quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mutirão do Jaguaré



O trabalho com as diferentes comunidades nos faz perceber o quanto o nosso povo não é apenas uma grande massa que só quer assistir TV como muitos acreditam. Claro que essa afirmação tem sua porcentagem de verdade, mas ela varia de acordo com as alternativas à televisão que possuem, ou que por ventura possam surgir. O mutirão do Jaguaré foi o nosso terceiro e é fascinante perceber como os três foram tão diferentes, não só pela organização que vai se aperfeiçoando, mas pelas comunidades e seu envolvimento. O mais gostoso de tudo é ver a intensa participação das crianças, presente em todos os mutirões.




No Jaguaré tínhamos uma praça muito grande e uma comunidade bastante ativa. Contamos com o total apoio do Clube Escola Jaguaré, equipamento da Subprefeitura que possui uma excelente coordenação. Juntando os serviços que conseguimos levar (triagem de saúde, corte de cabelo, limpeza de pele, massagem, doação de livro, etc.) com as apresentações teatrais e esportivas, a limpeza e revitalização das praças e o cinema, tivemos como resultado um excelente mutirão, que reuniu e agradou a todos os públicos.





As crianças se divertiram muito com as peças de teatro e trabalharam muito na recuperação de três pequenas áreas localizadas em ruas próximas, os mais idosos participaram do Lian Gong e do Tai Chi Chuan, limparam toda a Praça General Porto Carreiro e aproveitaram bem os serviços oferecidos. Os jovens e adultos transitaram entre as atividades, mas a participação mais intensa ficou para o final com a projeção do filme "Os Doze Trabalhos" do Ricardo Elias sobre a vida de um motoboy.





O Cinema ficou lindo! Graças ao Hélio, mais conhecido como "Jesus", nosso voluntário que andou sobre uma árvore para amarrar a tela no meio das árvores de forma que se podia ver o filme dos dois lados. As pessoas iam chegando e sentando aonde preferissem. Tentei fotografar, mas têm coisas que não tem como contar ou mostrar, só estando lá para entender e sentir de verdade como a vida pode se tornar especial com empenho, um pouco de esforço e muita boa vontade. O melhor de tudo é provar para a comunidade o que é possível fazer, é só querer.





Significa que é fácil? É não. E esse mutirão foi tudo de bom porque mais de 50 profissionais e aprendizes se dispuseram a trabalhar sem receber para poder participar do evento e oferecer todas essas coisas a comunidade, e porque cinco pessoas se dedicaram intensamente: A Daniela (Coordenadora do Clube Escola Jaguaré), a Maíra (nossa ainda voluntária), o Esteves (Engenheiro da Coordenadoria de Obras), o Rafael (Supervidor de Administração e Supriemntos) e a Ana Estrella (assessora de gabinete). Fica aqui um agradecimento especial a todos eles.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mutirão da Lapa (o primeiro)


Outra saborosa satisfação!




No mutirão do mês passado (o primeiro de todos) me estressei tanto, tanto, (antes e durante), e depois foi tão difícil segurar o resultado da minha frustração por não ter sido tudo perfeito (dentro da minha concepção, claro), que desta vez resolvi não me estressar. Pra não dizer que não me estressei com nada, fiquei irritada com a demora de uma confirmação, porque me obrigava a segurar a divulgação, e se não tiver divulgação com antecedência, dá pra imaginar o que acontece, né? Mas soltei a divulgação assim mesmo. Não confirmaram. O maracatu que ia abrir o evento e que eu havia entendido que já estava confirmado, também não poderia ir. Isso era terrível, pois é com o cortejo do maracatu que conseguimos chamar gente. Pedi pra tentarem outro e de novo, fiquei presa para soltar a segunda divulgação já com as alterações. A recreação esportiva também foi cancelada na última hora, pois todos estavam ajudando a preparar o Rali de Domingo; mas... pela minha insistência e drama o supervisor ficou de ver o que conseguia - o que também ajudou a segurar a divulgação que praticamente saiu no último minuto.




