terça-feira, 24 de novembro de 2015

Parto humanizado/a - amar e realizar


Humanizar. Esse talvez seja o maior desafio da humanidade na atualidade.

E foi justamente na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania que fui parar este ano! Além de fazer muito sentido para mim, com o privilégio de ter Eduardo Suplicy como Secretário, o privilégio foi dobrado de poder trabalhar ao lado do meu ex-vizinho, Claudinho Silva, atual Coordenador de Políticas para Juventude de São Paulo.

Claudinho é negro, morador da favela, enfrentou duras realidades desde muito cedo, tem um coração de touro, aprendeu, lutou, abriu portas, e hoje, sou eu que aprendo com ele – e não só tenho orgulho disso, como o admiro mais. Tivemos em comum, além do bairro, a base da Associação Comunitária Monte Azul, que desenvolve um trabalho riquíssimo há mais de 25 anos ali. O que vivenciamos com ela, entre tantas e tantos profissionais incríveis, certamente nos compõem e permanecerá conosco até o fim!

No Monte Azul, também tínhamos a Associação Trópis iniciativas sócio-culturais, da qual fui “membro-fundador”, a qual posso dizer que foi minha estrutura-basilar. Nela lutávamos contra o desperdício de talentos – e ser ONG há 16 anos, era muita luta! Era pequenina ao lado da Monte Azul, mas nos potencializava! Entre os que dela faziam parte, Gil Marçal e eu entramos na Prefeitura de São Paulo e ficamos. Ele dois anos antes que eu, na Secretaria de Cultura e eu passando por algumas (Gestão, Câmara, Subprefeituras, Saúde e Serviços) no decorrer de 10 anos.

A diferença: passei num concurso de nível médio na gestão Serra-Kassab e fui efetivada. De lá para cá, foram inúmeras as vezes que concluí que deveria sair da Prefeitura, mas algo me prendia. Entendo agora que quando trabalhamos na oposição, qualquer pequena realização parece uma vitória, já quando somos situação, todas as muitas ações que desejaríamos fazer, vão se colecionando com leve sabor de frustração. Daí a frequência da minha conclusão ter aumentado talvez – somada ao fator financeiro sequelado pelos 0,01% de reajuste anual sobre um valor já irrisório e ao tempo que fiquei sem cargo "de castigo" na Saúde, durante as gest Kassab.

Mas quando a gente ama, não desiste.

Amo o potencial transformador das nossas ações, no caso, das políticas públicas. Além disso, estar na Prefeitura de São Paulo significa estar na vitrine da Administração Pública, pois o que é feito aqui pode ser visto pelos mais de 5 mil municípios deste país, ou seja, pode ter um impacto positivo indireto incalculável!

Tenho visto (aliviada!) muitas coisas boas sendo feitas pela gestão Haddad, e entre tantas, escolhi destacar esta que foi uma junção especial de forças boas, no campo macro: 02 instituições que são parte indissociável da minha trajetória se encontraram para firmar parceria fortalecendo algo mágico e lindo. A Prefeitura de São Paulo inseriu no SUS o centro de parto humanizado da Associação Monte Azul, a Casa Angêla.

Um lugar que garanta que nossas crianças sejam recebidas com amor, desde antes, mas pricipalmente durante a chegada, com o devido cuidado, é coisa rara. E que um gestor, ou melhor, três (Haddad, Padilha e Claudinho), entendam a relevância desse cuidado e atuem para torná-lo possível a mais gente, é digno de puro reconhecimento-gratidão-admiração! E não houve quem não se emocionasse!

O parto humanizado vai contra o automatismo que se instaurou com a obseção pela velocidade. O ser humano hoje entra quase que numa produção em linha, às vezes até com hora marcada para nascer, como se fosse coisa, como se os processos naturais não tivessem sua real importância (de maturação, de experienciação). No entanto, depois, não se deixará de questionar a falta de humanidade. Não é óbvio que há algo muito equivocado?

