sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Visita ao Plenário da Câmara

Na quinta-feira fui junto com a Soninha ao plenário. Bom, na verdade “junto” é quase um modo de dizer, pois tenho que ficar separada dela em um balcão para os assessores na parte de trás. Por sorte tive a boa idéia de levar papel e caneta, e estas foram minhas anotações:
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15h10 – Que horas começa a peça?
As câmaras se posicionam. No palco: uma pessoa sentada na mesa gigante olha folhas de papel que uma mulher de pé ao seu lado vira. Há também várias pessoas conversando.

15h12 – “Está aberta a sessão com a proteção de Deus.” (?) O presidente abre a sessão, as pessoas continuam conversando (aqui atrás mais alto ainda) e o presidente após passar a palavra ao primeiro nobre vereador fala ao celular.

15h15 – Há 12 pessoas no palco que agora começam a prestar atenção. Diz o vereador ao microfone: “Às vezes essa tribuna se excede.” “Queria apenas ressaltar essa questão...” do uso do microfone. Soninha foi buscar uma revista que vai utilizar em sua fala.

15h20 – Outro vereador fala, mas é difícil prestar atenção porque aqui atrás os assessores falam sobre marcar presença e não estar, um deles explica: “Se houver votação e ninguém for contra, é como se tivesse votado a favor”, mesmo não estando presente, mas tendo registrado presença. Se não registram, não podem abrir a sessão por falta de quorum - que parece ser o que a assessora que se queixou preferia.

15h24 – O palco aplaude a platéia: alunos da 6ª série de uma escola que estão na parte de cima assistindo.

15h25 – “Nobre vereador” fala sobre plantio de cana. Ai. Ele está dando aula sobre o etanol para a platéia! A bactéria que produz o álcool pode produzir diesel, pelo que entendi. “O carbono vai ser absorvido pelos canaviais”(?!!!) “Energia limpa sem enxofre para orgulho dos brasileiros.” “Vamos economizar 400 bilhões de dólares por ano” “Não é Bio-diesel, é diesel. É um espetáculo!” “Tem gente demais falando em meio ambiente e fazendo pouco” (Será que ele está cutucando alguém?) “Grupo Votorantin genuinamente brasileiro.” “Parabéns ao Grupo Votorantin, a esse espetáculo, a essa maravilha que vamos construir em escala industrial!” Agora sim a monocultura vai tomar conta de tudo!! :´( ...

15h32 – A Soninha vai falar! (Mas o povo aqui atrás fala muito alto!) (#%¨*":^<@$%¨^!!!) Humm... um cafezinho pra acalmar. Ela está falando sobre a renovação das concessões de TV. “É comum o caso de comércio...” É incrível! Eu realmente não consigo ouvir o que ela fala!
A platéia aplaudiu a Soninha!! (Foi tão bonito, eles começaram sem saber se podiam, o presidente informou que podiam e aí eles aplaudiram sem medo!) :D

15h39 – “Com a palavra o nobre vereador... fulano de tal. Com a palavra o nobre vereador... ciclano de tal. Com a palavra...” Caramba! Não acaba! Não tem ninguém, mas tem que chamar todos os nomes.

15h40 – Acabou a lista? – Outro vereador falando e eu não escutando. Os assessores vem pra cá só pra conversar? Podiam no mínimo falar baixo. Grrr...

15h43 – Parece que o Presidente da casa chegou, e quem estava presidindo? Não sei, mas fala ao celular. Isso é exemplo para os alunos? :-/

15h44 – Os assessores todos se conhecem e certamente me estranham. Devem pensar: “Só podia ser assessora da Soninha, não pára de escrever.” ;)

15h45 – A Soninha fala ao celular discretamente (mas ela não está no palco, acho que os alunos nem conseguem vê-la lá de cima). O vereador terminou sua fala e eu não ouvi nada! Será que vou ser obrigada a prestar atenção na conversa aqui atrás? Será que estão eufóricos com minha presença? Pqp...

15h48 – No palco: o que preside... adivinhem? Celular. Mais duas pessoas conversam no celular e outras 3 ou 4 entre si. Como se não houvesse um vereador falando? Sim. Deve ser por isso que os vereadores muitas vezes começam a gritar no microfone. Quem assiste na TV não entende a histeria, agora começo a entender...

