domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Caminhada

No dia primeiro à noite fui para a Caminhada Cultural da Expedición donde Miras (já escrevi sobre eles/nós em janeiro do ano passado), encontrei o povo em Cabreúva e no dia seguinte partimos para Itú, nunca tinha andado tanto na minha vida!!! Meu pé doía, (doía demais!) ao mesmo tempo em que meu corpo se sentia bem e poderia continuar infinitamente não fosse o pé doendo e que o orgulho de ter completado o percurso a pé implorava que os pés agüentassem mais um pouco... Pensei várias vezes: "Quando o próximo carro de apoio passar, eu vou pedir para parar." Mas sempre resolvia ir só no seguinte. Houve um momento em que queríamos (eu, binho e sua esposa) ao menos descansar um pouco, mas não havia lugar. Andávamos no acostamento e ao lado só tinha mato, tudo molhado pela chuva que já tinha tomado. Por fim, quando já não podia mais caminhar sem achar uma pedrinha pra sentar, disse: "Se depois daquela curva não encontrarmos nada, sento, mesmo que no meio da pista." Depois da curva, encontramos o alívio duplo: o portal da cidade e dois carros de apoio nos esperando!!! Puxa, como foi bom! A galera que está mais acostumada foi do portal até a biblioteca comunitária que nos alojaria a pé, mas eu fiquei bastante satisfeita em fazer esse trecho de carro.

No dia seguinte fizemos reunião com quebra-paus e muitos abraços no final, à noite, fomos fazer o Sarau na Praça principal, da matriz ou qualquer coisa assim. O Sarau de Itú, a cidade das coisas grandes, foi grande! Foi uma delícia! Confesso que não achei nada de outro mundo o orelhão e o semáforo gigante, mas quando vi o copo de cerveja, no qual ia uma garrafa inteirinha... fiquei tão feliz! :D

No dia seguinte rumamos à porto feliz, depois de muita discussão se ir pela rodovia com caminho mais curto ou pela estrada de terra com caminho bem mais longo, optou-se pela estrada de terra, felizmente! A estrada era linda, linda, linda. Pena que parei pra descansar um pouco e acabei esfriando. Fui uma parte bem maior do que imaginava de carro, e me arrependi muito, pois era lindo demais!

De noite comemoramos um ano da saída da primeira caminhada que foi de São Paulo à Curitiba. Apesar de ter ficado chateada com algumas coisas, problemas que todos os grupos acabam tendo, queria poder ficar, mas voltei para São Paulo para poder resolver um monte de pendências.

Depois de ir umas quatro ou cinco vezes no Consulado da Venezuela e no Poupa Tempo, além de outros lugares sem tanta freqüência, pude me livrar de duas pedras grandes (papéis que precisava enviar para minha mãe na Venezuela e a renovação da CNH). Quanta burocracia! Mas nem reclamo tanto, porque o Poupa Tempo, apesar de uma ou outra falha, é realmente fantástico, no sentido de se poder resolver tudo perto, e quando penso na burocracia da Venezuela, que, sem exagero, é dez vezes pior... ai! Coitada da minha mãe que está lá sofrendo com um monte de coisas de um monte de lugares diferentes que exigem, é terrível!

Queria muito voltar para a Caminhada, o que só foi possível na quinta 16. Chegamos em Bofête de madrugada já, e o lugar que o pessoal estava dormindo não era dos mais confortáveis, tanto que depois de uma hora tentando dormir, resolvi ir para o carro cochilar, já que dali a pouco teria que levantar. Queria muito conhecer a dita cidadezinha porque no primeiro ano de faculdade tive que ler o livro "Os Parceiros do Rio Bonito" que falava sobre aquela região. Nem imaginava que era tão perto de Botucatu, cidade que tenho admiração e um carinho muito especial. A estradinha de Terra, que delícia! Maravilhosa! Inté tomei banho de rio, de vestido e tudo! Foi muito, muito bom! Um pessoal de lá da Prefeitura e da Câmara acompanhou a gente por boa parte do caminho, apesar de andarem a maior parte do tempo de carro, também andaram a pé e o presidente da Câmara até subiu na árvore pra pegar goiaba, também cruzamos com outro vereador que andava a cavalo, tão diferente do que estamos acostumados! Eles levaram alguns dos nossos até a nascente do Rio Bonito, falaram que era pertinho, mas não era tanto assim não. Eu, fiquei satisfeita de ver ele "riachando", deixei os pés um bom tempo na água, o que ajudou muito a agüentar a mega subida que vinha depois. Foi exagero encarar a subida. O pé estava um pouco mais energizado talvez, na verdade, menos inchado, mas a virilha começou a arregar e quando terminou a subida parei de caminhar e segui dirigindo. Mas, que gostoso, que gostoso!!! Nunca imaginei que andar pudesse ser tão bom!