Não conseguimos começar na hora, não tinha muita gente e ainda tive que ficar ouvindo as pessoas me dizerem o que já sei. Mas não sei explicar o porquê, sei que não me incomodou nem o fato de ter pouca gente, afinal, quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Foi tudo super tranqüilo e muito gostoso. As crianças, de todas as idades, ajudaram muito. Não choveu uma gota, o dia não foi nem de frio, nem de calor, perfeito. Deu pra projetar o cinema no muro em que começa um beco que queremos transformar, ficou show! Passamos o "Vida de Maria" (ganhador do festival Entretodos de 2007) e o "Somos todos Sacys", do Rudá de Andrade.





Fizemos um trabalho especial com uma árvore imensa e linda na qual sempre jogavam entulho, fizemos um jardim no lugar que ficava o entulho e colocamos um varal com cartazes das crianças pedindo para não jogar lixo e ajudar o planeta. Os pequeninos gostavam mais de plantar, os maiorzinhos de pintar. Foi muito especial!




O supervisor não pode enviar professores, mas mandou bolas, raquetes, cordas, banboles... e a criançada de divertiu horrores! No final já conhecia as crianças e fiquei com um carinho especial pelo dono do restaurante de comida caseira e sua família que nos deram um super apoio! As crianças ganharam parte dos brinquedos e o pessoal do restaurante se responsabilizou por guardar e emprestar.



Trabalhei muito, muito e terminei tão satisfeita e tão feliz! As pessoas não tem idéia do que perdem!



Cheguei em casa cansada e confesso, incomodada com o fato de não ter pra quem contar. Fiquei feliz de ver a minha gata, mas... é tão estranho... o que vc faz quando ganha um jogo? Comemorar sozinho é totalmente possível, no entanto, têm dias que parece não ter graça nenhuma. Que mania de dividir, né? É que é o melhor jeito de multiplicar! Bom, Estou eu aqui de novo, dividindo com o mundo um nova experiência, muito boa! - Mas até pra isso vou ter que esperar, já que não tenho net em casa: j ...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Lenine e o suicídio


Podemos dividir as pessoas em não suicidas e potenciais suicidas? Tenho a nítida impressão de que sim. As vezes que me atrevi a tocar no assunto as reações foram ou um espanto absurdo de quem nunca pensou nem haveria de pensar nisso, ou uma naturalidade impressionante, como uma familiaridade com a questão. Ou seja, enquanto uns aparentemente nem se quer cogitam a idéia, outros não só já cogitaram como já tentaram. Claro que é algo que não se assume assim em qualquer ambiente ou sem certo constrangimento que talvez venha justamente da reação das pessoas que não compreendem e tratam o "rico suicida" como um "pobre coitado"!


Lembro que tinha o plano de escrever um livro sobre as razões para morrer (não consigo lembrar qual seria o nome, era tão perfeito, que droga de memória!), afinal de contas, como o meu senso de responsabilidade não me permitiria cometer loucura tão desejada sem dar uma explicação mínima às pessoas que me amam e que eu amo (e claro, aproveitar para passar o recado para as não tão amadas assim), o registro se faz necessário, apesar de que as razões são tantas que dificilmente poderei terminar um dia, até porque nem sei se terei tempo de começar. De qualquer forma é um projeto que talvez aos poucos comece, e por favor, se for por aqui, não se assustem!




E o que o Lenine tem haver com o suicídio? É que a junção das melodias, instrumentos, letras e a voz dessa pessoa se resumem para mim como algo que faz a vida valer à pena. Escrevendo assim parece tão pouco, mas para mim não é. Não mesmo. E hoje quero registrar aqui uma boa razão para viver: OUVIR LENINE!