É curioso perceber o quanto o tempo virou um tormento, a necessidade de fazer mais com menos nos tornou pessoas dissociadas do tempo natural. Tenho várias frustrações que vem disso (porque sempre quero colocar mais do que cabe!), não obstante, fui trabalhar justo onde sentimos que tudo demora mais, mas não é só porque o Estado é lento, mas também porque as coisas têm seu tempo, da constatação de um problema à solução dele há todo um trajeto.

E de umas semanas pra cá, vendo os resultados do que talvez há dois ou três anos foi desejado, entendo melhor isso e posso dizer que me sinto FELIZ com nossa gestão! Ainda pretendo sair da PMSP um dia, mas fico mesmo feliz e agradecida de fazer parte dela hoje! =)

Sim, não são só flores, os desafios são constantes, mas vamos aprendendo com eles. Aliás, houve momentos no ano que estive a ponto de pedir exoneração, no último me apeguei à oração de São Francisco – e foi justamente ela que cantamos, numa energia magnífica, de mãos dadas, Prefeitura e Monte Azul juntas! 

Sei que muita gente me vê como idealista e sonhadora, às vezes parece sonho mesmo, mas o que vejo é que é possível. A questão é que gosto de amar e realizar. E as ações não só acontecem, elas nos trasnformam e fazem desejar continuar. São como filhos! É fácil não, mas sempre se chega a alguma satisfação.

***

...E já quase findado este ano-duro, me chega hoje um novo desafio intersecretarial, que não fui capaz de recusar! Amo as pessoas e o que faço (trabalhar no Plano Juventude Viva), assim como o espaço na sua magnitude, no sentido de cada "caixinha" de luta que compõem a SMDHC, mas, se tudo der certo, em breve chego ao lugar que talvez seja mesmo o meu destino neste intenso trajeto.

Parto com o coração partido, de verdade, com imenssíssima gratidão às pessoas que ali me acolheram, mas ao menos, aprendi um pouco mais e é certo: parto mais humanizada ainda! :´)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Toda forma de amor vale a pena - Crowdfunding

Car@ amig@, o Espaço Cultural Taberna do Soberbo e eu precisamos de você!

Levantar R$ 22 mil para pagar as pessoas que contribuíram com este sonho é o meu desafio no momento e o convido a participar deste crowdfunding com Doação de apenas R$ 22,00​ (ou mais, se possível - no link você pode pagar com cartão de crédito e parcelar o valor que lhe convir, mas se preferir, pode fazer transferência para os Bancos do Brasil e Itaú), na esperança de poder me recuperar dessa paixão sem prejudicar ninguém.



Tudo isso porque inventei de fazer um Espaço Cultural em Teresópolis - e foi uma experiência única! Foi lindo o que fizemos, mas só aconteceu porque pude contar com todo um time e, assim como independente do resultado os jogadores da Seleção Brasileira recebem, penso que os meus também PRECISAM RECEBER. O momento é mais que difícil, mas solucionável, se puder contar com a ajuda dos amigos.

Agradeço muito se puder, pois o apoio de todos é indispensável neste momento!

Também vou disponibilizar meu currículo, pois precisarei novas fontes de renda o quanto antes. Lembrando que dou aula de espanhol, faço tradução e revisão, amo falar sobre Meio Ambiente, Administração Pública, Sociologia e Política e adoro fazer massagem - o que, modéstia a parte, faço muito bem! :) Precisando, é só chamar!!!
Ah, mas gosto mesmo é de inventar... e me engajar! E como (até demais)! rs... 
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Respondo algumas questões básicas a seguir, mas se houver outras, pergunte, por favor!

- O que é um crowdfunding?
É uma solução moderna para o crônico problema da dependência de patrocínio para o investimento em projetos culturais ou sociais, um site específico onde se pode entender melhor é o Catarse, mas há outros, como o Kickante (pelo qual não optamos devido às taxas de serviço). 

