domingo, 25 de março de 2012

¡Buenos Aires! – parte I

Apesar de inicialmente ter me empolgado com a idéia e até ter incentivado algumas pessoas, decidi que não ia, por mais tentador que fosse.

Conhecer Buenos Aires nunca tinha sido um sonho, era fogo de palha porque meus professores de tango estavam indo e estava muito barato. No entanto, como fui deixando pra decidir depois, já sabia que em cima da hora não rolaria.

Mas a questão é que tinha que acontecer. E faltando poucos dias surgiu uma super promoção: dividindo no cartão, se tornava viável e, como não tinha tempo pra pensar... em 15 minutos minha passagem estava comprada!

Meus professores estariam em um hostel (albergue), mas como a fresca aqui não queria ter que dividir banheiro, decidi que deixaria a bagagem com eles e procuraria um hotel próximo. Mas já sabem, né? Nada na minha vida é sem emoção!

O endereço deles era tão fácil que nem anotei e... sim, não os encontrava e comecei a duvidar da minha memória. Fiz amizade com o taxista (Rudolfito) que foi muito gente boa comigo, só que uma hora disse que teria que me deixar para buscar a esposa. Por sorte a mala era pequena e tinha rodinhas e, poxa, tinha que ser por ali!

Fiquei rodando horas, aproveitava para procurar também o “meu lugar”, mas o banheiro sempre era compartilhado e eu nunca gostava muito do quarto.

Em um deles, o “Entre Libros” a moça foi super amável e procurou o endereço dos meus amigos: minha memória não estava errada! Ela explicou como chegar e resolvi voltar ao lugar outra vez. Mas, não sei por que, apesar de ser tão simples e estar tão perto, sempre me perdia!

Quase decidi ficar só aquela noite em um hotel todo luxuoso, só pra poder largar a bagagem, correr para avisar que estava bem e voltar para descansar. Mas entre procurar o hotel caro e o hostel, depois de descansar um pouco (perto da Mafalda!), resolvi procurar um pouco mais o danado do escondido e finalmente os encontrei!

A porta do Hostel Chipre era pequena e ficava ao lado de outro muito grande que chamava muito mais atenção, por isso quando fui a primeira vez não o vi. Entrei e até havia um quanto com banheiro, mas gostei mais da parte térrea que tinha uns espaços de convívio com mesas e plantas bem na frente dos quartos. Ali também estaria ao lado do quarto do Julio e da Adriana, além de ser mais barato. Tinha lá suas falhas, mas gostei muito do lugar!


Estava extremamente cansada e com muito sono, não tinha dormido praticamente nada na viagem! Nossos visinhos de quarto que eram de Mérida iam com a gente e de cara gostei muito deles. Eram familiares, receptivos, agradáveis... não tive escapatória! Afinal, estava em Buenos Aires! Fui para a primeira de muitas milongas...



...mas conto como foi/foram depois, prometo! ;)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Usando drogas sim.



Estou ensaiando faz tempo para contar isso aqui. Não me orgulho não, mas estou usando drogas sim. E sem querer parecer clichê mas, de fato, a fase mais difícil é reconhecer que o problema existe e precisa ser encarado.

Lembro que um tempo depois que comecei a trabalhar na UBS, sabendo que boa parte dos funcionários tomava anti-depressivos, falei para o meu amigo com a boca cheia, alto e em bom som: “Eu NUNCA vou me drogar como vocês!”...

Mas a gente paga a língua! Algumas das pessoas que me acompanhavam mais de perto, conviviam e conheciam melhor, começaram a sugerir que eu procurasse um tratamento psiquiátrico. Mas eu me recusava plenamente, só aceitei tomar algo natural, e comecei com o Ginsen Brasileiro.

Sempre fui contra esse uso excessivo de remédios controlados.

Mas... depois de passar alguns meses em um trabalho que só me sugava e esgotava, ter alguns fortes problemas na família, e ter meu pedido de transferência ou liberação para exercício de cargo em outra Secretaria negado... quando chegaram as férias (com as quais não consegui descansar nada), fiquei sem meus apoios extras (psicanálise, terapias integradas, centro cardesista...) e não guentei segurar o rojão.

Sentia tontura, falta de ar, enjôos do nada. O coração batia de um jeito que chegava incomodava. Revoltava e chorava rios pelo menos duas vezes por semana, e se antes sentia que saía das deprês mais forte, agora eu já mal saía... "ficava na porta" até mesmo porque sabia que logo voltaria tudo de novo.

