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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sísifando


Hoje estou bem. Bem cansada, bem de saco cheio, bem puta da vida!

Fico pensando que sorte tinha Sísifo que só tinha que carregar uma mesma pedra todos os dias.

A gente tem que carregar o trabalho com todos os problemas a resolver, que na verdade são a melhor parte comparados a toda a fogueira de vaidade, e a todas as coisas que a gente não pode resolver, mas tem que conviver;

Depois vem a casa com todas as suas contas, com os serviços que sempre tem alguma complicação (ou não funcionam, ou vem muito caro, ou como agora, que não consigo que instalem a droga da internet pra que eu possa falar com quem está do outro lado do mundo e ao menos desabafar! grrr), e a parte essa parte burocrática, tem sempre sujeira acumulando, mesmo que você limpe, sempre tem algo que ainda está sujo, e o mesmo acontece com a bagunça, com os papéis, contas e não sei mais o que, que vão se procriando, crescendo verticalmente em pilhas, ou em bolinhos em tudo quanto é canto!

Daí tem os estudos, que têm um resultado muito legal, mas até chegar nele, é sempre uma tortura, ou porque os textos são muito chatos, ou porque você preferia por tudo do mundo poder descansar, dormir ou se divertir nos momentos em que tem que ler e ainda por cima, esquecer de todo o resto que atordoa e não sai da mente, pra poder entender o que está lendo!

Aí vem as relações com as pessoas, que não são definitivamente a pior parte, já que muitas vezes, por pior que sejam, são o único que alivia. Mas não, nada nesta vida pode ser de graça, e a gente sempre está engolindo um sapo, se culpando por não ser mais isto ou aquilo e tentando segurar a frustração por não ter a atenção desejada dali ou daqui. E se for uma relação amorosa ou coisa parecida, se complica a décima potência, pois precisa também aprender a lidar com os medos das pessoas de se relacionar, de querer, de sofrer, de ser traído, de se acovardar... etc, etc, etc.

E a gata precisa ser castrada, as cadeiras precisam ser forradas, as contas precisam ser organizadas, a comida precisa ser comprada... até tem festa, mas, ou falta disposição, ou precisa pagar entrada! : /

Sabe, a vida é muito boa, mas a gente estraga tudo! E faz algo que podia ser muito bom ser algo absolutamente... mediano?

E se a gente vai viajar, dizem que a gente está podendo, que isso e aquilo outro. Sim, posso como todo mundo me endividar, e felizmente cometi essa loucura compensatória, mas ainda assim, acho que está longe de ser suficiente.

A gente vive tentando se contentar com o pouco que tem e não estou dizendo que está errado, mas Deus meu, será que sou só eu que começo a perceber que é insustentável (não digo agora nem para o planeta, mas para nós mesmos) esse modo de vida? Será que sou só eu que não tenho tempo para nada? Que vivo cansada? Não, não acredito que seja incompetência minha. Definitivamente. Até hoje, bem ou mal, até que dei conta, mas não quero viver assim pra sempre! Definitivamente!

Queria construir um mundo em que as coisas boas (crianças, natureza, amizades, comemorações...) fossem sagradas. Em que as coisas desgastantes não passassem de meios – cada vez menos importantes. Em que as pessoas se olhassem nos olhos e procurassem se entender e apoiar... mas sou romântica, não é mesmo?

Quem está feliz, não tem porque querer mudar; e quem não está, já está conformado. E assim vamos em frente, com nossa vidinha, cada vez mais inha... nos alimentando pior, dormindo pouco, sonhando quase nada, nos matando pra ter sempre cada vez menos, inclusive menos tempo pra ser feliz.

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E escrever no blog? Dançar, fotografar, sair, brincar, viajar, namorar? Ah, isso não tem importância! O que é mesmo importante? O que vem primeiro pra você? Pra mim sempre foi o trabalho... mas quem disse que tem que ser assim? E se alguém disse, quem pode questionar?