Chegamos à mágica Demétria, uma fazenda que também denomina o bairro. Ficamos no Sítio Bahia na casa que antes morava o atual administrador da Demétria, Paulo Cabreira. Não estava lá no sábado porque é o dia que vêm para São Paulo, participar da feira de orgânicos da Água Branca. Chegou durante o Sarau, que foi o mais lindo dos que participei. Um espaço bem legal, com um monte de gente e bastante participação dos moradores. Foi mágico, magnífico! O povo não queria parar. Depois do Sarau resolveram ir para um lugar que dava para fazer fogueira. Ficamos lá no meio das árvores com lua e estrelas, música e aquela pitada de álcool. Estava muito bom, mas eu já estava cansada e resolvi voltar antes das 5 da manhã como a maioria, foi bom, assim pude tomar banho antes de dormir.

No domingo, último dia, vontade nenhuma de sair da Demétria. A comida deles, além de ser uma delícia, parece que alimenta, energiza de toque a mais que não sei explicar. O Paulo Cabreira conversou com a gente tentando explicar como funciona a agricultura biodinâmica, o que eu sinto muito, mas não vou saber explicar nem vou tentar resumir toscamente. Mas é muito legal, vale à pena procurar conhecer e principalmente, se alimentar melhor; (uma hora quem sabe explico mais, só uma obs: não sou antroposófica, mas eles têm contribuições que merecem ser levadas a sério, como a educação Waldorf, por ex.), apesar desse tipo de alimentação ser caro, considero compensatório por isso antes de sair fui a lojinha gastar: uma foram que encontrei de investir em mim e agradecer a eles.

Última caminhada: apesar de já estarmos em Botucatu, ainda restavam uns dez quilômetros para o centro, e lá fomos nós. O caminho foi gostoso, mas muito rápido, talvez tanto por ter ido conversando com uma pessoa encantadora por quem fiquei admirada, a chamam de Índia, é de Manaus, antropóloga, mas parece mesmo o que faz: é "Vó Social", cuida das crianças dos pais que saem para trabalhar e eles pagam o que podem. As crianças a adoram, aliás, quem poderia não?

Chegamos ao espaço em que seria o sarau. Ainda não podíamos ir para o alojamento no ginásio. Quando chegamos lá, não deu tempo de se instalar e comer direito, pois tínhamos decidido fazer o sarau no mesmo dia, já que muitos, incluindo eu, tinham que voltar no domingo para poder trabalhar na segunda. O sarau... foi extranho. Não sei se porque estava todo mundo cansado, com fome, com sono, ou se estavam triste por ter terminado a caminhada, acho que os dois. Nem parecia que tinham chegado ao destino. Mas tudo bem. Voltamos para o Ginásio, comemos e saímos, até entregar todo mundo e chegar em casa... eram quase seis da manhã! Tinha que estar às 10 na posse da Soninha, podia dormir duas horas, mas esse negócio de dormir só um pouquinho comigo não funciona! Cheguei lá depois do meio dia, fiquei chateada, mas não muito, fazer o quê se meu corpo não agüentou? O único que poderia fazer era estar lá o quanto antes à disposição, e foi o que fiz. Trabalhei até às oito da noite e desde então é praticamente o único que faço, mas faço com prazer, apesar de às vezes algumas coisas serem bastante doídas, está sendo maravilhoso.

