segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sí, se puede!

Numa democracia, a gente também apita. Não é porque os governantes foram eleitos que podem fazer o que bem entenderem: se não estivermos de acordo - e formos muitos - não podem nos ignorar.

O governo federal tem feito de tudo para implantar a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e, para podermos opinar, temos que entender.
Por isso escolhi este vídeo e o texto da Telma Monteiro, ambos curtos e esclarecedores:

Por Telma Monteiro

"Atônita com a atitude do Brasil frente às recomendações da OEA sobre Belo Monte, acabo de levar um grande susto com a retaliação de Dilma Rousseff em retirar a contribuição anual à organização. Todos os membros da OEA contribuem anualmente para manter sua estrutura. Não que isso vá acabar com a OEA. Mas a atitude do Brasil tem um significado vergonhoso.

Fiquei então pensando se Dilma, durante a ditadura, quando presa e torturada, na solidão de sua cela, exausta e sofrida, teria ansiado por um organismo internacional que intercedesse por ela e por aqueles que sofriam com a violação dos direitos humanos. Assim, como fez a Comissão de Direitos Humanos (CIDH) da OEA em favor dos indígenas do Xingu, para resguardar seus direitos ao consentimento livre prévio e informado.

Estranho, pois, que o governo brasileiro tenha uma atitude tão ou mais xenófoba que as dos militares brasileiros da ditadura, algozes autoritários. Aqueles militares que esbravejavam e que esbravejam ainda, caquéticos hoje, contra uma ridícula ameaça americana de conquistar a Amazônia e as suas riquezas naturais. No entanto, o que consta é que os que querem explorar as riquezas naturais da Amazônia são as nossas próprias empresas estatais consorciadas com as grandes empreiteiras, com mineradoras ávidas, com bancos públicos, privados e holdings internacionais. Belo Monte significa uma montanha de dinheiro, ou a Vale não estaria agora interessada.

Com tudo isso o Brasil, não este maravilhoso dos brasileiros, mas aquele dessa presidente autoritária e arrogante, está dando mostras contundentes de que não tem maturidade para integrar o tal Conselho de Segurança da ONU, tão almejado. Quem não respeita os direitos humanos e desse crime é apontado publica e internacionalmente, não pode ser levado a sério.

Será que Dilma Rousseff e entourage estão esquecendo como sofreram horrores na ditadura? Será que estão fazendo uma releitura da dita ao ignorar o clamor dos indígenas do Xingu e agora o grito dos Munduruku do Tapajós?

O governo, a AGU, suas excelências no Congresso, estão agindo, no caso da OEA e Belo Monte, com visível medo de que essa Medida Cautelar proferida pela CIDH se transforme em um precedente. Levando-se em conta tudo que está planejado nas obras tenebrosas do PAC, dá para entender o temor."


Minha angustia vem com a esperança de podemos barrar esse crime contra a Amazônia e contra nós mesmos.
Hoje há muitas alternativas de geração de energia. Não precisamos destruir florestas, rios e povos indígenas para isso.

Disseminar essa informação é impressindível! - e conto com vocês! ´: )

Ele se foi

Pretendia escrever sobre outra coisa, mas o que “late” no momento é a história do meu mais novo companheiro...

que até poucos dias não fazia mais que destruir a casa, brincar de lutar com a mãe e me encantar enquanto dormia.

Mas meu pretinho, que parecia uma pulguinha quando nasceu, foi crescendo, ficando bonito, carinhoso, dengoso e de uns dias para cá me fazia muita companhia e me encantava cada vez mais.

Estava como eu queria que a Cármen fosse quando a peguei, mas que por conta de ficar tanto tempo sozinha e presa, não deu muito certo: ela fica por perto, mas não suporta ficar no colo um minuto sequer!

Quando vim morar para cá, uma das coisas que pesou muito foi saber que Carmensita não precisaria mais ficar presa no apartamento – enlouquecendo e quebrando tudo. A varanda dá para um mar de telhados, do qual muito rapidamente se apropriou e aprendeu a aproveitar.

Ela agora voltou a estar mais rueira, depois da “licença maternidade” que lhe deu uma acalmada, o pequeno, sempre ficava na varanda ou no telhado em frente e quando viam que eu ia sair, entravam.

Mas ontem, quando ia saindo, nenhum dos dois estava por perto. Eles sabem que quando isso acontece, não adianta, precisam esperar eu voltar. Foi a primeira vez que ele saiu pra longe - e até agora não voltou.