15h51 – “Encerrado o pequeno expediente.”
Não entendi. O que está aprovado? Porque o Presidente bateu palma? Acabou? Sim, acabou.
A moça da TV Câmara inicia gravação contando quem falou e etc.
A Soninha fez sinal para subirmos e um assessor reclamou com ela (brincando) que acabou com o esquema de corrupção que fariam. Ela veio perto e explicou que certa vez pediu emprestado a ele R$ 1,50 na padaria e ele disse que não precisava devolver, só queria duas Subprefeituras em troca. Ele complementou dizendo que já tinham um esquema de lavagem perfeito, tudo esquematizado, mas parece que ela fez questão de devolver o dinheiro.
É, no final, alguns assessores ao menos procuraram ser simpáticos comigo. Acho que eu estava muito séria e queriam me fazer rir a todo custo! ;-j
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(a foto é de outro dia, mas não foi muito diferente não)

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Apesar de ter sido curto e em alguns momentos irritante, gostei muito de ter ido! Até ontem só tinha assistido pela TV e dado uma ou outra espiada lá de cima, de onde fica a “platéia”.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem foi que disse?

Sou apaixonada pelo jingle da campanha da Soninha, porque expressa firmemente, e de forma muito gostosa, o que há muito digo, o que há muito questiono. Ando realmente tomada pela campanha e com pouca inspiração para escrever... quem sabe depois de domingo não volto...











Quem foi que disse que não tem mais jeito?

Quem foi que disse que só tem um jeito?

Quem foi que disse que ter um objeto

É melhor do que ser um bom sujeito?



Quem foi que disse que se melhorar, estraga?

Quem foi que disse que se mudar piora?

Quem foi que disse que mulher não pode

E que você não pode mudar isso agora?



(Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que isso é maluquice?

Quem foi que disse, quem foi que disse?

Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)

Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)



Quem foi que disse que gravata é seriedade?

Que alegria não é necessidade?

Quem disse que ideal é coisa de juventude

E que você não pode mudar essa atitude?



Quem foi que disse que tem que ser como eles?

E que só eles é que falam a verdade?

Quem foi que disse que isso é maluquice

Andar de bicicleta na cidade?



(Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que isso é maluquice?

Quem foi que disse, quem foi que disse?

Sou, Sou, Sou (Soninha!)

Sou, Sou, Sou (Soninha!)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Manifesto de Solidariedade à Soninha


Nós, cidadãos e cidadãs que ainda acreditamos que a ética e a transparência são essenciais à política e à democracia, repudiamos veementemente os atos de hostilidade contra a vereadora e candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, e consideramos inadmissível qualquer tentativa de intimidação ou ameaça de punição pelo simples fato de manifestar o seu pensamento e as suas opiniões.


Estamos todos solidários à vereadora Soninha neste momento, pela coragem de jogar luz sobre a obscuridade da Câmara Municipal de São Paulo - e pelo desprendimento de abrir mão de uma possível reeleição como vereadora para entrar em uma campanha majoritária e influenciar decisivamente nos rumos do debate político e programático da cidade.
Quando Soninha afirmou na sabatina do jornal "O Estado de S. Paulo" que os vereadores paulistanos fazem acertos de todos os tipos e diferentes nuances, mais ou menos republicanas, para a aprovação de projetos na Câmara, foi como se riscasse um fósforo sobre um barril de pólvora.


A grande maioria dos vereadores simplesmente não admite que algum de seus pares questione as práticas e métodos próprios do parlamento paulistano. Quase como o "código de honra" da máfia, que manda exterminar quem se opõe às regras do crime organizado, alguns vereadores pedem a cabeça de quem ousa questionar o modus operandi das negociações realizadas na Câmara Municipal.


Não é segredo para ninguém que os projetos de lei - seja de iniciativa do Executivo ou dos vereadores - só entram em pauta após acordo entre os líderes partidários. Como se chega a esses acordos é o grande tabu - que a imprensa não aprofunda e que Soninha vem apontando desde o seu primeiro ano de mandato, sem grande repercussão.


