meu velho blog... ficou registrado muito do que fui e muito do que sou, um tanto não escrevi, outro tanto se perdeu, mas o que fica é o essencial. - e nele se mantem a vontade de compartilhar o que a gente vai aprendendo no caminhar com as estrelas e veredas...
terça-feira, 4 de junho de 2013
Carta Aberta a Deus - questões da habitação
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Virada por baixo e por cima
Engraçado pensar que podia ter passado no concurso da Nossa Caixa, não tivesse mudado a resposta de uma questão que não tinha dúvida. Mas isso poderia ter me afastado de conhecer formas de resolver problemas que me atormentaram - infinitamente maiores.
E foi justamente na Prefeitura de São Paulo que o destino me fez chegar. A sorte foi não me largar por lá sem antes iluminar a saída. Foi assim, também de repente, que fui parar na Escola de Sociologia e Política, onde descobri que existia um curso para o que sempre quis fazer: resolver os problemas das cidades / sociedades.
Fácil não, mas como não sei largar o osso, também prazeroso. É que, quando se me apresenta um problema, meu cérebro fica feito um programa de desvendar senhas: vai testando todas as combinações possíveis, até encontrar a certa!
E é assim, meio que no automático, que vivo inventando políticas públicas, das mais variadas! Assim como também as avalio, tirando o chapéu para umas, como o Programa Vai, e tendo vontade de jogar no lixo outras, como a recente mudança no tempo dos semáforos de SP que pode ter resultado exatamente o contrário do que pretende!
Mas tudo isso era só para dizer que... que não acho uma solução para a Virada Cultural de São Paulo.
Há poucas sensações tão boas quanto a de ver o centro da cidade transformado em uma espécie de parque, e ainda por cima, com muita, muita arte! - e com gente se reencantando, cantando, dançando, descansando nos gramados...
Já vivi momentos inesquecíveis nas viradas desta cidade! No entanto, de uns anos para cá, há muitos espaços em que a virada do sábado para o domingo é de dar desgosto: além de ser muita, muita gente, são tantas pessoas bêbada, trêbadas, tanta fumaça de cigarro, cheiro de bebida, gente derrubada pelos cantos... que se tornou para os menos insensíveis algo realmente deprimente, quando não, assustador!
Nesta de 2013, pelos dados divulgados, foram em torno de 4 milhões de pessoas. Recorde de público, e também de problemas: 12 arrastões, 2 mortes e 1 senador (especialmente especial!) furtado. Não gosto do método "prático" (da direita em geral) de querer acabar com o problema acabando com tudo. Não mesmo.
Mas, por outro lado, se não houver uma avaliação e remodelação da Virada, a tendência é só piorar, tendo o índice de incidentes aumentado. Qual a solução? Gostaria de ter ao menos uma boa sugestão, mas ainda não a encontrei - e neste caso, acho que vou precisar pedir "a ajuda dos universitários".
De qualquer forma, quero aqui dividir o que vi e vivi hoje: fui com minha mãe e um amigo para o show do Renato Braz, no Pateo do Colégio (com o charme dos detalhes de todas as construções antigas ali em volta), já era noite, a lua brincava de se esconder entre os véus de núvens, a música era extremamente agradável, assim como o ambiente e as pessoas.
Mas me senti realmente presenteada, grata e perfeitamente contemplada por um momento: quando cantaram a música que segue, da qual sabia apenas o refrão, e ouvindo-a toda, percebi o quanto retrata exatamente este momento de vida: de reconhecer e não se culpar, mas sim, dar a volta por cima!
Chorei / não procurei esconder
Todos viram / fingiram
Pena de mim / não precisava
Ali onde eu chorei / qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei / quero ver quem dava
Um homem de moral / não fica no chão
Nem quer que mulher / lhe venha dar a mão
Reconhece a queda / e não desanima
Levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima!
domingo, 28 de abril de 2013
depressão nas estrelas
Moro em uma megalópole e, entre as estrelas que aqui vivem, ocorre algo previsível e preocupante.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Do cansaço que a preguiça me dá
não adianta. meus olhos estão tão vermelhos.
sábado, 21 de abril de 2012
Síndrome de Pequena Sereia
Debaixo d'água (Arnaldo Antunes)
"Debaixo d'água tudo era mais bonitoMais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo
d'água se formando como um fetoSereno, confortável, amado, completo
Sem chão, sem teto, sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Sem lamento e sem saber o quanto
Esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo
d'água ficaria para sempre, ficaria contenteLonge de toda gente, para sempre no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Aliviado, sem perdão e sem pecado
Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo
d'água tudo era mais bonitoMais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia”
domingo, 25 de março de 2012
¡Buenos Aires! – parte I
Conhecer Buenos Aires nunca tinha sido um sonho, era fogo de palha porque meus professores de tango estavam indo e estava muito barato. No entanto, como fui deixando pra decidir depois, já sabia que em cima da hora não rolaria.
Mas a questão é que tinha que acontecer. E faltando poucos dias surgiu uma super promoção: dividindo no cartão, se tornava viável e, como não tinha tempo pra pensar... em 15 minutos minha passagem estava comprada!
Meus professores estariam em um hostel (albergue), mas como a fresca aqui não queria ter que dividir banheiro, decidi que deixaria a bagagem com eles e procuraria um hotel próximo. Mas já sabem, né? Nada na minha vida é sem emoção!
O endereço deles era tão fácil que nem anotei e... sim, não os encontrava e comecei a duvidar da minha memória. Fiz amizade com o taxista (Rudolfito) que foi muito gente boa comigo, só que uma hora disse que teria que me deixar para buscar a esposa. Por sorte a mala era pequena e tinha rodinhas e, poxa, tinha que ser por ali!