Não sei por que achei que os dois estivessem juntos, mas ela voltou sem ele, e logo deu falta, foi lá fora, miou de um jeito diferente como quem chama mesmo, depois outras vezes fez o mesmo, saiu, procurou, mas nada.

Ficamos as duas desconsoladas, tarde e noite inteira, hora dormindo pra esquecer, hora andando de um lado pra outro da casa, hora olhando, chamando, atentando a qualquer barulhinho com uma chispa de esperança, mas nada.

Esses dias ouvi no rádio que os gatos duram em média 3 anos por conta da maldade humana, que por isso deviam ser castrados e mantidos em casa, com cercas, telas, grades, etc. Achei horrível a idéia.

É muito triste pensar que correm tanto risco por aí, à toa. Mas daí não deixá-los viver? É como se deixássemos nós de sair por conta do perigo da rua. Não dá! Não podemos desperdiçar tanta coisa a ser vivida, por medo ou receio, por não correr o risco. Ele faz parte.

Hoje me sinto a pior mãe do mundo, por não ter procurado mais antes de sair, por não ter voltado antes... mas o que aconteceu não muda minha posição: não o teria preso para que vivesse só pra mim, por assim dizer, por mais falta que me faça. E como faz!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Do Tango ao Samba

Essa Virada foi duplamente especial!

Não sabia muito da programação, só do que não podia perder de forma alguma! Das 18h às 23h haveria Tango no Museu da Casa Brasileira e a meia-noite meu irmão tocaria no palco da Cultura Periférica, seguido de outros amigos.

Nunca tinha ido ao Museu, que fica na Av. Faria Lima, mas sabendo a localização, nunca poderia imaginar que se tratava de um lugar tão lindo!

Era um casarão com um quintal gigante, um mini bosque com uma clareira onde foi colocado um tablado para que os casais dançassem enquanto as orquestras convidadas tocavam na “varanda”...

A lua estava esplêndida e o evento em si, muito bonito! Quando estava quase indo embora, pois queria chegar com bastante antecedência para ver meu irmão, me convidaram para dançar.

Não tive como recusar. E o que deveria ser uma ou duas músicas, foi algo tão perfeito, que não tinha como parar.

Dançar já é maravilhoso, sendo então com uma boa orquestra e ao vivo, com um par que leva com absoluta facilidade, leveza e fascínio e à luz da lua... chega a ser difícil expressar o que foi, só experimentando! Mas posso dizer que era como se fosse um sonho... um sonho muito bom!

E de repente acordei e estava muito atrasada! Meu irmão ia tocar e já era muito tarde! O ônibus demorou e quando chegou, estava mais que lotado!

Com minha angústia aumentando a cada segundo, o jeito foi pegar um taxi.

Por mais rápido que andasse, parecia que não chegava nunca do Anhangabaú ao Palco da Sta. Ifigênia! E cada vez que pensava que ia perder o primeiro acorde, desesperava e queria andar mais rápido, quem dirá a metade do show!

Chegamos meia-noite e meia. Ele não estava tocando, estranhei e quando consegui achar o Gil soube que o gerador tinha dado problema, que os grupos anteriores haviam tocado sem amplificação e que o Gunnar ainda demoraria uma meia hora para entrar no palco.

Sei que devem ter ficado bem irritados com isso, mas eu fiquei foi bem aliviada! :)

E não perdi nadinha da apresentação! Que foi absolutamente linda! Pena que muito curta. E pena que não dá pra dar replay! Se desse, em uma só tiraria fotos, em outra só dançaria e em outra só ouviria a música.

E depois, fotografaria com outro efeito, dançaria de outro jeito, atentaria pra outro instrumento...

Mas outras virão e vou poder fazer tudo isso, espero que muitas e muitas vezes mais!

Pois é... não tenho do que reclamar não! Essa Virada Cultural foi linda! E a tal virada de vida, mais ainda!!! =D

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Água, gás e energia

Nossa professora de Seminário de Pesquisa é um barato! Super divertida e descontraída, além de dar dicas muito boas! Gostei muito dela!

Esses dias, antes de começar a aula, conversávamos sobre alguns assuntos, dentre eles a falta de água prevista para 2015, para, se não me engano, metade dos municípios brasileiros. Daí vem a questão: porque não tratam os esgotos? Não dá voto?

Tratamento de esgoto é caro mesmo e, infelizmente, se investe muito pouco se comparado à necessidade. Mas há alternativas que muitas vezes sequer são conhecidas pelo poder público, como é o caso dos biodigestores.

O Biodigestor é como uma caixa d’água enterrada e fechada para onde é destinado o esgoto que no seu processo natural de apodrecimento e decomposição libera gás que pode perfeitamente ser encanado e utilizado.

Ou seja, com um único investimento a gente interfere positivamente em quatro questões vitais: na água, evitando sua poluição; na energia que é gerada e economizada com o gás captado; no ar que deixa de receber o gás metano (de efeito estufa) agora preso; e no esgoto que passa a ser tratado localmente com um custo menor ou equivalente.

É um jeito diferente de proteger a saúde (evitando as doenças geradas pela poluição da água e do ar) e o meio ambiente (por ex: evitando os impactos negativos da construção de usinas hidrétricas) – e que funciona! Parece obvio que é bom, não é mesmo? Só falta agora o Poder Público conhecer e entender, a gente cobrar e ele investir. :)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Na virada da virada: Gunnar Vargas!

Amigos, tenho um convite especial para esta Virada Cultural!

Alguns já devem saber que meu irmão, Gunnar Vargas, acaba de lançar o seu primeiro CD solo, o qual será apresentado na virada da Virada, a meia noite, no palco da Sta. Ifigênia!


Estou muito feliz e muito orgulhosa com o resultado desse trabalho! As músicas dele me trazem uma mistura de alegria, admiração, euforia...

É como se alguém fosse capaz de traduzir um turbilhão de situações, emoções e sentimentos de forma precisa, divertida e poética. Acompanhada do acorde perfeito, do arranjo mais que perfeito, da melodia que te leva...

O CD é realmente uma viajem, passando por momentos até trágicos, mas dos quais aprendemos a dar risada, ou então cantamos tudo o que queríamos e podíamos ter falado naquele exato momento, trazendo uma sensação de alívio e até poderio.

Só posso agradecer ao meu irmão por esse presente divino, que é um santo remédio para quem está se recuperando de alguma separação, que emociona e diverte, que não dá vontade de parar de dançar, e dá vontade de ouvir de novo e de novo! :)


Enfim, uma coisa muito, muito boa que mal acredito que poderei compartilhar com todos vocês assim ao vivo!!!

Aliás, falando em compartilhar, vou tirar as músicas do blog, mas o CD estará a venda por R$ 15, e para quem quiser baixar, está disponível por aqui!


Espero vocês nessa virada de noite, e deus queira, de vida! ;)

domingo, 10 de abril de 2011

Compensações


Quinta perdi o celular da prefeitura, coisas da vida (que parece que faz de propósito, só porque fiquei feliz com a possibilidade de receber ligação). Dei risada da minha pequena tragédia, fazer o que? Tinha certeza de que havia sido na própria subprefeitura, e achei que o encontraria em breve.

Sexta enviei e-mail a todos os funcionários e perguntei a um monte de gente, ninguém sabia. Fiquei triste de pensar que alguém dali de dentro estivesse se aproveitando da situação por tão pouco. Para completar fui pra casa e bateu um mau pressentimento tamanho! É terrível ficar mal sem saber o porquê! Fiquei preocupada com minha vó, minha mãe, o Caio, o Arthur, Rafael, Gunnar...

Voltei para o trabalho grog de não sei o que. Não conseguia respirar direito, nem render nada – por supuesto. Voltei pra casa querendo ficar nela pra sempre, mas tinha combinado de sair com um amigo que sempre se preocupa comigo, e que quando me ligou tive a impressão de que tinha algo sério pra conversar.

Quis retribuir de alguma forma e fui mesmo acabada. No final das contas, passei vergonha duas vezes: primeiro porque não conseguia parar de bocejar, nem conseguia melhorar minha expressão. Depois, apesar de ter dito que não estava com fome, como tinha muito frio, topei tomar uma sopinha do Buffet, acompanhada de coisinhas que adoro – pão de queijo, pizzinhas, pãezinhos, etc. Eis que na quarta ou quinta colherada de canja eu já parecia outra pessoa! Animei, conversei e comi muito!

Ficou parecendo que eu estava passando fome, mas juro que não estava! rsrs

E no final das contas, era ele que de novo estava preocupado comigo, por conta do meu último post. Por essa eu não esperava! Obrigada meu lindo! ´:)

No sábado foi a vez de outro amigo segurar as pontas! Quando cheguei feliz do meu curso, não tinha mais pão, nem queijo (que tinha comprado meio quilo!), mas tinha um monte de louça pra lavar! Não agüentei segurar, essas três gotinhas transbordaram, e surtei, digamos que de leve, mas... não precisa muito pro meu irmão se incomodar. O amigo dele (também meu) que estava lá, na mesma hora resolveu a questão se dispondo a ajudar para que depois todos pudessem sair dar uma volta! E deu certo! Foi incrível!