Sentia tudo, mas supostamente não tinha nada. A médica (que amo!) pediu uma bateria de exames (me tiraram 14 tubos de sangue!), mas na ocasião já disse com todas as letras que achava que eu precisava de remédios psiquiátricos sim.

Não sei se tomar remédios é a melhor solução. Na verdade, acho que não. Acho que poderia me curar perfeitamente se não tivesse que ir para um trabalho que me fazia mal e tivesse tempo de cuidar de mim e da minha saúde devidamente por um tempo. Mas, enquanto isso... quem segura as pontas?

No lugar de parar para nos recuperarmos, tomamos as “mágicas” drogas da medicina para trabalhar sem parar. E assim o capitalismo vai se mantendo, mais e mais. Não queria fazer parte disso, queria mesmo achar a força interna que tinha antes, mas me escapa. : /

É muito estranho tomar essas coisas... tem que tomar um para se sentir disposto e outro para poder acalmar ou dormir. São muitos dias perdidos na adaptação (e isso me irrita!). Fora a piração interna que dá na perguntação constante do que esses remédios estão fazendo comigo. O que vem de mim e o que vêm deles, sabe?

Os primeiros dias são sempre mais difíceis, antes pensava muito em parar, agora diminuiu um pouco. Mas apesar de tudo isso, me fiz um propósito de tentar aceitar essa “ajuda” porque precisava mesmo fazer algo que me tirasse do ponto em que havia travado.

Recusar, era um risco que considerei não ser adequado assumir no momento. Estava no limite e não podia me dar ao luxo de enlouquecer de vez - ao menos não por enquanto.

Não sei se dará certo, se terá o resultado que quero, mas se não tentar, não terei como saber. O único que tenho certeza, é que será por pouco tempo. Espero poder parar antes do final do ano. É uma das minhas metas. Vediamo! :)


O lado bom é poder ficar afastada do que me fazia mal e de justamente ter que fazer coisas que gosto para melhorar! =)

O lado complicado é que às vezes passo mal na rua, por isso sinto cada vez menos vontade de sair de casa, onde não fico exposta e me sinto segura. Estou me esforçando para estabelecer uma rotina e me reorganizar, é todo um processo, mas vou chegar lá!

Muito mais para falar e refletir sobre isso, mas hoje paro por aqui.

E se alguém quiser passar em casa pra fazer visita, conversar, bagunçar, etc, etc... é só avisar! Provavelmente estarei aqui - com a benção de mainha: cada dia melhor! ;)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quando um cruzar deixa um lembrar…

Não via a hora de entrar no avião, me acomodar e apagar.

Meu lugar era o último e na janela. Perfeito pra quem queria só se encolher, encostar a cabeça e não pensar em mais nada.

Mas a moça sentada na poltrona do corredor perguntou se eu não queria mudar de lugar com o marido dela que estava lá no meio. Queria sentar na janela, o lugar dele era ao lado da saída de emergência, com bastante espaço, mas não era o que eu precisava, precisava de um lugar pra encostar a cabeça.

A moça sentada na janela pediu pra mudar de lugar porque o banco não recostava e um moço gentil se dispôs a fazer a troca. Achei que era muito abuso da boa vontade dele pedir para trocar comigo também.

Começamos a conversar e de repente era como se nos conhecêssemos há tempos. Demos risada, descontraímos, fiquei com vontade de conhecer o país dele e me dispus a recebê-lo na minha casa e apresentar-lhe um pouco mais do Brasil, nossas comidas e cultura. Era como se nunca mais fossemos nos separar.

O sono bateu e fechamos os olhos para dormir, mas nossa poltrona não reclinava e era extremamente desconfortável. Não entendo porque ela faz aquela curva que nos obriga a ficar com a cabeça pra frente! Não conseguia dormir de jeito nenhum. Até que uma hora aproveitei que algo o acordou e com muita cara de pau e um pouco de dengo, perguntei se já que dormiria no meu sofá quando fosse a São Paulo, se poderia deitar no braço dele pra dormir.

Só me arrependi de uma coisa: de não ter pedido antes!

De repente eu estava no melhor lugar do mundo e queria que o vôo demorasse pelo menos mais quatro horas. Mas faltava só uma meia hora, nunca imaginei que me incomodaria de chegar logo, mas foi. Não queria sair dali por nada do mundo!