Fiquei rodando horas, aproveitava para procurar também o “meu lugar”, mas o banheiro sempre era compartilhado e eu nunca gostava muito do quarto.
Em um deles, o “Entre Libros” a moça foi super amável e procurou o endereço dos meus amigos: minha memória não estava errada! Ela explicou como chegar e resolvi voltar ao lugar outra vez. Mas, não sei por que, apesar de ser tão simples e estar tão perto, sempre me perdia!
Quase decidi ficar só aquela noite em um hotel todo luxuoso, só pra poder largar a bagagem, correr para avisar que estava bem e voltar para descansar. Mas entre procurar o hotel caro e o hostel, depois de descansar um pouco (perto da Mafalda!), resolvi procurar um pouco mais o danado do escondido e finalmente os encontrei!
A porta do Hostel Chipre era pequena e ficava ao lado de outro muito grande que chamava muito mais atenção, por isso quando fui a primeira vez não o vi. Entrei e até havia um quanto com banheiro, mas gostei mais da parte térrea que tinha uns espaços de convívio com mesas e plantas bem na frente dos quartos. Ali também estaria ao lado do quarto do Julio e da Adriana, além de ser mais barato. Tinha lá suas falhas, mas gostei muito do lugar!
Estava extremamente cansada e com muito sono, não tinha dormido praticamente nada na viagem! Nossos visinhos de quarto que eram de Mérida iam com a gente e de cara gostei muito deles. Eram familiares, receptivos, agradáveis... não tive escapatória! Afinal, estava em Buenos Aires! Fui para a primeira de muitas milongas...
...mas conto como foi/foram depois, prometo! ;)
quarta-feira, 21 de março de 2012
Usando drogas sim.

Estou ensaiando faz tempo para contar isso aqui. Não me orgulho não, mas estou usando drogas sim. E sem querer parecer clichê mas, de fato, a fase mais difícil é reconhecer que o problema existe e precisa ser encarado.
Lembro que um tempo depois que comecei a trabalhar na UBS, sabendo que boa parte dos funcionários tomava anti-depressivos, falei para o meu amigo com a boca cheia, alto e em bom som: “Eu NUNCA vou me drogar como vocês!”...
Mas a gente paga a língua! Algumas das pessoas que me acompanhavam mais de perto, conviviam e conheciam melhor, começaram a sugerir que eu procurasse um tratamento psiquiátrico. Mas eu me recusava plenamente, só aceitei tomar algo natural, e comecei com o Ginsen Brasileiro.
Sempre fui contra esse uso excessivo de remédios controlados.

Mas... depois de passar alguns meses em um trabalho que só me sugava e esgotava, ter alguns fortes problemas na família, e ter meu pedido de transferência ou liberação para exercício de cargo em outra Secretaria negado... quando chegaram as férias (com as quais não consegui descansar nada), fiquei sem meus apoios extras (psicanálise, terapias integradas, centro cardesista...) e não guentei segurar o rojão.
Sentia tontura, falta de ar, enjôos do nada. O coração batia de um jeito que chegava incomodava. Revoltava e chorava rios pelo menos duas vezes por semana, e se antes sentia que saía das deprês mais forte, agora eu já mal saía... "ficava na porta" até mesmo porque sabia que logo voltaria tudo de novo.
Sentia tudo, mas supostamente não tinha nada. A médica (que amo!) pediu uma bateria de exames (me tiraram 14 tubos de sangue!), mas na ocasião já disse com todas as letras que achava que eu precisava de remédios psiquiátricos sim.
Não sei se tomar remédios é a melhor solução. Na verdade, acho que não. Acho que poderia me curar perfeitamente se não tivesse que ir para um trabalho que me fazia mal e tivesse tempo de cuidar de mim e da minha saúde devidamente por um tempo. Mas, enquanto isso... quem segura as pontas?
No lugar de parar para nos recuperarmos, tomamos as “mágicas” drogas da medicina para trabalhar sem parar. E assim o capitalismo vai se mantendo, mais e mais. Não queria fazer parte disso, queria mesmo achar a força interna que tinha antes, mas me escapa. : /
É muito estranho tomar essas coisas... tem que tomar um para se sentir disposto e outro para poder acalmar ou dormir. São muitos dias perdidos na adaptação (e isso me irrita!). Fora a piração interna que dá na perguntação constante do que esses remédios estão fazendo comigo. O que vem de mim e o que vêm deles, sabe?
Os primeiros dias são sempre mais difíceis, antes pensava muito em parar, agora diminuiu um pouco. Mas apesar de tudo isso, me fiz um propósito de tentar aceitar essa “ajuda” porque precisava mesmo fazer algo que me tirasse do ponto em que havia travado.
Recusar, era um risco que considerei não ser adequado assumir no momento. Estava no limite e não podia me dar ao luxo de enlouquecer de vez - ao menos não por enquanto.
Não sei se dará certo, se terá o resultado que quero, mas se não tentar, não terei como saber. O único que tenho certeza, é que será por pouco tempo. Espero poder parar antes do final do ano. É uma das minhas metas. Vediamo! :)
O lado bom é poder ficar afastada do que me fazia mal e de justamente ter que fazer coisas que gosto para melhorar! =)
O lado complicado é que às vezes passo mal na rua, por isso sinto cada vez menos vontade de sair de casa, onde não fico exposta e me sinto segura. Estou me esforçando para estabelecer uma rotina e me reorganizar, é todo um processo, mas vou chegar lá!
Muito mais para falar e refletir sobre isso, mas hoje paro por aqui.
E se alguém quiser passar em casa pra fazer visita, conversar, bagunçar, etc, etc... é só avisar! Provavelmente estarei aqui - com a benção de mainha: cada dia melhor! ;)