Agora que é candidata à Prefeitura, as mesmas declarações ganham um enfoque diferenciado. Mas a nossa indignação é a mesma de Soninha contra essa prática dos vereadores paulistanos - que, em vez de pedirem a apuração das acusações e o esclarecimento das suspeitas, querem a punição da acusadora. Muito singular este senso de justiça e transparência.
Porém, São Paulo reivindica um novo parâmetro ético para qualificar o debate e dignificar a nossa representação política. Assim, a postura de Soninha deixa de ter apenas um caráter partidário para se transformar em um clamor de todos aqueles que amam esta cidade e desejam resgatar os sonhos e a esperança de uma sociedade mais digna, justa e humana.


Roberto Freire, presidente nacional do PPS; João Batista de Andrade, cineasta e ex-secretário estadual da Cultura; Paulo Baia, professor do Departamento de Economia da PUC; Sérgio Salomão Shecaira, professor titular de Direito Penal da USP; Alberto Aggio, historiador e professor livre-docente da Unesp; Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos; Clarice Herzog, publicitária; Arrigo Barnabé, músico; Cláudio Kahns, cineasta; Ana de Hollanda, cantora e compositora; Gunnar Carioba, administrador; Tereza Vitale, coordenadora nacional de Mulheres do PPS; Hercídia Mara Facuri Coelho, pró-reitora acadêmica da Universidade de Franca; Luís Mir, historiador; Dina Lida Kinoshita, doutora em física da USP e membro da Cátedra UNESCO de Educação para a Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância; Giovanni Menegoz, tradutor; Tibério Canuto, jornalista; Eliete Negreiros, cantora e pesquisadora de música popular brasileira; Silvano Tarantelli, jornalista; Wanderlei Silva, diretor do Polo de Cinema e Video do DF; Diógenes Botelho, jornalista; Arnaldo Jardim, deputado federal; Davi Zaia, deputado e presidente estadual do PPS de São Paulo; Carlos Fernandes, presidente municipal do PPS de São Paulo; Nelson Teixeira, secretário-geral do PPS de São Paulo; Moacir Longo, presidente de honra do PPS; Maurício Huertas, jornalista e coordenador do Movimento Vergonha Nunca Mais, pela Ética na Política.


IMPORTANTE: A participação é aberta a qualquer cidadão. Estão listadas acima apenas as assinaturas iniciais do documento. A íntegra dos nomes dos apoiadores será atualizada e divulgada no decorrer dos dias. Para aderir ao manifesto, envie um e-mail para: vergonha@uol.com.br

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Soninha

Na segunda enviei para meus contatos o seguinte e-mail:

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Queridos amigos,
(e desconhecidos que por acaso tb recebam)

Trago boas novas!
Há mais ou menos um mês comecei a trabalhar com uma pessoa com quem me identifico, que verdadeiramente acredito: a Soninha. Pessoa para quem fiz campanha em 2004 e 2006 e que agora, não poderia ser diferente!

Acompanhei seu mandato pelo blog (http://gabinetesoninha.zip.net/) e pelo site (http://www.soninha.com.br/), e já gostava dela; agora então que estou perto, nem se fale! Não é puxa-saquismo: ela é realmente encantadora, além de muito inteligente e extremamente dedicada!

Estou muito feliz!!! Não só por estar trabalhando em algo que gosto, mas também pelo fato do único político em quem posso dizer que confio 100% ter a cara e a coragem de agora se candidatar e enfrentar a disputa pela Prefeitura de São Paulo. - O que não significa que desconfie inteiramente de todos os outro, nem que eventualmente nós duas não possamos ter opiniões divergentes...

Bom, escreveria muito mais - quem me conhece sabe que eu me empolgo quando começo a escrever - mas vou parar por aqui porque não quero que parem antes do fim! ;)

Estou encaminhando junto a newsletter da campanha e, se alguém tiver interesse em continuar recebendo, é só me informar que eu incluo na lista. Queria muito ter enviado antes, pois hoje é a festa de lançamento da campanha, mas a correria não permitiu... espero que alguém ainda receba a tempo de me encontrar hoje à noite!

Beijos!
--
Ana Estrella Vargas

http://anaestrella.blogspot.com/
http://www.soninha.com.br/
http://www.tropis.org/

[Não vou colocar a newsletter porque a lei eleitoral está tão, tão excessivamente restrita, que poderiam caracterizar propaganda indevida... e como o desconfiado morreu de velho...]