Ele esperou eu pegar minha mala, descemos juntos, entramos no ônibus juntos e ficamos de frente, nos olhávamos, mas não sabíamos ao certo o que dizer. Vi que estava arrepiado de frio. Deu vontade de chegar perto, abraçar, aquecer... mas havia um senhor do outro lado que atrapalhava o curto e tão grande espaço de menos de um metro. Talvez o senhor estivesse ali, justamente materializando nossa incerteza.

Desci do ônibus, esperei ele, demos alguns passos e assim que entramos na parte interna do aeroporto, nos deparamos com um ser inconveniente dizendo: “conexões para lá î, saída para lá ->” :(

Fiquei perplexa. Como assim? Assim? Sem nem tomarmos um café? Queria ir com ele ou que ele viesse comigo, mas... foi assim: então tchau. Um beijo no rosto e um quase-semi-abraço.

Haha! Tinha acabado de conhecer a pessoa e esperava ganhar um mega abraço, desses nossos, que quando grudamos, não desgrudamos mais até ter certeza de que todas as células puderam se saudar, fofocar, abraçar e despedir devidamente! rsrs...

Continuei perplexa, mas ainda fui capaz de cobrar que me procurasse (sim passei meu contato, mas não peguei o dele, não aprendo!). Fomos cada um para um lado, cada qual para sua fila, lá de cima, podia ver ele na espera. Dava vontade de fazer algo, mas o que? A vida, apesar de às vezes parecer, não é filme.

Já diz a música: tristeza não tem fim, felicidade sim...

Vão-se as esperanças e ficam-se as lembranças. :P

Por algum motivo aqueles momentos estavam cruzados. Sem mais nem menos, foram especiais - e vão ficar guardados! ´:)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Minhas companheiras se perderam no caminho

Minhas companheiras, não sei onde estão.
Alguém viu a minha força por aí? Não sei como, mas a perdi, e agora não consigo encontrá-la.
E minha alegria, alguém sabe onde se meteu? Ela estava sempre por perto e sempre dando risada!
Minha disposição então, não sei onde foi parar! Íamos a todos os lugares e tínhamos tantos planos!
Dizem que devem estar dentro de mim, mas não é possível! Eu sou tão pequena, e já procurei tanto...
Elas dever ter escapado pra dar uma volta e se perdido no caminho, só pode!
Se as virem por aí, digam que sinto muita falta, que a tristeza só me sufoca.
Peçam para que se guiem pelas estrelas ou pela lua, que não vou sair de casa.
Não vou a lugar nenhum sem minhas companheiras.
Vou ficar aqui esperando, porque sei que um dia encontrarão o caminho de volta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Santa Chuva!

Hoje disse ao meu psicólogo que estava me sentindo seca. Seca de tudo.

Saindo de lá, prevendo o ônibus lotado somado ao trânsito, resolvi voltar a pé. Como estava de bota, lá pelas tantas, meu pé doía muito e resolvi sentar em um lugar gostoso que vi, sentei na mesinha de fora, tomei uma coca, fiz uma ligação, vi que ia chover, mas resolvi terminar de saborear o meu momento sem pressa.


Quando finalmente estava chegando, faltando uns seis quarteirões, a chuva avisou que estava chegando também. Até pensei que talvez fosse como outro dia conceder-me novamente a gentileza de se segurar para que desse tempo de eu chegar em casa, mas não. Veio que veio! Desafiou. Disse vem e eu fui!

Não tenho medo de chuva não. Tenho medo de viver semi-morta e encontrar a morte já sem vida.
Santa chuva! Quando cai me sinto viva! Sinto que lava e leva embora o que não presta... e preenche de vida!

Não quero morrer de dor, mas também não quero viver anestesiada. Quero encontrar um equilíbrio, quero ocupar o meu corpo todo, me sentir inteira, e assim... repleta. =)

Como diz a música: “que a chuva caia como uma luva, um delírio, um dilúvio; que a chuva traga alívio imediato... e que os muros e as grades caiam”!



Obrigada chuva por me trazer de volta! Amo sentir o seu vento, a sua potência, o seu envolver e essa mistura única de carinho e força que revigora! Adorei nosso encontro!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tudo é exatamente como deveria ser?

É no que tenho procurado me apegar, cada vez que me vejo, mais uma vez, inconformada.

Na semana passada fui fazer um exame em uma unidade de saúde da prefeitura e saí de lá pensando nisso, em como realmente tudo pode ter sua razão de ser.