- O que ganho com isso?
Nesse tipo de arrecadação muitas vezes há contrapartidas com brindes e materiais de acordo com o valor pago e gostaríamos de oferecer ingressos para a próxima temporada da Taberna do Soberbo, no entanto, como não é certo que acontecerá, não podemos nos comprometer. Mas havendo, a lista de colaboradores certamente será tida em conta, podem cobrar!
De qualquer forma, quando investimos em arte e produção cultural, ganhamos todos, sem sobra de dúvida! ;)

- Como posso saber mais?
O Espaço Cultural Taberna do Soberbo nasceu da possibilidade de se aproveitar o movimento gerado pela Copa do Mundo em Teresópolis, cidade sede da CBF, para unir o calor e aconchego humanos às belezas da natureza e artes. Não conseguimos patrocínio e decidi fazer nada raça, na fé. Não tive o retorno financeiro desejado, mas fiz questão de ir até o fim, com 45 DIAS DE PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA, pois fortalecíamos uma movimentação cultural nova na cidade e geramos uma sequencia de preciosos encontros - que se superavam em qualidade e demasiada satisfação!

Você encontra um relato pessoal meu em: Taberna do Soberbo
E pelos vídeos também pode entender melhor a proposta:



e sua essência:



- Para onde vai meu dinheiro?
Seu dinheiro será destinado exclusivamente para o pagamento de pessoas físicas que trabalharam ou emprestaram recursos para o funcionamento do espaço cultural.

Preciso de R$ 4.099 até o final de agosto, para manter os acordos já feitos e ainda tenho R$ 7.320 pendentes sem acordo, além de R$ 10.601 parcelados em mais 4 vezes de R$ 2.613 (um pouco mais em dezembro).

No total são R$ 22.020 até o final do ano.

Não estão inclusos gastos pessoais e parcelas dos empréstimos. As pessoas que emprestaram receberão uma pequena parte agora e o restante no ano que vem.

- Como posso doar?
Por meio do botão “doar” aqui ou ao final da página do nosso site: http://tabernadosoberbo.com.br



Também pode ser por meio de transferência para Bancos do Brasil (ag 0018-3 c/c 74493-x) ou Itaú (ag 0057 c/c 77120-6), ou ainda, pessoalmente, marcando um café, almoço ou cerveja - certamente será um momento bom, especial e até produtivo! ;)

- De que outras formas posso colaborar?
Escrevendo um depoimento sobre sua experiência no espaço ou comigo e compartilhando ou enviando junto com este a seus contatos, fazendo a ponte com apoiadores em potencial, disponibilizando serviços, indicando trabalhos e até mesmo mandando energia positiva! :) :) :)




Agradecemos mais uma vez – IMENSAMENTE!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Taberna do Soberbo

É uma pequena grande história de como... me apaixonei.​

Foi num dia desses que se chega em casa ansioso para não fazer nada. Tanto que, não costumo fazer isso, mas liguei a TV. Não por acaso, ou por um acaso muito certo, uma propaganda me chamou a atenção, pois nela aparecia uma imagem (deslumbrante!) que me é muito familiar: o Dedo de Deus.




Cresci olhando para aquele monumento em toda sua grandeza. Montanha-pedra-esculpida que sempre tive como um grande pai. Era ali, naquele lugar, na casa da minha mãe, para onde as luzes de todo o mundo iam se voltar. Era esse o momento. De repente resgatei lá do fundo do baú um sonho de infância: ver aquele bar funcionando, cheio, com música ao vivo, com tudo que um espaço com uma das vistas mais bonitas do mundo pode imaginar e merecer ter.

Não queria me empolgar em vão e fui à internet conferir: de fato a Concentração Brasileira de Futebol acabava de ser reinaugurada ali no bairro vizinho, na Granja Comary. A cidade esperava 30 mil turistas. Ninguém seria capaz de conter minha empolgação. Faria um espaço cultural, sem igual! E era ao mesmo tempo a oportunidade de fazer algo lindo e a chance de pagar todas as pessoas a quem estava devendo. :)

​E assim nasceu o projeto e a proposta do Empreendimento Vista Soberba​!


