras como o nome dos vereadores, desde sua inauguração, talhados em mármore.

A cerimônia de posse foi meio frustrante. Uma pessoa lia a declaração de bens dos 9 vereadores eleitos, do prefeito e seu vice. Era interessante ouvir a diferença, alguns com vários bens, outros com poucos, um declarou não possuir nada, mas a declaração do prefeito... não acabava nunca! Inacreditável! Como aquela pessoa tão simples (de fala errada, mas bonita por ser muito natural) podia possuir tantos imóveis?

Ficava me perguntando como seria a cerimônia de posse dos 55 vereadores de São Paulo, será que “dão os papeis como lidos”? O Prefeito falou quase uma hora, contando “causos” sobre as dificuldades da gestão anterior, do descaso do governo do Estado, do “G5” que se formou contra ele dentro da Câmara, grupo que não reelegeu nenhum de seus vereadores.

Ele já está com setenta e poucos anos e durante a fala, disse várias vezes que não tinha falado nada do que pretendia. Felizmente não resolveu retomar o discurso do começo, se não, não sairíamos de lá nunca! Tampouco me pareceu que era preciso, não havia necessidade nenhuma de falar mais do que já havia dito, e ouvir sua “conversa” foi bem melhor do que ficar ouvindo a leitura de um discurso pronto, cheio de promessas e rasgações de seda.

Ah! Ele também criticou os funcionários públicos que 20 minutos antes do horário já começam a fazer fila pra marcar o horário de saída. Até aí tudo bem, entendo bem. O que me revoltou foi ouvir ele criticar o funcionário de empresa que se recusa a fazer hora extra. “As pessoas têm que se dedicar para quando ficarem velhas terem pelo menos uma casinha”. Ai, como me incomoda ouvir isso!!! Essa idéia de que as pessoas têm que se matar de trabalhar me parece tão descabida! A que horas se espera que as pessoas possam dar atenção para filhos, casa, família, amigos, estudos. É por demais absurdo que alguém tenha que abdicar das coisas que realmente tem valor na vida, por ter que trabalhar mais do que poderia ser permitido para ganhar muito menos do que lhe seria devido.

O que mais gostei da pequena Câmara foi que o auditório tinha umas portas de varanda que davam para uma cerca donde se podia ver mato, árvores, cavalos e borboletas. Salvaram os momentos em que não aguentava mais ouvir os números de contas bancárias, placas de carros e folhas de registro de imóveis. :)

Acabou a posse e rumamos de volta a São Paulo sem nem tomar café, no centro estava tudo fechado, até a lanchonete do Estadão que é 24horas. Tivemos que comer na casa do meu pai, lá fiquei um tempão conversando com meus amigos, depois, rumamos à Caminhada Cultural da Expedición Donde Miras.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Votação nas últimas (sessões do ano)

Quinta feira 18 de dezembro, tem votação na Câmara, finalmente! Mas como isso é algo de fato raro, quando acontece, mandam ver com uma “baciada” de projetos de lei... que tem que ser votada antes do recesso. Como querem entrar em recesso amanhã, a votação hoje vai até de madrugada se for preciso.

Como da outra vez que acompanhei o plenário não aconteceu praticamente nada, hoje, quando já estava indo pra casa, encasquetei que queria acompanhar a tal votação, e quando encasqueto, não tem jeito. Cá estou.

É verdade que não é um gosto comum, deixei meu namorado sozinho na minha casa, onde eu podia estar descansando, pra vir assistir algo que é muito mais decepcionante do que já se espera. Aliás, a uma hora destas, como alguém que for contrário a algum PL poderá se manifestar?

Conto o que vi até agora, na esperança de que ocorra algo mais interessante: uma pessoa lê o número do PL, seu autor e aquele resuminho “do que se trata” de três linhas, em seguida (enquanto o que lê respira) o Presidente da Casa (ACR) canta em tom de missa que as discussões estão encerradas, “os vereadores favoráveis permaneçam como estão, aprovado.” (na fala não tem essa vírgula, se ele sequer respira, quem dirá levantar a vista para ver se alguém se mexe!). Também há uma cruz ao fundo que reforça a impressão de igreja que dá. Fora os questionamentos básicos: se o Estado é laico, por que tem cruz nos órgãos públicos?