Eu não dou conta de escrever sempre, mas a minha chefe, não entendo como, sim. Quem tiver curiosidade de saber como é meu trabalho é só espiar o blog dela: http://gabinetesoninha.blogspot.com


 

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Virada

Passei a virada de ano numa cidade do interior próxima a metrópoles. Pobre cidade, pelo pouco que vi, nem parece de interior, nem de outra coisa, além de parecer literalmente pobre.
Fomos para o sítio do Prefeito reeleito, num galpaozão com churrasco, um trio tocando músicas sertanejas e forró e um monte de gente que eu não conhecia. Gente simples e simpática, não me senti mal em nenhum momento.

Por falta de hotel, ficamos em um motel que disseram ser a melhor opção, não quero nem imaginar como seria a pior! Até que ele era bonitinho, vai, e se não tivéssemos pedido um quarto simples talvez saísse água do chuveiro na direção certa. A vista era bonita, mas mal deu tempo de olhar, pois tínhamos que ir para a posse do Prefeito.

Tinha separado uma roupa social para a ocasião, mas como não tinha usado o vestido de festa na noite anterior que era azul claro e bem leve (para um vestido de festa), acabei usando ele. Era estranho estar usando salto fino às 8h da manhã, mas quando cheguei lá, havia gente vestida com roupa de festa (mesmo), de social e esporte também. É uma loucura essa história de ter que estar com “roupa adequada” aff!!

A Câmara Municipal... acho que eu não vou saber descrever. Tinha talvez a estrutura de um posto de saúde de São Paulo, não é possível comparar com a monstruosa Câmara Municipal de São Paulo, cheia de frescuras como o nome dos vereadores, desde sua inauguração, talhados em mármore.

A cerimônia de posse foi meio frustrante. Uma pessoa lia a declaração de bens dos 9 vereadores eleitos, do prefeito e seu vice. Era interessante ouvir a diferença, alguns com vários bens, outros com poucos, um declarou não possuir nada, mas a declaração do prefeito... não acabava nunca! Inacreditável! Como aquela pessoa tão simples (de fala errada, mas bonita por ser muito natural) podia possuir tantos imóveis?

Ficava me perguntando como seria a cerimônia de posse dos 55 vereadores de São Paulo, será que “dão os papeis como lidos”? O Prefeito falou quase uma hora, contando “causos” sobre as dificuldades da gestão anterior, do descaso do governo do Estado, do “G5” que se formou contra ele dentro da Câmara, grupo que não reelegeu nenhum de seus vereadores.

Ele já está com setenta e poucos anos e durante a fala, disse várias vezes que não tinha falado nada do que pretendia. Felizmente não resolveu retomar o discurso do começo, se não, não sairíamos de lá nunca! Tampouco me pareceu que era preciso, não havia necessidade nenhuma de falar mais do que já havia dito, e ouvir sua “conversa” foi bem melhor do que ficar ouvindo a leitura de um discurso pronto, cheio de promessas e rasgações de seda.

Ah! Ele também criticou os funcionários públicos que 20 minutos antes do horário já começam a fazer fila pra marcar o horário de saída. Até aí tudo bem, entendo bem. O que me revoltou foi ouvir ele criticar o funcionário de empresa que se recusa a fazer hora extra. “As pessoas têm que se dedicar para quando ficarem velhas terem pelo menos uma casinha”. Ai, como me incomoda ouvir isso!!! Essa idéia de que as pessoas têm que se matar de trabalhar me parece tão descabida! A que horas se espera que as pessoas possam dar atenção para filhos, casa, família, amigos, estudos. É por demais absurdo que alguém tenha que abdicar das coisas que realmente tem valor na vida, por ter que trabalhar mais do que poderia ser permitido para ganhar muito menos do que lhe seria devido.

O que mais gostei da pequena Câmara foi que o auditório tinha umas portas de varanda que davam para uma cerca donde se podia ver mato, árvores, cavalos e borboletas. Salvaram os momentos em que não aguentava mais ouvir os números de contas bancárias, placas de carros e folhas de registro de imóveis. :)

Acabou a posse e rumamos de volta a São Paulo sem nem tomar café, no centro estava tudo fechado, até a lanchonete do Estadão que é 24horas. Tivemos que comer na casa do meu pai, lá fiquei um tempão conversando com meus amigos, depois, rumamos à Caminhada Cultural da Expedición Donde Miras.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Votação nas últimas (sessões do ano)

Quinta feira 18 de dezembro, tem votação na Câmara, finalmente! Mas como isso é algo de fato raro, quando acontece, mandam ver com uma “baciada” de projetos de lei... que tem que ser votada antes do recesso. Como querem entrar em recesso amanhã, a votação hoje vai até de madrugada se for preciso.