Na sexta anterior, quando escrevi o último post, fui para a festa de uma amiga, mesmo não estando bem. Apesar de ter feito bem dançar um pouco, o que realmente salvou minha noite foi encontrar um amigo que há muito não via, e que me deu praticamente assistência! Foi muito lindo poder contar com ele!

Definitivamente no quesito amigos, não posso reclamar! Sou muito bem servida! E é por isso que sempre digo que os amigos são a melhor coisa da vida! Porque são mesmo!

Obrigadissíssississississimamente meus amores! Amo vocês pur demais!!!! :´)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sísifando


Hoje estou bem. Bem cansada, bem de saco cheio, bem puta da vida!

Fico pensando que sorte tinha Sísifo que só tinha que carregar uma mesma pedra todos os dias.

A gente tem que carregar o trabalho com todos os problemas a resolver, que na verdade são a melhor parte comparados a toda a fogueira de vaidade, e a todas as coisas que a gente não pode resolver, mas tem que conviver;

Depois vem a casa com todas as suas contas, com os serviços que sempre tem alguma complicação (ou não funcionam, ou vem muito caro, ou como agora, que não consigo que instalem a droga da internet pra que eu possa falar com quem está do outro lado do mundo e ao menos desabafar! grrr), e a parte essa parte burocrática, tem sempre sujeira acumulando, mesmo que você limpe, sempre tem algo que ainda está sujo, e o mesmo acontece com a bagunça, com os papéis, contas e não sei mais o que, que vão se procriando, crescendo verticalmente em pilhas, ou em bolinhos em tudo quanto é canto!

Daí tem os estudos, que têm um resultado muito legal, mas até chegar nele, é sempre uma tortura, ou porque os textos são muito chatos, ou porque você preferia por tudo do mundo poder descansar, dormir ou se divertir nos momentos em que tem que ler e ainda por cima, esquecer de todo o resto que atordoa e não sai da mente, pra poder entender o que está lendo!

Aí vem as relações com as pessoas, que não são definitivamente a pior parte, já que muitas vezes, por pior que sejam, são o único que alivia. Mas não, nada nesta vida pode ser de graça, e a gente sempre está engolindo um sapo, se culpando por não ser mais isto ou aquilo e tentando segurar a frustração por não ter a atenção desejada dali ou daqui. E se for uma relação amorosa ou coisa parecida, se complica a décima potência, pois precisa também aprender a lidar com os medos das pessoas de se relacionar, de querer, de sofrer, de ser traído, de se acovardar... etc, etc, etc.

E a gata precisa ser castrada, as cadeiras precisam ser forradas, as contas precisam ser organizadas, a comida precisa ser comprada... até tem festa, mas, ou falta disposição, ou precisa pagar entrada! : /

Sabe, a vida é muito boa, mas a gente estraga tudo! E faz algo que podia ser muito bom ser algo absolutamente... mediano?

E se a gente vai viajar, dizem que a gente está podendo, que isso e aquilo outro. Sim, posso como todo mundo me endividar, e felizmente cometi essa loucura compensatória, mas ainda assim, acho que está longe de ser suficiente.

A gente vive tentando se contentar com o pouco que tem e não estou dizendo que está errado, mas Deus meu, será que sou só eu que começo a perceber que é insustentável (não digo agora nem para o planeta, mas para nós mesmos) esse modo de vida? Será que sou só eu que não tenho tempo para nada? Que vivo cansada? Não, não acredito que seja incompetência minha. Definitivamente. Até hoje, bem ou mal, até que dei conta, mas não quero viver assim pra sempre! Definitivamente!

Queria construir um mundo em que as coisas boas (crianças, natureza, amizades, comemorações...) fossem sagradas. Em que as coisas desgastantes não passassem de meios – cada vez menos importantes. Em que as pessoas se olhassem nos olhos e procurassem se entender e apoiar... mas sou romântica, não é mesmo?

Quem está feliz, não tem porque querer mudar; e quem não está, já está conformado. E assim vamos em frente, com nossa vidinha, cada vez mais inha... nos alimentando pior, dormindo pouco, sonhando quase nada, nos matando pra ter sempre cada vez menos, inclusive menos tempo pra ser feliz.

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E escrever no blog? Dançar, fotografar, sair, brincar, viajar, namorar? Ah, isso não tem importância! O que é mesmo importante? O que vem primeiro pra você? Pra mim sempre foi o trabalho... mas quem disse que tem que ser assim? E se alguém disse, quem pode questionar?