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Recebi várias respostas!! Alguns querendo receber a news, outros agradecendo pela informação de que é candidata a prefeita. Muitos ficaram felizes por mim "por que eu merecia algo melhor mesmo." Uma amiga disse que a Soninha tem imã para atrair gente boa, outra encaminhou o e-mail para seus contatos com elogios a mim e a meu pai.

A reação das pessoas, em geral, é muito boa! Só queria deixar registrado que foi maravilhoso receber tantas respostas positivas!!

E vamos a luta!!! Hoje tem debate na Band às 21h30, acho que estamos mais aflitos que ela. Não quero perder um minuto sequer!!

domingo, 27 de julho de 2008

Tião Reciclado - Cine Pólis


Dia desses fui ao Cine Pólis assistir um documentário chamado Tião Reciclado. Antes de começar o filme estavam passando o “Panorama – Arte na Periferia” filme de Peu Pereira mais uns amigos, que adoro ver, por que retrata muito do movimento artístico da Zona Sul, onde morei e “cresci”.

(As bandeiras do Brasil e do Movimento dos Catadores junto com placas reivindicando direitos básicos: moradia, saúde, educação, cultura, música, poesia, teatro, etc.)


Encontrei um amigo que estudou na minha faculdade, pessoa linda de corpo e alma, que trabalha com o movimento de população de rua; nos conhecemos em um Seminário de Inclusão Social Urbana. Lembro que naquele dia fiz uma pergunta (por escrito) ao então Secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro, que simplesmente não foi respondida. A idéia é simples, mas depende de algo um tanto quanto raro: vontade política.


(O Daniel que se formou na ESP - acho que antes de eu entrar - vire e mexe nos encontramos nos eventos e butecos)

Minha questão era, e ainda é: “Por que as Secretarias de Serviço, Trabalho, Verde e Meio Ambiente e Assistência e Desenvolvimento Social não se juntam para fazer um programa com as pessoas em situação de rua para que sejam capacitadas como agentes ambientais, de maneira que possam fazer corretamente a coleta e também a conscientização ambiental boca-a-boca? Assim, recebendo por isso, poderiam sair da situação em que se encontram. Mas devem receber mais do que simplesmente o valor do material coletado, pois estão prestando um serviço a cidade, e se a outra coleta recebe (e saí caríssima aos cofres) por que esta não? Desta forma poderíamos atacar dois problemas imensos e gravíssimos da cidade: a ineficácia da coleta seletiva e o absurdo número – cerca de 12 mil – de pessoas morando nas ruas.”


(Fizemos uma roda imensa, tinha um monte de gente!)

Para nossa surpresa o ex-secretário, que agora está em campanha, estava lá. Teria eu a oportunidade de fazer-lhe novamente a pergunta, desta fez mais bem elaborada, podendo ser explicada verbalmente? Claro que não. Inútil ilusão! O homem não é besta, não ficaria lá para o debate, pois sabia que não lhe seria nada fácil, ficaria sem saber o que responder, no mínimo.

(Tião é o segundo, de blusa cinza)

Tião foi morador de rua por muito tempo, até que um dia se deu conta de que saber ler e escrever não era pouca coisa. Foi assim que começou a escrever e se envolver com conselhos representativos e movimentos de população de rua. Escreveu recentemente Diário de um Carroceiro, que foi representado em Teatro - no documentário há alguns trechos da peça.


(O sambista que foi preso quando tentava passar a noite dormindo na igreja, explicou o ocorrido e pediu desculpa aos colegas, precisa de outro instrumento pq o seu ficou preso, mas ñão por isso deixou de cantar um e outro samba, só na palma da mão. Foi lindo!)

O filme é muito gostoso, envolvente. O que mais me marcou foi ver ele filmando no gramado do Anhangabaú falando do prédio no qual ia às reuniões do Conselho na Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, no mesmo prédio em que eu trabalhava. Era o mesmo gramado que eu cruzava pelas manhãs. Sempre ficava olhando as pessoas dormindo nele em cima de papelões, enrolados em cobertores cinzas que a SMADS distribui. As plantas quase sempre estavam floridas e os passarinhos sempre estavam por ali comendo sementinhas e migalhas. Os que já estavam acordados às vezes me surpreendiam com um “bom dia”... eu ficava tão feliz de poder ao menos retribuir esse simples gesto!