Como da outra vez que acompanhei o plenário não aconteceu praticamente nada, hoje, quando já estava indo pra casa, encasquetei que queria acompanhar a tal votação, e quando encasqueto, não tem jeito. Cá estou.

É verdade que não é um gosto comum, deixei meu namorado sozinho na minha casa, onde eu podia estar descansando, pra vir assistir algo que é muito mais decepcionante do que já se espera. Aliás, a uma hora destas, como alguém que for contrário a algum PL poderá se manifestar?

Conto o que vi até agora, na esperança de que ocorra algo mais interessante: uma pessoa lê o número do PL, seu autor e aquele resuminho “do que se trata” de três linhas, em seguida (enquanto o que lê respira) o Presidente da Casa (ACR) canta em tom de missa que as discussões estão encerradas, “os vereadores favoráveis permaneçam como estão, aprovado.” (na fala não tem essa vírgula, se ele sequer respira, quem dirá levantar a vista para ver se alguém se mexe!). Também há uma cruz ao fundo que reforça a impressão de igreja que dá. Fora os questionamentos básicos: se o Estado é laico, por que tem cruz nos órgãos públicos?

Bom, a primeira sessão foi encerrada e agora começou a parte mais complicada (e legal), há até uma discussão e haverá votação, de verdade, incrível! ...alguns minutos depois... indo para a segunda votação dos projetos do executivo o painel eletrônico deu pau! Foi engraçado porque rola a maior tensão, todo mundo esperando pra ver e nada! Eram três PLs que pelo que pude perceber, o PT votou contra e a Soninha se absteve. Seguiram as votações (em meio a piadinhas) dos PLs dos vereadores, “aprovados em segunda, aguardando sansão”. O que me parecia uma igreja, agora que estou de pé e posso ver os vereadores, mais me parece uma sala de aula.

A voz do presidente já está falhando. “Sessão suspensa por um minuto”, como eu queria entender o que acontece nesse curto meio tempo! Já passou mais de um minuto, o que aconteceu? Hmmm, pena que eu não vi no relógio, acreditei neles! (que absurdo)
“Reaberta a sessão”. A Soninha registrou seu voto contrário a um PL desses que são praticamente aprovados automaticamente, não foi tão fácil porque o microfone não funcionava, mas deu certo. Agora ela já está conversando com a imprensa, explicando porque votou contra, muito bom! :)

Uau! Incrível! Outro vereador registrando voto contrário a um PL “Frank Stein” e explicando o porquê! O que ele chama de “X-tudo” concede aos clubes isenção de imposto sendo que são instituições particulares que não têm porque terem essa isenção. Fala prolongada do vereador José Américo... O vereador Goulart concorda em partes com o José Américo, discorda da questão dos clubes, pois todos estão passando por dificuldades. Domingos Dissei fala muito baixo, mas está falando sobre os cartórios, também inseridos no PL: o projeto “não contemplou, veio sem minha sugestão, não sei por que.” Muito legal, mas dá pra ser mais objetivo? Pedido de votação nominal do vereador Arselino Tatto. “Lembrando que a votação não poderá passar das zero horas”. A Soninha votou não. (Yes!)

“Vereador Edivaldo Estima do PPS...” dizia o Presidente, “dá onde???” retrucou o vereador com ar de deboche. O presidente da Casa pegou no pé do vereador, ainda do PPS, que votou Sim, diferentemente da Soninha.

“Sessão encerrada”, mas como ninguém saiu do lugar, pelo visto, se abrirá outra com data de 19 de dezembro já que já passa da meia noite. Quero ficar até o final, mas tem uma pessoa me esperando em casa... ai.

“Peço aos nobres vereadores que registrem presença para a abertura da sessão extraordinária”... “sobre a proteção de Deus iniciamos nossos trabalhos”... (como me incomoda isso).

Acabou o papel, e agora?

***

Parei por aqui, ainda houve uma enorme discussão por conta de um terreno da prefeitura que querem vender ao Mackenzie sem licitação, mais piadinhas a respeito da discordância da “bancada” (são só dois) do PPS, remodelação da Secretaria do Verde e Meio Ambiente e aquela razgação de seda final.