Tudo na ideia me fascinava. Falei com minha mãe e ela autorizou. Chamei dois produtores que me pareciam essenciais para o projeto e começamos a tocar. Mas...
tínhamos só 45 dias de pré-produção e, ​no mundo das ideias,​tudo é mais fácil, tudo parece simples e viável. Na vida real, nada, absolutamente nada foi fácil. Mas não desistimos. No dia da inauguração boa parte chegou faltando algumas horas para abrir, tudo bem mais improvisado do que gostaria, mas ok. Funcionou. Era aquilo. E toda vez que a banda tocava, nesses 45 dias, todo o resto que não estava perfeito, eram só detalhes.


Assim como a maioria das pessoas que frequentavam o Espaço Cultural Taberna do Soberbo, eu também tinha me apaixonado por aquilo tudo: o encontro da beleza do lugar com a qualidade artística, com o atendimento diferenciado, o público, a energia revigorante que nos aquecia... era mesmo muito perfeito.

Sim, sempre há detalhes que nos atormentam, uns mais outros menos, como a máquina de cartão de crédito que funcionou 3 vezes e nunca mais. Mas o mais complicado foi o fato de não ter me apaixonado só pelo projeto, mas também pelas pessoas que trabalharam nele. Era​m​ mu​itos​, e efetivamente, não podia ter todos, pois o dinheiro que entrava era suficiente para nos manter, não para nos pagar. No entanto, também não era capaz de escolher quem deveria sair, poderia escrever sobre cada um e certamente vocês me entenderiam, mas daria um livro, por isso digo só que cada um era parte muito especial do todo.

Posso elencar ainda 4 pontos que colaboraram para que perdêssemos esse jogo:
​1. Funcionar 45 dias seguidos não nos dava o tempo necessário de parar, reavaliar e mudar estratégias, além de dias fortes terem que cobrir os custos fixos dos dias fracos;
​2​. A cultura financeira da cidade é peculiar, não podíamos cobrar nem de longe o que se cobraria em São Paulo ou mesmo no Rio de Janeiro;
​3. Não conseguimos alcançar o turista, apenas o pessoal da cidade;
4. ​Um dos produtores teve que voltar pra São Paulo e ficamos “sem capitão”.

Como não conseguimos atingir o turista em uma cidade turística? Pois é... como disse o jogador entrevistado depois da goleada que o Brasil tomou da Alemanha:

“é complicado explicar o inexplicável”

Até poderia, mas acho que não vem ao caso. Aprendi muito, muito mesmo. E amo o que fizemos. Não me arrependo. Mas não podia ter me jogado sem patrocínio. Escrevi o projeto, mas foi muito em cima, não deu tempo... Certo é que não volto a me aventurar sem recursos reais.

A questão agora é: como pagar todas as pessoas que trabalharam nesse sonho?

Usei todo o crédito que podia ter nos bancos para investir, o pouco que consegui depois disso deu para pagar parte de parte do pessoal.

Estou retomando minha vida em Sampa, onde ainda tenho meus trabalhos, estou disposta a fazer sacrifícios para arcar com os custos que o investimento me gerou, mas mesmo assim, não é suficiente. Preciso pagar essas pessoas. Por isso estou escrevendo aos amigos, num pedido de socorro mesmo.

Investimos em cultura, em algo de qualidade, e foi lindo. Tínhamos artistas incríveis, e ainda encontramos em Teresópolis mais deles, tão bons quanto, sensacionais! Foi realmente mágico. A cidade ficou encantada, engrandecida, agradecida. Pediam que ficássemos... nos enamoramos.

E acredito que fazendo isso, fazemos um bem à humanidade, pois a Arte, segundo Sartre, tem a função de aliviar a dor. E vai além, nos eleva, nos religa a nós mesmos e a algo maior que é a própria arte do universo, onde doar e receber se fundem e se tornam exatamente o mesmo movimento.