Quando cheguei não havia ninguém na recepção e nenhuma placa ou cartaz informando para onde deveríamos ir. Fiquei um tempo aguardando até que fui atrás de outro funcionário e descobri que podíamos ir direto ao local. Fui com outra paciente que também estava tão perdida quanto eu. Encontramos próximo à sala mais duas senhoras e ali nos sentamos e começamos a conversar.

Pouco tempo depois chegou um senhor que me perguntou se eu ia fazer exame de uma forma que me incomodou, sentou para aguardar conosco, mas me senti tão incomodada com a presença que resolvi ir ao banheiro e dali fui para o jardim que era bonito e agradável. Tirei algumas fotos, mas não demorou nada para o segurança aparecer e dizer que não podia nem tirar fotos, nem permanecer no local. Ou seja, fui obrigada a voltar à presença daquele sujeito.

Minha intuição não estava equivocada. A pessoa era extremamente desagradável, falava alto, não ouvia, só se gabava de feitos dele ou de amigos com relação a bandidos que entraram no assunto não recordo como. Não demorou muito para dizer que havia gostado mesmo de quando a polícia invadiu o Carandiru.

Difícil conversar com uma pessoa assim, mas não costumo desistir de cara e tentei um pouco, perguntando se fosse um irmão dele ou ele mesmo, alegando que só está na cadeia quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado e tentando compartilhar a compreensão de que não sabemos o que aquela pessoa passou e, portanto, não deveríamos julgá-la. Disse algumas vezes que não julgava ninguém, mas começou a ficar difícil não julgar aquele ser a minha frente.

Começou a me dar dor de cabeça, sentia a energia pesada do indivíduo e resolvi simplesmente parar de dar atenção. Peguei um papel “meditativo” meu e dei para a única paciente que ainda esperava, também incomodada, uma cartilha sobre violência contra a mulher, para “caso conhecesse alguém que precisasse”, mas mais que tudo, claro, para poder não dar atenção para o sujeito, que ficou extremamente incomodado e logo, felizmente, foi chamado para outro lugar.

Assim que essa moça que era a penúltima entrou, a anterior que saia do exame se sentou comigo e comentei do absurdo que tinha ouvido e do quanto o sujeito me pareceu desagradável.

Foi aí que tudo fez sentido, pois, por conta disso, ela não só concordou comigo, como dividiu sua história: contou que teve um filho viciado, que acabou roubando e indo parar na cadeia por conta do vício, além de ter se contaminado com AIDS. Contou que na cadeia ele virou evangélico, conseguiu parar, e depois teve dois filhos: um que nasceu com o vírus e morreu bebê e outro que nasceu sem o vírus e está com 08 anos. Lamentava que a mãe não a deixasse ficar com o menino, que agora tinha como padrasto um cara nada legal.

Perguntei qual era o sonho dela e respondeu com água nos olhos que era ter o menino, que lembrava muito o filho, ao lado. Sugeri então que fosse procurando se aproximar aos poucos dele, antes que fosse tarde, e que se ele estivesse sofrendo mesmo maus tratos, poderia reclamar no conselho tutelar e até conseguir a guarda. Ela ficou um pouco emocionada e disse que o faria. Entrei na sala mais tranqüila e satisfeita com a conversa.

A doutora era uma figura, com quem conversei muito. Saindo de lá, ia passando por o que parecia uma simples vendinha, mas ao ouvir a música Estrela que ali tocava, senti que me convidava a entrar e aceitei. Descobri então que dentro também havia um café, onde sentei, comi, bebi e fiquei admirando o universo de salgadinhos e doces que vendiam, lembrando do tempo de escola...

Senti que era um dia iluminado, desses que compensam os momentos complicados; senti que tudo era como deveria ser e que fazia parte da magia, encanto e mistério deste mundo! =)

Mundo... hora bonito, hora estilhaçado, mas sempre intrigante e envolvente, sempre pronto para abraçar e ser abraçado!

sábado, 26 de novembro de 2011

Gotas d’água querendo parar Belo Monte

Alguém me perguntou se eu já havia visto o vídeo dos “globais” sobre Belo Monte. Não tinha visto e de cara não me interessou muito, mas devido ao tema que sim me interessa em demasia, assim que me deparei com o tal vídeo o assisti.

A sensação que me tomou foi de profundo agradecimento pela iniciativa de fazerem um trabalho como esse, que juntando pessoas de credibilidade, muita técnica e um modelo que já havia dado certo... comunicava. Mais do que isso, levava às pessoas a indignação que até então parecia de poucos, conquistando também assinaturas contra essa aberração.