Ah! Lembro que no último item liguei dizendo que tinha acabado e em seguida liguei de novo retirando a informação. Justo no último (parece que o orçamento) não havia acordo e quando se deram conta disso, suspenderam a sessão e ficaram quase meia hora discutindo! Não tem graça não poder acompanhar de perto... mas foi isso.

Fica meio confuso escrever na hora, fica uma confusão de tempos, uma hora escrevo no passado outra no presente, mas espero que dê pra entender e não esteja muito chato de ler. :)

Demorei pra digitar mas finalmente está aí! Agora tenho que digitar o próximo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

virada longa

Ai que preguiça de começar o ano....
Na verdade ainda não consegui terminar o ano passado, estou empenhada em resolver uma série de pendências das quais não consegui me livrar no ano que terminou. Dentre elas, tenho que digitar o texto que escrevi sobre a votação da câmara para publicar aqui, além de ter que escrever outro sobre a Expedición Donde Miras que está caminhando em direção a Botucatu desde o dia do meu aniversário, 27 de dezembro.
O problema é que... vontade zero de ficar na frente do computador.
Preguiça mesmo. Mas com todo direito, considerando a loucura que foi o ano passado... e a pauleira que eu não tenho dúvida que vai ser este ano!
Ai, queria estar na caminhada, foi difícil resistir ir hoje, mas tô aqui forçando essa virada.
Quero deixar as coisas mais organizadas para começar o ano com mais "tranqüilidade", com menos irritação por conta da bagunça, na esperança de me tornar uma pessoa mais equilibrada.
Bom, vou fazer o possível para publicar o devido o quanto antes, dentro dos limites que a preguiça permite, claro. ;-)
¡Hasta pronto mi vida!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Visita ao Plenário da Câmara

Na quinta-feira fui junto com a Soninha ao plenário. Bom, na verdade “junto” é quase um modo de dizer, pois tenho que ficar separada dela em um balcão para os assessores na parte de trás. Por sorte tive a boa idéia de levar papel e caneta, e estas foram minhas anotações:
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15h10 – Que horas começa a peça?
As câmaras se posicionam. No palco: uma pessoa sentada na mesa gigante olha folhas de papel que uma mulher de pé ao seu lado vira. Há também várias pessoas conversando.

15h12 – “Está aberta a sessão com a proteção de Deus.” (?) O presidente abre a sessão, as pessoas continuam conversando (aqui atrás mais alto ainda) e o presidente após passar a palavra ao primeiro nobre vereador fala ao celular.

15h15 – Há 12 pessoas no palco que agora começam a prestar atenção. Diz o vereador ao microfone: “Às vezes essa tribuna se excede.” “Queria apenas ressaltar essa questão...” do uso do microfone. Soninha foi buscar uma revista que vai utilizar em sua fala.

15h20 – Outro vereador fala, mas é difícil prestar atenção porque aqui atrás os assessores falam sobre marcar presença e não estar, um deles explica: “Se houver votação e ninguém for contra, é como se tivesse votado a favor”, mesmo não estando presente, mas tendo registrado presença. Se não registram, não podem abrir a sessão por falta de quorum - que parece ser o que a assessora que se queixou preferia.

15h24 – O palco aplaude a platéia: alunos da 6ª série de uma escola que estão na parte de cima assistindo.

15h25 – “Nobre vereador” fala sobre plantio de cana. Ai. Ele está dando aula sobre o etanol para a platéia! A bactéria que produz o álcool pode produzir diesel, pelo que entendi. “O carbono vai ser absorvido pelos canaviais”(?!!!) “Energia limpa sem enxofre para orgulho dos brasileiros.” “Vamos economizar 400 bilhões de dólares por ano” “Não é Bio-diesel, é diesel. É um espetáculo!” “Tem gente demais falando em meio ambiente e fazendo pouco” (Será que ele está cutucando alguém?) “Grupo Votorantin genuinamente brasileiro.” “Parabéns ao Grupo Votorantin, a esse espetáculo, a essa maravilha que vamos construir em escala industrial!” Agora sim a monocultura vai tomar conta de tudo!! :´( ...