Ah, 
não é delírio meu não. Podem verificar!​
Temos página no facebook: ​ espaço taberna do soberbo​
Temos site: tabernadosoberbo.com.br
E até uma propaganda linda: ​


 ​

Amigos,
sempre me orgulhei de ​me virar só, de​ ​não depender de ninguém, mas neste momento, estou aprendendo a ser humilde e pedir ajuda. Preciso de 20 mil reais para pagar as pessoas (com bancos eu me viro), portanto,
qualquer pequena ou grande quantia será essencial e muito bem vinda.


Agradeço imensamente o socorro a este coração que se apaixona e quer sempre fazer mais!

Os dados bancários para depósito/transferência são: 
BB ag. 0018-3 c/c 74493-X ou Itaú ag. 0057 c/c 77120-6
Em caso de cartão de crédito é possível fazer ​a doação ​pelo PayPall:


Beijos e abraços
ainda 
cheios
de luz!!!

​ :)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Não parece, mas é primavera!

Hoje fui para o psicólogo, olhando o celular, na esperança de chegar uma mensagem de cancelamento – coisa mais rara, mas não impossível. Estava tão cansada, esgotada, sem energia, e me sentindo em um pico de tensão e ansiedade, que não queria ter que me locomover para nada.

Estava triste porque, apesar de ter conseguido tudo o que queria, sinto que o corpo não está dando conta – e com essa... eu não contava! Tensa porque o boleto do novo aluguel vai chegar e não sei se até o vencimento consigo levantar a grana. Se tudo der certo sim, mas minha fé anda meio desorientada...

Claro que a tensão vem de muitos lados: da minha primeira tradução de livro que queria já ter terminado e entregado, das atividades a corrigir acumuladas, das pequenas múltiplas coisas da vida pessoal a resolver, do material da próxima disciplina que em poucos dias inicio. E da organização da casa nova, que sempre fica para depois!

Mas não há nada como conversar com um profissional! Amo meu psicólogo por isso, porque saio mais tranquila e recobro os sentidos e razão. E a primeiríssima providência é cuidar da minha alimentação para que só ficar de pé não consuma todas as minhas energias! E as outras coisas... ah, as outras eu tiro de letra, assim que melhorar!

E para isso me tirar um pouco o peso da minha auto-cobrança constante ajuda muito!

E ajuda mais ainda, claro, estar em um trabalho que gosto, com pessoas que gosto, trabalhando na minha área, estando abaixo de gente que confio. Somando isso a finalmente estar morando no centro, em um AP perfeito pra mim, em um prédio lindo, com um zelador incrível, com vizinhos bacanas, com localização perfeita...

Confesso que é tanta mudança que, às vezes, me sinto estranha; é que não parece que é minha vida, sabe?

Ainda não deu tempo de parar para assimilar. E também... antes parecia que se coseguisse voltar para o centro e voltar para um trabalho que gostasse, tudo estaria resolvido, e não está. Pelo visto, porque, como diz meu psicólogo: não é o final, é o começo.


E ainda que o dia esteja cinza e chuvoso... É primavera!!! =)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Jantando com o inimigo

Com frequência quero que as coisas saiam no meu tempo, o quanto antes. Com frequência, no entanto, percebo que tenho que aprender a esperar... afinal de contas, todo mundo tem os seus problemas, assim como eu.

Eu mesma, ainda estou no processo de desapego, numa etapa mais avançada, mas, ainda! Entendi que de fato não preciso de tantos móveis, assim como não preciso de tanta roupa, tantos sapatos, tantos papéis, etc, etc, - e coloca etcetera nisso!

Semana que vem, portanto, farei uma festa para vender para os amigos tudo o que lhes interessar, na seguinte, tudo o que sobrar vai para anuncios na internet.

Minha mãe diz que não é a gente que tem as coisas, são as coisas que nos tem – e é verdade, a gente está sempre trabalhando em função de manter tudo o que tem (seja pagando aluguel, pagando diarista ou perdendo os dias de descanso fazendo faxina), ou então, comprando ainda mais coisas!