Compartilhei no meu facebook, algumas pessoas curtiram e/ou compartilharam a partir dele, mas, para a minha surpresa, houve um comentário criticando o vídeo, dizendo, dentre outras coisas, que era para “convencer quem não pensa”. Pensei bastante antes de responder, esperei passar o mal estar da primeira leitura e escrevi o seguinte:

“Wick, também penso que Belo Monte precisa ser seriamente debatida, mas é difícil envolver as pessoas em mais uma coisa que depende ter tempo, leitura, compreensão, dedicação... já escrevi muitas vezes sobre Belo Monte e a repercussão sempre era muito pequena. A participação social tem um custo que muitas pessoas não estão dispostas a pagar, e que não sei se é justo cobrar, considerando tudo o que já "pagam" trabalhando, se deslocando, estudando sem ter condições, etc. Entendo seu ponto de vista, mas fiquei feliz por finalmente terem feito um material que comunicou um grande número de pessoas (pelo formato copiado que deu certo anteriormente em outra campanha) e certamente pelos atores que ao que parece alguma credibilidade tem. O que realmente me lembra Hitler é essa construção gigantesca, essa megalomania que vai contra toda e qualquer possibilidade de "desenvolvimento sustentável" ao contrário do que pregam. Com as obras começadas, somente uma ação como esta chamaria a atenção com a urgência que o tema requer.

A tréplica, devo admitir que me surpreendeu muito mais, tanto que, apesar de grande, não tive dúvidas de que merecia entrar aqui:

“Ana, obrigado....escrever consome tempo e sei que além das mensagens telegráficas do FB só se arvoram os apaixonados e bem intencionados.

Reconheço sua angústia e comungo da mesma. Entretanto, não tenho uma opinião formada tão clara assim sobre Belo Monte. Estou mais perto desse projeto e problemática do que a grande maioria das pessoas. Há mais de 20 anos que me envolvo com a Amazônia e o seu desenvolvimento, alem de ter tido em família um dos mais exuberantes cientistas amazônicos, meu padrinho e que me deu o nome. Aliás estive ha 2 semanas no norte do MT e sobrevoei um projeto da Odebrechet muito semelhante ao que vai ser Belo Monte, porem em escala menor. O município de Aripuana, no rio de mesmo nome. A tecnologia é a de minimizar o lago, usando turbinas em fio d’agua. Você sabia disso? Se fosse utilizada a tecnologia de Tucurui o lago seria imensamente maior. Em Setembro sobrevoei o Teles Pires, justamente onde será a hidroelétrica de Sete Quedas. Deu dó de ver o que vai sumir. No meu Facebook tem o sobrevôo...veja lá.


É impossível existirmos na Amazônia sem grandes projetos e potencialmente mega-impactantes. Se não houver um desenvolvimento racional da região, a Amazônia vai minguar por processos formiguinha, impostos por atores que vão desde gângsteres imobiliários, até índios inocentes. Todos pegam um pedaço, grande ou pequeno. Os que pegam pequenos pedaços são muitos, e os que pegam grandes também são muitos..... No ano passado as áreas mais desmatadas da Amazônia foram áreas indígenas, segundo algumas fontes. Desmando total em todos os níveis.

A questão fundamental pra mim é a seguinte: implementar projetos de larga escala sem impactos. Temos que vencer esse desafio e digo isso por desespero, pois no fundo a minha única crença para o futuro planetário humano é se tivermos uma população máxima de 5 Bilhões de pessoas no planeta. Nosso limite já passou faz tempo.... Acho mais fácil buscarmos vencer esse desafio tecnológico do que convencer nossa vil raça a parar de se reproduzir. Essa evolução de consciência deve levar no mínimo mais 100 a 200 anos....e provavelmente vai acontecer por liderança de um povo mais branco do que escuro..... e isso será horrível.

Eu não acredito que seja possível criar barreiras para o desenvolvimento irracional, no qual só se acredita no crescimento. Mas acredito em melhorar a condução desse desenvolvimento. Mais do que sermos contra algo que não queremos, temos que ser proativamente a favor de algo correto que queremos. Tem gente falando em parar crescimento e eu acho muito sábio, mas realisticamente isso só vai tirar a atenção das ações que tem possibilidade de dar um passo mais rápido do que o capitalismo selvagem e governança corrupta e inserir um novo programa no capitalismo para sustentabilidade. Eu acho que a chance é melhor.