15h32 – A Soninha vai falar! (Mas o povo aqui atrás fala muito alto!) (#%¨*":^<@$%¨^!!!) Humm... um cafezinho pra acalmar. Ela está falando sobre a renovação das concessões de TV. “É comum o caso de comércio...” É incrível! Eu realmente não consigo ouvir o que ela fala!
A platéia aplaudiu a Soninha!! (Foi tão bonito, eles começaram sem saber se podiam, o presidente informou que podiam e aí eles aplaudiram sem medo!) :D

15h39 – “Com a palavra o nobre vereador... fulano de tal. Com a palavra o nobre vereador... ciclano de tal. Com a palavra...” Caramba! Não acaba! Não tem ninguém, mas tem que chamar todos os nomes.

15h40 – Acabou a lista? – Outro vereador falando e eu não escutando. Os assessores vem pra cá só pra conversar? Podiam no mínimo falar baixo. Grrr...

15h43 – Parece que o Presidente da casa chegou, e quem estava presidindo? Não sei, mas fala ao celular. Isso é exemplo para os alunos? :-/

15h44 – Os assessores todos se conhecem e certamente me estranham. Devem pensar: “Só podia ser assessora da Soninha, não pára de escrever.” ;)

15h45 – A Soninha fala ao celular discretamente (mas ela não está no palco, acho que os alunos nem conseguem vê-la lá de cima). O vereador terminou sua fala e eu não ouvi nada! Será que vou ser obrigada a prestar atenção na conversa aqui atrás? Será que estão eufóricos com minha presença? Pqp...

15h48 – No palco: o que preside... adivinhem? Celular. Mais duas pessoas conversam no celular e outras 3 ou 4 entre si. Como se não houvesse um vereador falando? Sim. Deve ser por isso que os vereadores muitas vezes começam a gritar no microfone. Quem assiste na TV não entende a histeria, agora começo a entender...

15h51 – “Encerrado o pequeno expediente.”
Não entendi. O que está aprovado? Porque o Presidente bateu palma? Acabou? Sim, acabou.
A moça da TV Câmara inicia gravação contando quem falou e etc.
A Soninha fez sinal para subirmos e um assessor reclamou com ela (brincando) que acabou com o esquema de corrupção que fariam. Ela veio perto e explicou que certa vez pediu emprestado a ele R$ 1,50 na padaria e ele disse que não precisava devolver, só queria duas Subprefeituras em troca. Ele complementou dizendo que já tinham um esquema de lavagem perfeito, tudo esquematizado, mas parece que ela fez questão de devolver o dinheiro.
É, no final, alguns assessores ao menos procuraram ser simpáticos comigo. Acho que eu estava muito séria e queriam me fazer rir a todo custo! ;-j
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(a foto é de outro dia, mas não foi muito diferente não)

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Apesar de ter sido curto e em alguns momentos irritante, gostei muito de ter ido! Até ontem só tinha assistido pela TV e dado uma ou outra espiada lá de cima, de onde fica a “platéia”.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem foi que disse?

Sou apaixonada pelo jingle da campanha da Soninha, porque expressa firmemente, e de forma muito gostosa, o que há muito digo, o que há muito questiono. Ando realmente tomada pela campanha e com pouca inspiração para escrever... quem sabe depois de domingo não volto...











Quem foi que disse que não tem mais jeito?

Quem foi que disse que só tem um jeito?

Quem foi que disse que ter um objeto

É melhor do que ser um bom sujeito?



Quem foi que disse que se melhorar, estraga?

Quem foi que disse que se mudar piora?

Quem foi que disse que mulher não pode

E que você não pode mudar isso agora?



(Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que isso é maluquice?

Quem foi que disse, quem foi que disse?

Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)

Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)



Quem foi que disse que gravata é seriedade?

Que alegria não é necessidade?

Quem disse que ideal é coisa de juventude

E que você não pode mudar essa atitude?



Quem foi que disse que tem que ser como eles?

E que só eles é que falam a verdade?

Quem foi que disse que isso é maluquice

Andar de bicicleta na cidade?



(Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que isso é maluquice?

Quem foi que disse, quem foi que disse?

Sou, Sou, Sou (Soninha!)

Sou, Sou, Sou (Soninha!)