(A pequena de rosa é a Bia, filha do Anderson, se sente super a vontade com todo mundo, me lembrou minha sobrinha)

No Cine Pólis, Tião parecia se sentir em casa: estava rodeado de sua “família”, de suas pessoas queridas. Foi apresentando as lideranças e apoiadores ali presentes, feliz da vida! Ficou meio ressabiado comigo por ter contado que trabalho com a Soninha, que agora é candidata a Prefeita. Minha sorte foi que o Anderson, que está nessa luta faz tempo também, contou que naquela mesma semana precisou de ajuda e só pôde contar com a Soninha. E não é conversa: o quê nosso Chefe de Gabinete, que é a advogado, enfrenta, não é bolinho não. Na sexta passou praticamente o dia inteiro tentando impedir uma desocupação. Nas últimas semanas a Prefeitura tem pegado pesado, quer “limpar a cidade”. Na segunda (28/07) às 9h haverá manifestação na Praça da Sé para denunciar e protestar contra essa situação.

(O de boné branco é o Anderson, que sempre que preciso pede socorro no gabinete, também tem outra filha menor de quem a Soninha é madrinha)


segunda-feira, 21 de julho de 2008

Entre o passado e o futuro

Há uns meses quando estava com minhas crises agudas com relação ao meu objeto de estudo (queria estudar tudo, menos o que já tinha escolhido há um ano), minha mãe me enviou um comentário perguntando por que eu não fazia minha tese sobre a vida dos nordestinos que vieram para cá (Rio-São Paulo). Ela afirmava que era muito interessante ouvir as histórias do meu padrasto, que segundo ela, é a mesma que a de 40 milhões de brasileiros. Sobre “as surras que levavam para aprender a suportar A VIDA DURA trabalhando desde os 3 anos de idade... até o cuidado dos seus netos que com tanta VIDA MOLE se transformam em bandidos ou viciados em drogas.”

É tão fácil cairmos em velhos e tão simplistas discursos. Há uns dias recebi um e-mail dela contando que só agora tinha visto a resposta do comentário, que lhe "pareceu genial". Quando li de novo, resolvi traduzir e colocar aqui. Mas, pensando bem... não consigo me imaginar escrevendo pra minha mãe em português, soa tão falso... e não é tão difícil entender o espanhol – não entendendo algo, é só perguntar – ainda sou professora. ;-)

“Mami,
por qué será que los padres siempre quieren que los hijos hagan lo que no hicieron?
Ponte a escribir un proyecto de maestrazgo, qué te parece?
Ah! Y sobre los drogadictos, eso no se da por no trabajar, sino, por no tener sus padres, que se pasan todo el día trabajando y además intentan olvidar o ocultar su pasado. Eso sí es un gran problema, lo que Hannah Arent llama de "la laguna entre en pasado y el futuro". Las personas rechazando el pasado y la tradición, cultivan un vacío en su interior que hace con que la vida no tenga ningún sentido. No tienen un hilo, están perdidos en el espacio. Eso hay que arreglarlo, pero al capitalismo, no le interesa nada, porque las personas compran más y más, intentando rellenar sus huecos negros. No saben que sólo las ideas pueden rellenarlo.”



Tá bom vai, eu traduzo, mas só dessa vez:

“Mãe, por que será que os pais sempre querem que os filhos façam o que não fizeram? Por que você não começa a escrever um projeto de mestrado?
Ah! E sobre os viciados, isso não se dá por não trabalharem, mas sim por não terem seus pais que passam o dia todo trabalhando e ainda por cima tentam esquecer e apagar o seu passado. Isso sim é um grande problema, o que a Hannah Arendt chama da “lacuna entre o passado e o futuro”. As pessoas rejeitando o passado e a tradição, cultivam um vazio dentro de si que faz com que a vida não tenha sentido algum. Não têm um fio, uma ligação, estão perdidos no espaço. Isso é necessário mudar, mas o capitalismo não se interessa nada por isso, pois as pessoas compram mais e mais, tentando preencher seus buracos negros. Não sabem que só as idéias podem preenchê-lo.”

Minha mãe gostou da sugestão do mestrado e disse que vai começar por estudar a fantástica Hannah Arendt, quem eu amaria ter tempo de estudar, e que um dia eu vou, ah si vou!