Discordo dessa lógica capitalista e já passava da hora de passar da teoria à prática e levantar a bandeira da economia solidária (comprando de pequenos produtores e trocando ou vendendo entre amigos): assim a gente se ajuda mais e destrói menos!

E digo mais: não são só nossos bens que tem valor. Tem valor ainda maior nossa imagem, nossas ideias, conhecimento, contatos... Por isso decidi juntar isso com a expertise de alguns amigos para produzir um material gráfico. Mas esse é surpresa!

Todo problema carrega em si uma semente de oportunidade e transformação. Acredito mesmo nisso. E percebo que as adversidades têm me exigido mais, me obrigando a desenvolver o potencial guardado para depois. Queria tantas não, mas fazer o que? As que chegarem vão virar sopa para a janta!

Levantar a grana já não é mais o maior problema. Agora é organização e foco, para dar conta de tanto invento ao mesmo tempo – sem enlouquecer os amigos! rs... 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Saga de Viver em Sampa

Querido Muro das Lamentações,

Continuo sem saber onde vou morar no próximo mês. Encontrei um apartamento de 2 quartos que gostei e que aceita depósito! 3 meses de aluguél são R$ 4.500, não sei bem de onde tirar esse dinheiro, mas se vender todos os móveis posso conseguir um valor aproximado. Só não sei se consigo segurar o AP enquanto levanto o dinheiro.

Por via das dúvidas, hoje vi outros lugares e encontrei um incrível, com dois quartos e sala grande, como queria para poder fazer as aulas e bailes de tango, a cozinha é espaçosa e a área de serviço é como uma varanda, imensa! Dá para colocar uma mesa até! No total, fica apensa R$ 100 a mais que o outro, mas neste o depósito inclui o condomínio e IPTU, o que significa que teria que levantar R$ 5.700! Fiquei tão feliz na hora, mas depois fui caindo na real... e a tristeza se apossou do meu corpo.

É verdade que quando passei no vestibular também fiquei triste, e no final das contas, consegui pagar os quatro anos em dia. Mas naquela época, o salário da Prefeitura não estava tão defasado. Hoje mesmo com o reajuste de 40% consedido pelo atual prefeito, é dureza!

O aluguel sei que consigo pagar. O que não me falta é trabalho, disso não reclamo - mesmo! Mas essa garantia... fiador de São Paulo, Seguro Fiança ou 3 meses de depósito. Não sei dizer o que é mais difícil! Se ao menos não tivesse usado meu crédito para limpar o nome da pessoa que ia morar comigo, estava fácil. E quando é que é fácil, né?

Parece um beco sem saída! Sei que vou achar um jeito de pular esse muro, mas em meio a tudo isso, já não encontro minhas forças...

Estou tão, literalmente, cansada! Mas não posso me entregar à cama ainda. Preciso tirar foto dos móveis para anunciá-los o quanto antes.... e acender uma vela! Quem sabe assim um milagre me encontra?

terça-feira, 4 de junho de 2013

Carta Aberta a Deus - questões da habitação

Querido Deus, como vai?

Resolvi te escrever porque não me conformo com as dificuldades que estou enfrentando no momento e que boa parte dos paulistanos passa, nas quais talvez seu mandato possa interceder de alguma forma.

Tive alguns problemas no decorrer do ano com as medicações e algumas frustrações da vida, mas estou confiante de que finalmente encontrei o remédio certo e não vejo a hora de voltar a trabalhar! Mas antes, porém, quero muito mudar de casa - por vários motivos. O principal deles: o barulho das obras.

ð     É toda forma de barulho, muitas vezes antes das 7h da manhã, causado pela obra do prédio que estão construindo aqui - e seus caminhões que chegam de madrugada para descarregar (porque foram proibidos de circular de dia). Agora, já subiram um muro em frente à varanda e o barulho de lá incomoda menos, mas não posso dizer o mesmo da reforma que iniciaram no apartamento de cima, cuja bateção começa pontualmente às 7h da manhã.