De novo estou escrevendo no lugar de estar estudando e amanhã o dia vai ser bem puxado. Gostaria de ficar a noite inteira escrevendo sobre minha vivência com as diferentes músicas do Lenine, com as quais já chorei muito, já me indignei, já dancei, já dei curso! Mas como tenho que me policiar... só deixo registrado aqui que fui ao show dele no Sesc Interlagos e voltei absolutamente satisfeita, nutrida, energizada, recuperada, encantada!






Esses dias uma amiga disse que não entendia porque gostava tanto dele. Expliquei o que penso que seja: é que é a voz masculina de Yemanjá! A voz masculina sempre me agradou mais que a feminina, mas a dele em especial me traz algo que só o mar me traz; essa mescla de suavidade e leveza com força e profundidade. Não tira a dor, mas preenche todas as brechas com calor. Às vezes machuca, remexe, cutuca, mas em seguida nos envolve em um manto de calmaria e beleza.



É um tratamento intensivo mesmo. Queria poder agradecer a ele por tudo que me faz sentir... No entanto, como não tenho como fazer isso pessoalmente como gostaria, deixo aqui registrado para o mundo o meu agradecimento eterno a esse músico mágico que me faz tão bem! Muito, muito obrigada Lenine!




22.04.09 às 00h07

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fragmento de uma novela pessoal (banal, mas...)


Estou solteira. Ao mesmo tempo que é muito bom, é tão estranho...
Voltei a conversar comigo, a estar bem sem precisar de outra pessoa. É incrível a diferença que faz saber que vc só pode contar com vc mesma em comparação a saber que a pessoa com quem vc gostaria de poder contar não está, de novo. É tão besta porque aparentemente a situação é a mesma, mas não é. Hoje sei que tenho que fazer um papel que antes não cabia a mim por outra pessoa ter assumido. Parece loucura??
Acho que a minha maior revolta foi ter custado tanto a me acostumar a estar sempre com alguém, e quando por fim... ter que me readaptar a não ter com quem desabafar, a não ter com quem dividir as tarefas chatas de casa, a não ter o peito daquela pessoa que às vezes vc quer matar, mas que te acalma, te dá uma sensação mínima de proteção quando vc sente que o mundo quer te trucidar. Mas a gente se acostuma, sempre. Hoje está mesmo sendo muito bom estar comigo, e isso significa que está tudo lindo? Claro que não! Porque parece que a gente (eu e eu, e talvez vc) não abre mão de sofrer... ao menos um pouquinho. De repente a gente começa a lembrar de um monte de coisas boas, que ao menos por hora, deveria procurar esquecer, e claro, a inevitável pergunta vem à mente: "Mas por que não deu certo?"
Sabemos o porquê, mas não resistimos voltar até o instante em que nossa mente tem o registro de estar tudo lindo e perfeito (o que só pode ser uma falha da memória) e pensar que poderia ter continuado assim... Forever!
Ah, Doce ilusão, vai, segue o mesmo caminho da esperança e me deixa estudar em paz! Vai!
Por um instante pensei que seria tão bom se desse certo com uma pessoa e pronto. Que não tivéssemos que passar por tantas experiências dolorosas... Mas em seguida me dei conta do absurdo: imagine ter deixado de viver tantas coisas boas, tantas intensas experiências e nem tantas, mas consideráveis pessoas maravilhosas! Não, não poderia. O melhor da paixão (e talvez pior) é saber que uma hora ela passa, apesar de não ter nada mais fascinante do que estar apaixonado. É maravilhoso saber que cedo ou tarde a gente se apaixona de novo, mas hoje, só de pensar... chega a me dar gastura!
O triste do amor, e bonito, é que ele fica. O jeito é aprender a conviver com ele(s).

 

PS: Ai, já não lembrava como é bom desabafar com o teclado... e se quiser, dividir com o mundo inteiro!

Família Blogueira

Esses dias me dei conta do quanto minha família é blogueira, cada vez dou menos conta de acompanhar, mas quando dá um tempinho e consigo fazer uma rápida visita ao mundo vizinho... é tão, tão bom!