Bom, a primeira sessão foi encerrada e agora começou a parte mais complicada (e legal), há até uma discussão e haverá votação, de verdade, incrível! ...alguns minutos depois... indo para a segunda votação dos projetos do executivo o painel eletrônico deu pau! Foi engraçado porque rola a maior tensão, todo mundo esperando pra ver e nada! Eram três PLs que pelo que pude perceber, o PT votou contra e a Soninha se absteve. Seguiram as votações (em meio a piadinhas) dos PLs dos vereadores, “aprovados em segunda, aguardando sansão”. O que me parecia uma igreja, agora que estou de pé e posso ver os vereadores, mais me parece uma sala de aula.

A voz do presidente já está falhando. “Sessão suspensa por um minuto”, como eu queria entender o que acontece nesse curto meio tempo! Já passou mais de um minuto, o que aconteceu? Hmmm, pena que eu não vi no relógio, acreditei neles! (que absurdo)
“Reaberta a sessão”. A Soninha registrou seu voto contrário a um PL desses que são praticamente aprovados automaticamente, não foi tão fácil porque o microfone não funcionava, mas deu certo. Agora ela já está conversando com a imprensa, explicando porque votou contra, muito bom! :)

Uau! Incrível! Outro vereador registrando voto contrário a um PL “Frank Stein” e explicando o porquê! O que ele chama de “X-tudo” concede aos clubes isenção de imposto sendo que são instituições particulares que não têm porque terem essa isenção. Fala prolongada do vereador José Américo... O vereador Goulart concorda em partes com o José Américo, discorda da questão dos clubes, pois todos estão passando por dificuldades. Domingos Dissei fala muito baixo, mas está falando sobre os cartórios, também inseridos no PL: o projeto “não contemplou, veio sem minha sugestão, não sei por que.” Muito legal, mas dá pra ser mais objetivo? Pedido de votação nominal do vereador Arselino Tatto. “Lembrando que a votação não poderá passar das zero horas”. A Soninha votou não. (Yes!)

“Vereador Edivaldo Estima do PPS...” dizia o Presidente, “dá onde???” retrucou o vereador com ar de deboche. O presidente da Casa pegou no pé do vereador, ainda do PPS, que votou Sim, diferentemente da Soninha.

“Sessão encerrada”, mas como ninguém saiu do lugar, pelo visto, se abrirá outra com data de 19 de dezembro já que já passa da meia noite. Quero ficar até o final, mas tem uma pessoa me esperando em casa... ai.

“Peço aos nobres vereadores que registrem presença para a abertura da sessão extraordinária”... “sobre a proteção de Deus iniciamos nossos trabalhos”... (como me incomoda isso).

Acabou o papel, e agora?

***

Parei por aqui, ainda houve uma enorme discussão por conta de um terreno da prefeitura que querem vender ao Mackenzie sem licitação, mais piadinhas a respeito da discordância da “bancada” (são só dois) do PPS, remodelação da Secretaria do Verde e Meio Ambiente e aquela razgação de seda final.

Ah! Lembro que no último item liguei dizendo que tinha acabado e em seguida liguei de novo retirando a informação. Justo no último (parece que o orçamento) não havia acordo e quando se deram conta disso, suspenderam a sessão e ficaram quase meia hora discutindo! Não tem graça não poder acompanhar de perto... mas foi isso.

Fica meio confuso escrever na hora, fica uma confusão de tempos, uma hora escrevo no passado outra no presente, mas espero que dê pra entender e não esteja muito chato de ler. :)

Demorei pra digitar mas finalmente está aí! Agora tenho que digitar o próximo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

virada longa

Ai que preguiça de começar o ano....
Na verdade ainda não consegui terminar o ano passado, estou empenhada em resolver uma série de pendências das quais não consegui me livrar no ano que terminou. Dentre elas, tenho que digitar o texto que escrevi sobre a votação da câmara para publicar aqui, além de ter que escrever outro sobre a Expedición Donde Miras que está caminhando em direção a Botucatu desde o dia do meu aniversário, 27 de dezembro.
O problema é que... vontade zero de ficar na frente do computador.
Preguiça mesmo. Mas com todo direito, considerando a loucura que foi o ano passado... e a pauleira que eu não tenho dúvida que vai ser este ano!
Ai, queria estar na caminhada, foi difícil resistir ir hoje, mas tô aqui forçando essa virada.
Quero deixar as coisas mais organizadas para começar o ano com mais "tranqüilidade", com menos irritação por conta da bagunça, na esperança de me tornar uma pessoa mais equilibrada.
Bom, vou fazer o possível para publicar o devido o quanto antes, dentro dos limites que a preguiça permite, claro. ;-)
¡Hasta pronto mi vida!