ð     Solução? A Soninha, quando vereadora, conseguiu aprovar uma lei que passava o horário limite de silêncio de 7h para 8h da manhã, no entanto, na época, claro, os empreiteiros alegaram qualquer coisa e o Kassab, então prefeito, vetou. Mas agora, com a maioria na Câmara, o veto poderia ser derrubado, não? Não resolve tudo, mas ajudaria consideravelmente.

Já para me mudar... a parte mais difícil deixou de ser encontrar a casa ideal a um preço pagável, por incrível que pareça. Até ontem tinha conseguido alugar lugares que aceitavam minha mãe (que tem casa em Teresópolis) como fiadora, mas agora, está quase impossível achar alguém que aceite fiador que não seja da capital, pois há algo (suponho) mais intere$$ante a eles: o Seguro Fiança da Porto Seguro.

Um dia a gente acaba se rendendo às exigências do mercado, fazer o quê? Juntamos para isso todos os documentos meus e do meu pai (que agora é funcionário do Governo do ES), mas não consideraram que era suficiente e perdemos a casa.

Encontrei outra casa, menor, mas toda charmosa (na Bela Vista também – quase tão improvável quanto dois raios caírem no mesmo lugar). Desta vez, incluí os dados da minha mãe (e as 3 declarações de IR), mas ainda assim, RECUSARAM! E estou mais uma vez perdendo outra casa e quase perdendo a cabeça também, pois não sei mais o que fazer!

Pela primeira vez na vida meus pais tem condição financeira de me ajudar de alguma forma, mas a seguradora conclui, sabe-se lá com qual critério, que não. Submeter-se a avaliação deles é tão humilhante, tão indigno! Podia imaginar todo tipo de cálculo maluco, menos que recusassem mesmo que comprovássemos que temos como pagar.

Certamente há problemas muito maiores que esse na vida, especialmente na Habitação da nossa cidade, não tenho a menor dúvida. Mas é um drama real - e que toda a faixa daqueles que “não ganham tão pouco para ter direito a um benefício social e nem tanto para poder juntar os 20% de entrada numa casa” passa. Por isso te escrevo.

Não sei qual a solução, mas tenho certeza que sua assessoria tem condição de propor algo razoável. Sei que a outra possibilidade é fazer um Cartão Aluguel da Caixa, que acaba saindo mais ou menos metade do preço, mas que as imobiliárias, no geral, não aceitam.

Hoje um amigo me disse que posso “comprar um fiador” (!!!). Só preciso pagar para eles o valor de um aluguel e mais R$ 100 pelos documentos. O mercado se ajeita. Mais em conta e mais prático, mas claro que não muito legal (em ambos os sentidos). Titubeei, e era tarde. A corretora informou que daria prosseguimento a documentação do segundo interessado.

Estou pensando em vender tudo e ir morar na Zona Sul, mas isso significa desistir da prefeitura definitivamente, pois a única forma que encontro de continuar na PMSP, é morando perto para poder conciliar com outros trabalhos. Sem isso, sem chance.

Enfim, peço desculpas pelo desabafo, mas considerei pertinente. Sempre tento achar algo positivo nas coisas que me acontecem (e principalmente nas que não acontecem). Não estava achando, passei o dia inteiro me lamentando, até que me deu o click: não posso fazer nada, mas posso comunicar a quem pode. =)

Esses dias fui ao aniversário de 80 anos da minha faculdade e vi uma pichação que dizia “o urbanista de SP é o capital”. É só olhar para o lado e constatar: o prédio novo da FESP quase cobre o Casarão, e ao lado, claro, mais um terreno que virou estacionamento. E aquela proposta de IPTU progressivo... será retomada?

Bom, já escrevi demais. É muita coisa. Espero que o relato possa ser útil de alguma forma. Precisando, estou por aqui.