Outro dia entrei no blog da minha irmã que mora em Sevilha. Putz, que delícia! O meu blog comecei quando estava lá na casa dela, o dela começou este ano, e já está bem legal. Muito bom poder ver, ou melhor, ler a visão crítica de uma imigrante que até pouco tempo se sentia como a maioria dos imigrantes daquelas bandas. O blog dela é o titiritera.

O blog do meu pai (pluralf) - que adora a pluralidade e a mistura de palavras - tem normalmente a divulgação de algum evento envolvendo a "trupe da trópis", esse bando de artistas e produtores que ele praticamente criou, e vira e mexe entra alguma longa crítica, que confesso dificilmente leio até o fim, pois ele, como eu, quando começa a escrever não consegue mais parar... Além de às vezes me parecer por demais teórico para alguém já saturado da teoria da faculdade como eu. Mas vale conferir, viu?

My mother is the better! Ela consegue escrever absolutamente todos os dias! Geralmente descreve sua rotina, mas sempre tem algo interessante ou divertido no meio, além de também vez ou outra fazer relação com alguma história de seu fantástico passado, o que, ao menos para mim, é fascinante! A pedido meu ela preserva a identidade de todos e por conta disso, não sei se deveria passar o endereço, mas... aí vai: fiona de shrek.

Meu irmão - amado por uma considerável parte das mulheres, incluindo eu, sua fã número 1 - apesar de trabalhar, é músico e vagabundo. No seu blog sampa noturno escreve sem regularidade, claro; mas sempre vale uma visitada, e se não tiver nada de novo, uma vasculhada. Tem muita coisa boa e, de vez em quando, também aparece uma nova letra, poema, crítica ou conto que te arrancam da quadradez da tela e da vida e te levam para um outro lugar, ambiente ou situação. Definitivamente, muito bom.

E eu? Hoje aproveitando o feriado prolongado para escrever um pouco do muito que gostaria. Essa semana me dei conta de outra coisa: toda semana digo que vou parar de faltar na faculdade e que vou voltar a escrever no blog. É, está demorando, eu sei. Mas não é descaso não, é que é muita coisa mesmo. Mas eu não esqueço. Está anotado e uma hora vou conseguir, assim como vou conseguir acabar com boa parte da minha lista de pendências. Se der certo contratar a estagiária que pretendo, vai ser tudo mais fácil. :D... Sei, sei sim que não vai resolver tudo, mas vai ajudar bastante!

Enquanto isso? Além de todas as dicas acima, sugiro que espiem o blog da Soninha (gabinete soninha) que escreve esplendidamente e, pelo que descreve, dá pra ter uma boa noção do que vivemos todos os dias na Subprefeitura Lapa.

Ah! Não desistam de mim não. Uma hora eu vou conseguir.

Domingo, 19.04.09 às 20h40

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Trabalho

Sempre gostei de trabalhar. Não sei o que acontece, mas desde criança sofro desse mal. Chorava quando minha mãe me mandava dormir... Não sei se é do signo (sou capricórnio) ou se é sina mesmo.

Como cientista social, estudei bastante o tema e passei a defender mais ainda, com mais convicção e veemência a adoção de jornadas de meio período. Acredito que as pessoas deveriam ser proibidas de trabalhar mais de 6 horas por dia para que assim pudessem estudar, conviver com seus filhos, se envolver na melhoria da sua comunidade, se dedicarem ao que quisesse, ir ao cinema, teatro, ou ficar sem fazer NADA, por que não?

Sei que caminhamos no sentido contrário, mas quem sabe agora com essa crise alguém com um pouquinho mais de poder não tem coragem de defender a idéia? A esperança não pode morrer...

Certo, mas porque esta defensora trabalha tanto então?

Hmmm... acho que hoje posso dizer que juntamos a fome com a vontade de comer. Amo meu trabalho, tem suas limitações, tem bucha que não acaba mais, mas é fantástico a gente poder fazer o que acredita. São 40 km com muitos problemas e (esperamos) 4 anos. Queremos fazer tudo o que for possível para melhorar nosso pedacinho de mundo... por isso tenho trabalhado praticamente 24horas por dia.

Às vezes é desgastante por que quero terminar logo o começado, sei que há uma série de outras pendências aguardando e as coisas não param de chegar. De cada reunião sai uma listinha que às vezes não dá tempo de parar pra olhar, mas que a gente sabe que existe.

Na semana retrasada o que mais me pegou foi a desocupação de uma favela em área de risco que tivemos que “terminar”, a semana simplesmente não queria acabar. Chovia, era de noite já, tínhamos umas 10 famílias com um monte de crianças com fome e sem saber onde dormiriam. Compramos esfihas e as famílias foram encaminhadas para albergues, mas aquelas imagens me acompanharam o final de semana inteiro. A música Circo Incandescente do meu irmão não me saia da cabeça.

Na semana passada o duro foi superar minhas próprias expectativas. Queria tudo pronto para sexta: a coleta seletiva, nossa mini-bibliotequinha e a caixinha de sugestões. Marcamos uma conversa com os servidores no auditório para ter uma primeira conversa e explicar como essas três coisas funcionariam. São coisas simples, mas que representam muito do que queremos na nossa gestão: participação, consciência ambiental, cultura, bem estar e satisfação.

Não estava perfeito porque muitas pessoas não foram, houve uma falha no equipamento na primeira apresentação, na segunda a Soninha mal pode passar e também estavam faltando os cartazes explicando sobre os três itens. Apesar disso, não me estressei, talvez porque sei que fiz tudo que era possível, e não só eu. Toda a equipe que trabalhou para que estivesse tudo como eu queria.

Esta semana deveria ser mais tranqüila, me dedicaria a eliminar pendências (preciso parar de inventar um pouco, se não, não dou conta), fiz os cartazes mais simples com intenção de depois melhorá-los, só pra não deixar sem nada, da coleta seletiva é mais complicado e tem que espalhar, pretendia fazer ontem, mas depois que voltei do almoço, não consegui fazer mais nada. Não conseguia trabalhar, baixou um mal-humor, mal-estar sem explicação. Estava angustiada e só no final da tarde vim saber o porquê: meu amigo que estava internado tinha morrido.

Amigo, pai, mãe, irmão, mentor espiritual. O Wagner só tinha 31 anos, mas parece que terminou cedo sua missão aqui com a gente. Fui pra “torre” da Sub, um lugar onde podia ficar sozinha e encarar o céu, cara-a-cara, COMO PODIAM?? O céu estava carregado. Chorei, chorei, chorei, chorei e chorei. As nuvens se foram, a noite chegou... Queria ficar ali pra sempre, mas meu terapeuta queria me ver e resolvi ir. Quando fui desligar o computador vi um e-mail do meu pai em homenagem ao Wagner... quando vi as fotos, chorei de novo, recebi um abraço longo e apertado da Soninha e a desincumbência de trabalhar hoje.

Chorei de novo quando soube que não haveria velório e não poderíamos ir ao enterro. É a primeira vez que perco uma pessoa tão próxima, senti falta/necessidade de um ritual, como algumas pessoas não poderiam se reunir hoje, no Domingo vamos fazer um circulo como os que fazíamos quando ele morava com a gente.

Ai. Os vizinhos fizeram o favor de colocar uma música triste, dessas que se tocasse perto do Wagner ele não resistiria de fazer a dublagem. Que saudade Deus!

11.02.09 às 19h

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Caminhada

No dia primeiro à noite fui para a Caminhada Cultural da Expedición donde Miras (já escrevi sobre eles/nós em janeiro do ano passado), encontrei o povo em Cabreúva e no dia seguinte partimos para Itú, nunca tinha andado tanto na minha vida!!! Meu pé doía, (doía demais!) ao mesmo tempo em que meu corpo se sentia bem e poderia continuar infinitamente não fosse o pé doendo e que o orgulho de ter completado o percurso a pé implorava que os pés agüentassem mais um pouco... Pensei várias vezes: "Quando o próximo carro de apoio passar, eu vou pedir para parar." Mas sempre resolvia ir só no seguinte. Houve um momento em que queríamos (eu, binho e sua esposa) ao menos descansar um pouco, mas não havia lugar. Andávamos no acostamento e ao lado só tinha mato, tudo molhado pela chuva que já tinha tomado. Por fim, quando já não podia mais caminhar sem achar uma pedrinha pra sentar, disse: "Se depois daquela curva não encontrarmos nada, sento, mesmo que no meio da pista." Depois da curva, encontramos o alívio duplo: o portal da cidade e dois carros de apoio nos esperando!!! Puxa, como foi bom! A galera que está mais acostumada foi do portal até a biblioteca comunitária que nos alojaria a pé, mas eu fiquei bastante satisfeita em fazer esse trecho de carro.

No dia seguinte fizemos reunião com quebra-paus e muitos abraços no final, à noite, fomos fazer o Sarau na Praça principal, da matriz ou qualquer coisa assim. O Sarau de Itú, a cidade das coisas grandes, foi grande! Foi uma delícia! Confesso que não achei nada de outro mundo o orelhão e o semáforo gigante, mas quando vi o copo de cerveja, no qual ia uma garrafa inteirinha... fiquei tão feliz! :D

No dia seguinte rumamos à porto feliz, depois de muita discussão se ir pela rodovia com caminho mais curto ou pela estrada de terra com caminho bem mais longo, optou-se pela estrada de terra, felizmente! A estrada era linda, linda, linda. Pena que parei pra descansar um pouco e acabei esfriando. Fui uma parte bem maior do que imaginava de carro, e me arrependi muito, pois era lindo demais!

De noite comemoramos um ano da saída da primeira caminhada que foi de São Paulo à Curitiba. Apesar de ter ficado chateada com algumas coisas, problemas que todos os grupos acabam tendo, queria poder ficar, mas voltei para São Paulo para poder resolver um monte de pendências.

Depois de ir umas quatro ou cinco vezes no Consulado da Venezuela e no Poupa Tempo, além de outros lugares sem tanta freqüência, pude me livrar de duas pedras grandes (papéis que precisava enviar para minha mãe na Venezuela e a renovação da CNH). Quanta burocracia! Mas nem reclamo tanto, porque o Poupa Tempo, apesar de uma ou outra falha, é realmente fantástico, no sentido de se poder resolver tudo perto, e quando penso na burocracia da Venezuela, que, sem exagero, é dez vezes pior... ai! Coitada da minha mãe que está lá sofrendo com um monte de coisas de um monte de lugares diferentes que exigem, é terrível!

Queria muito voltar para a Caminhada, o que só foi possível na quinta 16. Chegamos em Bofête de madrugada já, e o lugar que o pessoal estava dormindo não era dos mais confortáveis, tanto que depois de uma hora tentando dormir, resolvi ir para o carro cochilar, já que dali a pouco teria que levantar. Queria muito conhecer a dita cidadezinha porque no primeiro ano de faculdade tive que ler o livro "Os Parceiros do Rio Bonito" que falava sobre aquela região. Nem imaginava que era tão perto de Botucatu, cidade que tenho admiração e um carinho muito especial. A estradinha de Terra, que delícia! Maravilhosa! Inté tomei banho de rio, de vestido e tudo! Foi muito, muito bom! Um pessoal de lá da Prefeitura e da Câmara acompanhou a gente por boa parte do caminho, apesar de andarem a maior parte do tempo de carro, também andaram a pé e o presidente da Câmara até subiu na árvore pra pegar goiaba, também cruzamos com outro vereador que andava a cavalo, tão diferente do que estamos acostumados! Eles levaram alguns dos nossos até a nascente do Rio Bonito, falaram que era pertinho, mas não era tanto assim não. Eu, fiquei satisfeita de ver ele "riachando", deixei os pés um bom tempo na água, o que ajudou muito a agüentar a mega subida que vinha depois. Foi exagero encarar a subida. O pé estava um pouco mais energizado talvez, na verdade, menos inchado, mas a virilha começou a arregar e quando terminou a subida parei de caminhar e segui dirigindo. Mas, que gostoso, que gostoso!!! Nunca imaginei que andar pudesse ser tão bom!

Chegamos à mágica Demétria, uma fazenda que também denomina o bairro. Ficamos no Sítio Bahia na casa que antes morava o atual administrador da Demétria, Paulo Cabreira. Não estava lá no sábado porque é o dia que vêm para São Paulo, participar da feira de orgânicos da Água Branca. Chegou durante o Sarau, que foi o mais lindo dos que participei. Um espaço bem legal, com um monte de gente e bastante participação dos moradores. Foi mágico, magnífico! O povo não queria parar. Depois do Sarau resolveram ir para um lugar que dava para fazer fogueira. Ficamos lá no meio das árvores com lua e estrelas, música e aquela pitada de álcool. Estava muito bom, mas eu já estava cansada e resolvi voltar antes das 5 da manhã como a maioria, foi bom, assim pude tomar banho antes de dormir.

No domingo, último dia, vontade nenhuma de sair da Demétria. A comida deles, além de ser uma delícia, parece que alimenta, energiza de toque a mais que não sei explicar. O Paulo Cabreira conversou com a gente tentando explicar como funciona a agricultura biodinâmica, o que eu sinto muito, mas não vou saber explicar nem vou tentar resumir toscamente. Mas é muito legal, vale à pena procurar conhecer e principalmente, se alimentar melhor; (uma hora quem sabe explico mais, só uma obs: não sou antroposófica, mas eles têm contribuições que merecem ser levadas a sério, como a educação Waldorf, por ex.), apesar desse tipo de alimentação ser caro, considero compensatório por isso antes de sair fui a lojinha gastar: uma foram que encontrei de investir em mim e agradecer a eles.

Última caminhada: apesar de já estarmos em Botucatu, ainda restavam uns dez quilômetros para o centro, e lá fomos nós. O caminho foi gostoso, mas muito rápido, talvez tanto por ter ido conversando com uma pessoa encantadora por quem fiquei admirada, a chamam de Índia, é de Manaus, antropóloga, mas parece mesmo o que faz: é "Vó Social", cuida das crianças dos pais que saem para trabalhar e eles pagam o que podem. As crianças a adoram, aliás, quem poderia não?

Chegamos ao espaço em que seria o sarau. Ainda não podíamos ir para o alojamento no ginásio. Quando chegamos lá, não deu tempo de se instalar e comer direito, pois tínhamos decidido fazer o sarau no mesmo dia, já que muitos, incluindo eu, tinham que voltar no domingo para poder trabalhar na segunda. O sarau... foi extranho. Não sei se porque estava todo mundo cansado, com fome, com sono, ou se estavam triste por ter terminado a caminhada, acho que os dois. Nem parecia que tinham chegado ao destino. Mas tudo bem. Voltamos para o Ginásio, comemos e saímos, até entregar todo mundo e chegar em casa... eram quase seis da manhã! Tinha que estar às 10 na posse da Soninha, podia dormir duas horas, mas esse negócio de dormir só um pouquinho comigo não funciona! Cheguei lá depois do meio dia, fiquei chateada, mas não muito, fazer o quê se meu corpo não agüentou? O único que poderia fazer era estar lá o quanto antes à disposição, e foi o que fiz. Trabalhei até às oito da noite e desde então é praticamente o único que faço, mas faço com prazer, apesar de às vezes algumas coisas serem bastante doídas, está sendo maravilhoso.

Eu não dou conta de escrever sempre, mas a minha chefe, não entendo como, sim. Quem tiver curiosidade de saber como é meu trabalho é só espiar o blog dela: http://gabinetesoninha.blogspot.com