Comunidades ribeirinhas são palco de muita corrupção política....mas tem uma reação positiva ao correto e ao digno muito mais forte do que você possa imaginar. Desde crianças ate os adultos.... aprendem rápido.

E é por isso que o que mais me deixa em dúvida é a governança. Eu quero acreditar que é possível fazer um projeto como Belo Monte e que não cause os impactos que estão alardeando. Lembre que tivemos Itaipu e Tucuruí como projetos que foram cheios de erros e merda atrás de merda. Mas o fato foi que gerou um aprendizado enorme e esse aprendizado esta disponível para Belo Monte. A sociedade tem que exigir isso. Hoje existem atividades fantásticas ao redor dos dois reservatórios, muitos exemplos de envolvimento comunitário e desenvolvimento sadio.

Não sou derrotista para a sua causa, mas acho impossível que Belo Monte não seja construída. Ela vai ser erguida gostemos ou não.

Eu não gosto da idéia de Belo Monte, assim como você. Preferia que não fosse construída, mas já esta sendo. E pior, depois de Belo Monte ainda vira Sete Quedas, no Rio Teles Pires....que também vai ser construída, também em terras indígenas. Sabe por quê? Por que tem um número muito maior de cidadãos que querem que seja, do que os que não querem, especialmente os cidadãos da região e que ficam olhando pra nós aqui do Sul maravilha tentando impedir o desenvolvimento deles..... para as pessoas da região, eu e você (e os artistas do filme) estamos muito mais pra americanos do que brasileiros.....

A questão indígena é a mais distorcida que você possa imaginar. Os povos indígenas no Brasil foram abandonados há muito tempo. Não vai ser uma causa dessas que vai resolver o problema indígena. Devemos ter muito mais esforço para isso e usar a usina como alavanca para a causa indígena é no mínimo uma vergonha.

SE você pedisse meu voto, eu votaria contra.... mas não por que eu ache errado o projeto, e sim por que a implantação do projeto não terá a governança que eu acredito ser essencial. Esse tipo de processo é muito corrupto e a melhor tecnologia nunca está disponível por uma questão financeira.

Podemos fazer um projeto melhor, reduzir o impacto, melhoria continua, processos de aprendizado e inteligência, plano de contingência, correções de curso, proteção dos recursos naturais e das populações, etc... mas para isso é preciso governança.

Eu sei que o que escrevo soa horrivelmente tecnocrata... mas não é isso. Acredite... tô prestando a atenção nisso faz décadas....e muito me corrói entender o que eu entendo.

Final feliz, só mesmo no filme do David Cameron....

O pior de tudo é o seguinte: os artistas do filme vão na festa de inauguração. Acredite nisso!!! Eles são ignorantes. Espere e você vai ver..... decoraram o texto bem decorado. Eu preferia que fosse você....mas não precisava tirar o sutiã. Aliás, tirar sutiã???? Um horror....fiquei muito decepcionado com o filme e em mim teve um efeito antagônico....de falta de confiança neles, daí a minha referencia à propaganda de Hitler....imagine o que o Karajan teve que fazer pra promover o Nazismo....

Compartilhei porque percebi que a vista do ponto dele é privilegiada sem por isso ser melhor, além de ter uma sensibilidade e sinceridade impares. Os grifos são meus, e não pretendo comentá-los, para mim, por hora, são para atenção ou reflexão.



Copio abaixo apenas parte da minha resposta e adianto que a volta foi o convite para um seminário que quero muito ir! “ECONOMIA VERDE NA AMAZÔNIA: DESAFIOS NA VALORIZAÇÃO DA FLORESTA EM PÉ – coloco os detalhes em comentário ao post para não bater recorde de comprimento! :)

"...acho que o que vejo sobre está bem resumido no post que segue, talvez resumido demais... mas basicamente o que penso é que poderíamos investir em um programa de capilarização da energia, que podemos fazer um estudo e ir implantando pequenos geradores de energia, resolvendo localmente o problema de acordo com a potencialidade da região... o que não consigo acreditar que fique mais caro no conjunto que essas construções monstruosas. Mas é algo que precisa ser melhor pensado e estudado, claro. ;)"

Para que esse monte de manifestações

Ah, sim! Vale lembrar que devido ao vídeo do Movimento Gota D’água chegamos neste momento a 1.101.099 (um milhão, cento e um mil e noventa e nove) assinaturas contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte!