sábado, 26 de novembro de 2011

Gotas d’água querendo parar Belo Monte

Alguém me perguntou se eu já havia visto o vídeo dos “globais” sobre Belo Monte. Não tinha visto e de cara não me interessou muito, mas devido ao tema que sim me interessa em demasia, assim que me deparei com o tal vídeo o assisti.

A sensação que me tomou foi de profundo agradecimento pela iniciativa de fazerem um trabalho como esse, que juntando pessoas de credibilidade, muita técnica e um modelo que já havia dado certo... comunicava. Mais do que isso, levava às pessoas a indignação que até então parecia de poucos, conquistando também assinaturas contra essa aberração.

Compartilhei no meu facebook, algumas pessoas curtiram e/ou compartilharam a partir dele, mas, para a minha surpresa, houve um comentário criticando o vídeo, dizendo, dentre outras coisas, que era para “convencer quem não pensa”. Pensei bastante antes de responder, esperei passar o mal estar da primeira leitura e escrevi o seguinte:

“Wick, também penso que Belo Monte precisa ser seriamente debatida, mas é difícil envolver as pessoas em mais uma coisa que depende ter tempo, leitura, compreensão, dedicação... já escrevi muitas vezes sobre Belo Monte e a repercussão sempre era muito pequena. A participação social tem um custo que muitas pessoas não estão dispostas a pagar, e que não sei se é justo cobrar, considerando tudo o que já "pagam" trabalhando, se deslocando, estudando sem ter condições, etc. Entendo seu ponto de vista, mas fiquei feliz por finalmente terem feito um material que comunicou um grande número de pessoas (pelo formato copiado que deu certo anteriormente em outra campanha) e certamente pelos atores que ao que parece alguma credibilidade tem. O que realmente me lembra Hitler é essa construção gigantesca, essa megalomania que vai contra toda e qualquer possibilidade de "desenvolvimento sustentável" ao contrário do que pregam. Com as obras começadas, somente uma ação como esta chamaria a atenção com a urgência que o tema requer.

A tréplica, devo admitir que me surpreendeu muito mais, tanto que, apesar de grande, não tive dúvidas de que merecia entrar aqui:

“Ana, obrigado....escrever consome tempo e sei que além das mensagens telegráficas do FB só se arvoram os apaixonados e bem intencionados.

Reconheço sua angústia e comungo da mesma. Entretanto, não tenho uma opinião formada tão clara assim sobre Belo Monte. Estou mais perto desse projeto e problemática do que a grande maioria das pessoas. Há mais de 20 anos que me envolvo com a Amazônia e o seu desenvolvimento, alem de ter tido em família um dos mais exuberantes cientistas amazônicos, meu padrinho e que me deu o nome. Aliás estive ha 2 semanas no norte do MT e sobrevoei um projeto da Odebrechet muito semelhante ao que vai ser Belo Monte, porem em escala menor. O município de Aripuana, no rio de mesmo nome. A tecnologia é a de minimizar o lago, usando turbinas em fio d’agua. Você sabia disso? Se fosse utilizada a tecnologia de Tucurui o lago seria imensamente maior. Em Setembro sobrevoei o Teles Pires, justamente onde será a hidroelétrica de Sete Quedas. Deu dó de ver o que vai sumir. No meu Facebook tem o sobrevôo...veja lá.


É impossível existirmos na Amazônia sem grandes projetos e potencialmente mega-impactantes. Se não houver um desenvolvimento racional da região, a Amazônia vai minguar por processos formiguinha, impostos por atores que vão desde gângsteres imobiliários, até índios inocentes. Todos pegam um pedaço, grande ou pequeno. Os que pegam pequenos pedaços são muitos, e os que pegam grandes também são muitos..... No ano passado as áreas mais desmatadas da Amazônia foram áreas indígenas, segundo algumas fontes. Desmando total em todos os níveis.

A questão fundamental pra mim é a seguinte: implementar projetos de larga escala sem impactos. Temos que vencer esse desafio e digo isso por desespero, pois no fundo a minha única crença para o futuro planetário humano é se tivermos uma população máxima de 5 Bilhões de pessoas no planeta. Nosso limite já passou faz tempo.... Acho mais fácil buscarmos vencer esse desafio tecnológico do que convencer nossa vil raça a parar de se reproduzir. Essa evolução de consciência deve levar no mínimo mais 100 a 200 anos....e provavelmente vai acontecer por liderança de um povo mais branco do que escuro..... e isso será horrível.

Eu não acredito que seja possível criar barreiras para o desenvolvimento irracional, no qual só se acredita no crescimento. Mas acredito em melhorar a condução desse desenvolvimento. Mais do que sermos contra algo que não queremos, temos que ser proativamente a favor de algo correto que queremos. Tem gente falando em parar crescimento e eu acho muito sábio, mas realisticamente isso só vai tirar a atenção das ações que tem possibilidade de dar um passo mais rápido do que o capitalismo selvagem e governança corrupta e inserir um novo programa no capitalismo para sustentabilidade. Eu acho que a chance é melhor.

Comunidades ribeirinhas são palco de muita corrupção política....mas tem uma reação positiva ao correto e ao digno muito mais forte do que você possa imaginar. Desde crianças ate os adultos.... aprendem rápido.

E é por isso que o que mais me deixa em dúvida é a governança. Eu quero acreditar que é possível fazer um projeto como Belo Monte e que não cause os impactos que estão alardeando. Lembre que tivemos Itaipu e Tucuruí como projetos que foram cheios de erros e merda atrás de merda. Mas o fato foi que gerou um aprendizado enorme e esse aprendizado esta disponível para Belo Monte. A sociedade tem que exigir isso. Hoje existem atividades fantásticas ao redor dos dois reservatórios, muitos exemplos de envolvimento comunitário e desenvolvimento sadio.

Não sou derrotista para a sua causa, mas acho impossível que Belo Monte não seja construída. Ela vai ser erguida gostemos ou não.

Eu não gosto da idéia de Belo Monte, assim como você. Preferia que não fosse construída, mas já esta sendo. E pior, depois de Belo Monte ainda vira Sete Quedas, no Rio Teles Pires....que também vai ser construída, também em terras indígenas. Sabe por quê? Por que tem um número muito maior de cidadãos que querem que seja, do que os que não querem, especialmente os cidadãos da região e que ficam olhando pra nós aqui do Sul maravilha tentando impedir o desenvolvimento deles..... para as pessoas da região, eu e você (e os artistas do filme) estamos muito mais pra americanos do que brasileiros.....

A questão indígena é a mais distorcida que você possa imaginar. Os povos indígenas no Brasil foram abandonados há muito tempo. Não vai ser uma causa dessas que vai resolver o problema indígena. Devemos ter muito mais esforço para isso e usar a usina como alavanca para a causa indígena é no mínimo uma vergonha.

SE você pedisse meu voto, eu votaria contra.... mas não por que eu ache errado o projeto, e sim por que a implantação do projeto não terá a governança que eu acredito ser essencial. Esse tipo de processo é muito corrupto e a melhor tecnologia nunca está disponível por uma questão financeira.

Podemos fazer um projeto melhor, reduzir o impacto, melhoria continua, processos de aprendizado e inteligência, plano de contingência, correções de curso, proteção dos recursos naturais e das populações, etc... mas para isso é preciso governança.

Eu sei que o que escrevo soa horrivelmente tecnocrata... mas não é isso. Acredite... tô prestando a atenção nisso faz décadas....e muito me corrói entender o que eu entendo.

Final feliz, só mesmo no filme do David Cameron....

O pior de tudo é o seguinte: os artistas do filme vão na festa de inauguração. Acredite nisso!!! Eles são ignorantes. Espere e você vai ver..... decoraram o texto bem decorado. Eu preferia que fosse você....mas não precisava tirar o sutiã. Aliás, tirar sutiã???? Um horror....fiquei muito decepcionado com o filme e em mim teve um efeito antagônico....de falta de confiança neles, daí a minha referencia à propaganda de Hitler....imagine o que o Karajan teve que fazer pra promover o Nazismo....

Compartilhei porque percebi que a vista do ponto dele é privilegiada sem por isso ser melhor, além de ter uma sensibilidade e sinceridade impares. Os grifos são meus, e não pretendo comentá-los, para mim, por hora, são para atenção ou reflexão.



Copio abaixo apenas parte da minha resposta e adianto que a volta foi o convite para um seminário que quero muito ir! “ECONOMIA VERDE NA AMAZÔNIA: DESAFIOS NA VALORIZAÇÃO DA FLORESTA EM PÉ – coloco os detalhes em comentário ao post para não bater recorde de comprimento! :)

"...acho que o que vejo sobre está bem resumido no post que segue, talvez resumido demais... mas basicamente o que penso é que poderíamos investir em um programa de capilarização da energia, que podemos fazer um estudo e ir implantando pequenos geradores de energia, resolvendo localmente o problema de acordo com a potencialidade da região... o que não consigo acreditar que fique mais caro no conjunto que essas construções monstruosas. Mas é algo que precisa ser melhor pensado e estudado, claro. ;)"

Para que esse monte de manifestações

Ah, sim! Vale lembrar que devido ao vídeo do Movimento Gota D’água chegamos neste momento a 1.101.099 (um milhão, cento e um mil e noventa e nove) assinaturas contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Querendo ser árvore…

Depois de ter passado uma semana doente, ainda encafifada com as constantes recaídas, saí da terapia e nem quis saber de PUC, só resolvi fazer outro caminho.

Ao descer a Ministro de Godoy passei por uma das entradas do Parque Água Branca e pensei que seria mais agradável descer por dentro do parque, mas como boa paulistana que me tornei, resisti ao convite / tentação....

No entanto, ao chegar ao outro portão por onde podia estar saindo, me dei conta da oportunidade que ia perdendo e resolvi entrar. Perguntei que horas fechava, tinha tempo de sobra! Fui ver os peixes e depois achei um banquinho em meio a algumas árvores.

Olhei pra cima e não resisti: deitei no banco pra ficar contemplando as árvores de baixo pra cima, suas silhuetas e folhagens das mais diversas... algumas folhas tão grandes, outras tão pequeninas... no quesito estatura também eram completamente variadas!

Fiquei viajando no quanto a natureza é perfeita e no quanto temos que aprender com ela. Todas convivem ali justas – por mais diferentes que sejam – em plena harmonia.

O segurança do parque veio dizer que não podia ficar deitada, mas expliquei que queria admirar as árvores por aquele ângulo e ameacei brincando sentar de cabeça pra baixo. Apesar de não entender o que eu via de mais, depois de explicar o porquê da regra, acabou permitindo que eu ficasse ali uns 15 minutos.

Concordei com ele quanto à vulnerabilidade da posição, ele puxou papo sobre a faculdade, começou a contar que a filha queria fazer jornalismo, mas logo disse: “deixa eu ir que se não você não vê o que tem que ver aí”. Achei muito legal a sensibilidade e respeito que teve com o que de alguma forma entendia mesmo sem entender. :)

Foi ali refletindo que me dei conta que havia uma parte de mim que parecia estar fora aproveitando o espaço para dançar, o tempo todo! E cheguei à conclusão de que não deveria parar de dançar, ao contrário do que andava pensando em fazer por conta da constante falta de tempo e necessidade de me dedicar mais ao mestrado, dentre outras intempéries.

Foi ali também que decidi deixar minha criança interior dormindo, pra ver se assim consigo me concentrar mais nos meus afazeres, objetivos e metas de mudança de vida que sinto que são urgentes.

Sei não se vai funcionar, pois, assim como a dança, é parte mais que essencial desta minha vida. Por outro lado, a gente tem que ir testando mudanças até encontrar um jeito de ajeitar as coisas sem se deixar estagnar, não é mesmo? Mas alerto que é uma medida drástica, não recomendável para menores de 100 anos! rsrs...

Essa é pra minha criança, que espero muito em breve possa voltar a aprontar todas!

E assim seguimos, vivendo e aprendendo. Até o fim. Quanto à visita ao Parque, essa mais que recomendo, para todas as idades!!! =D

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um país perdido entre gays e evangélicos


Pretendia escrever outras coisas, até escrevi os títulos em documentos diferentes para não esquecer, mas daí... fui dar uma olhada em um dos grupos que participo no facebook e me deparei com uma frase copiada e colada por diferentes pessoas, pelo visto, na maior das boas intenções:

“Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica , muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção? Se você também pensa assim, copie e cole; vamos fazer um flood contra a corrupção!!!

Escrevi uma resposta bem simples que segue abaixo, mas tive a impressão de que, ao menos quem copiou e colou, não se deu conta do descuidado (não sei se intencional ou não) com que foi escrito tal texto: ele pura e simplesmente coloca como se fosse um absurdo haverem tantos gays, evangélicos e ativistas pela legalização da maconha se mobilizando, como se por isso fossemos um país perdido (!!?!), é isso mesmo que essas pessoas que são contra a corrupção pensam? Quero acreditar que não.

‘Gente, a democracia é de quem se organiza. Simples assim. Pelo menos eles estão se mobilizando. Por outro lado, há que se pensar que nesse caso não se trata de uma minoria, pois todos são contra a corrupção (até o corrupto dirá que é contra).

As outras marchas, ou procuram espaço de afirmação e aceitação ou tem um objetivo mais direto, como as manifestações contra a construção da Usina de Belo Monte, sobre a qual poucas pessoas se manifestam, provavelmente por não terem noção do quanto as afeta.

Nosso país é maravilhoso justamente por esses dois pontos primordiais: natureza e diversidade¹. E espero que saibamos preservar isso acima de tudo.

A corrupção precisa ser combatida sim, por meio da Polícia Federal, através do voto e, principalmente, de uma educação de base bem diferente do 'cada um por si' que se vê por aí, mais voltada para valores e para o bem comum.

Por onde se pode começar a fazer essa diferença efetivamente e... quem começa?’

¹não custa deixar claro: não se refere à diversidade da natureza (bio), mas à nossa, entre seres humanos - de convivermos sendo diferentes em jeitos, gostos, opções, opiniões, origem, estilo, etc.

Certamente teria muito mais para escrever sobre isso, mas vou me conter e apenas sugerir contribuições, críticas e opiniões nos comentários. ;)

sábado, 30 de julho de 2011

O silêncio, as estrelas e todos os caminhos...

Pra que escrever se o Lenine já canta? - e tão linda e perfeitamente!
Sobre o Silêncio das Estrellas...


Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal

E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?

Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais...
Afinal, feito estrelas que brilham em paz, em paz...


E sobre Todos os Caminhos...



Eu já me perguntei
Se o tempo poderá
Realizar meus sonhos e desejos
Será que eu já não sei
Por onde procurar
Ou todos os caminhos dão no mesmo
E o certo é que eu não sei o que virá
Só posso te pedir que nunca
Se leve tão a sério, nunca
Se deixe levar, que a vida
É parte do mistério
É tanta coisa pra se desvendar

Por tudo que eu andei
E o tanto que faltar
Não dá pra se prever nem o futuro
O escuro que se vê
Quem sabe pode iluminar
Os corações perdidos sobre o muro
E o certo que eu não sei o que virá
Só posso te pedir que nunca
Se leve tão a sério, nunca
Se deixe levar que a vida
A nossa vida passa
E não há tempo pra desperdiçar.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A verdade é que eu menti!

Mas, mas… definitivamente, não foi por mal. Foi uma ilusão a qual me apeguei imediatamente, porque queria que fosse verdade, pois em um momento bom, ideal e atípico, pensei que finalmente estivesse me acostumando e que fosse mesmo possível o que queria.

E eu só queria que fosse possível trabalhar e ter tempo e disposição para também estudar, sem deixar de me cuidar minimamente. Não deveria ser tão difícil assim, não é mesmo?

Só que a verdade é que há coisas com as quais a gente não pode se permitir acostumar. E o meu trabalho na UBS está bem aí.

Gosto muito das pessoas de lá e até gosto do meu trabalho, é simples e necessário, e eu sempre gostei de trabalhar com o público – porque sempre gostei de atender bem e receber esse retorno.

Os únicos problemas são que:

1. Não há ergonomia. O local foi mal projetado de forma que, pelo menos para a minha estatura, é quase impossível trabalhar e não sair com dor devido o balcão ser alto e a cadeira pouco regulável. O local do atendimento preferencial é apertado, mas menos desconfortável, o funcionário fica mais baixo e mas também escondido, de forma que o idoso ou deficiente tem que ficar de pé para ser atendido. (?)

2. Não há funcionários suficientes, de forma que durante a maior parte do tempo há um monte de gente sentada por duas a três horas olhando e acompanhando cada movimento nosso. Apesar de nem sempre reclamarem, sempre há algum tipo de atrito, causados ou pela demora, ou por não aceitarem as regras impostas pelo sistema, ou ainda, por desaprovarem o atendimento que para ser mais rápido, alguns optam por fazê-lo mais seco e direto.

3. São muitas horas para se trabalhar com o público, pois mesmo com o trabalho sendo mecânico e simples (marco consultas e faço carteirinhas), é estafante tanto pela pressão, quanto pela necessidade de ser ter muita, mas muita paciência (uns têm problema de audição, outros de compreensão, outros dão uma de loucos só porque passam na psiquiatria – ou realmente são, e muitos ficam indignados com tantas demoras: de atendimento, consultas e resultado de exames. Deveriam ser 4 no máximo 6 horas.

4. Faltam alguns materiais adequados básicos. Por exemplo: temos leitora de cartões, o que agilizaria o atendimento se não houvesse problema na impressão dos mesmo, mas das três impressoras que temos, uma solta a tinta, a outra imprime torto, e a outra, só funciona quando quer. Outro dia discuti com um paciente que reclamou que não havia um grampinho, na verdade havia, mas não cabia no grampeador que eu tinha levado de casa. Esta semana felizmente tivemos uma alegria dupla: “ganhamos” um grampeador e um quadro de avisos!

5. Falta salário, pois um base de R$ 646 é simplesmente indigno. Mesmo somando a gratificação-cala-boca que nos deram este ano, não chega a R$ 1000. Somando Alimentação, Refeição e Transporte e tirando os descontos vou receber por volta disso, mas me digam: quem vive com um salário desses em São Paulo hoje em dia? Eu respondo: muita gente, mas não em condições dignas. E o que mais me desespera nesse trabalho é perceber que não me sobra disposição para procurar outro, mesmo que só de complemento. Não dá, e vida sem vida, a gente não pode aceitar, nem se submeter.

6. Para finalizar, a insalubridade, decorrente de todos os itens citados acima se somando também o fato de as pessoas que procuram a UBS em sua maioria estarem doente, é certa: todos os dias saio de lá sentindo algo, dor nas costas, dor de cabeça, estomago doendo ou enjoado... só de remédio para os dois primeiros já gastei R$ 17,00. Mas isso pelo menos a Secretaria de Saúde reconhece e passarei a receber o Auxilio Insalubridade, e assim, terei somados aos meus proventos mais R$ 11,00 mensais (sim, onze reais!!!).

Pois é, e mesmo eu explicando tudo isso, ainda não me conformo. Mas fato é que esse trabalho me suga. Prova disso é que quando estou voltando para casa, às três da tarde, as pessoas que sequer me conhecem, me desejam bom descanso! E quando chego nem disposição pra ficar na internet tenho. Não quero nada que exija mesmo que um mínimo de mim, só quero descansar. Por isso parei de escrever no blog e quase não respondo mais comentários, não entro no twitter, não sei muito mais do mundo que não esse pequenino que vivo cotidianamente, e olhe lá!

Mesmo com tudo isso, no entanto, agradeço por ter ido parar nesse lugar. Não, não por ser um trabalho digno que tenho que agradecer a Deus que tenho, até porque, já deixei claro que não o é. Mas sim porque acredito que com tudo a gente pode aprender, e pra mim, que estava acostumada aos gabinetes, é uma experiência e tanto! Além disso, é bom se sentir de igual pra igual, não ser visto como privilegiado (apesar de eu ser a única que sai 45 min. mais cedo por não fazer horário de almoço). Mas o melhor de tudo mesmo, são as pessoas! Valeu à pena ter sofrido o que sofri por ter encontrado figuras que, de uma forma ou de outra, quero levar comigo pra sempre!

Só que agora que já pude conhecer tudo isso... é hora de me organizar pra seguir viagem, pois se não quiser acabar com a minha saúde, terei que sair dessa Unidade Básica de Saúde logo! Por isso tirei o dia de hoje para começar esse processo, que espero, seja breve.

Mas esteja onde estiver, não perdendo a alegria de viver e a consciência do que sou, o que quero e pra onde vou, de resto, vamos dando um jeito até tudo se ajeitar! Não é mesmo? ;)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Atualizando II e... mais gatos!


Depois de duas semanas escrevendo os trabalhos da faculdade e outras duas tentando me adaptar:

1. ao novo trabalho - que não tem segredo, mas é muito puxado, pois não paro um minuto e a fila não acaba nunca!

2. aos meus novos horários - pois agora acordo às 5h30 (nesse frio!) para poder chegar mais cedo em casa e estudar (o que por enquanto não está rendendo como gostaria pela minha dificuldade de dormir cedo).

...e apesar do resfriado/gripe/tosse que deve acabar na sexta, finalmente começo a retomar o que ficou em suspenso nesse meio tempo: responder e-mails atrasados, organizar casa, contas e papéis, procurar emprego, escrever projetos... o que não falta é coisa por fazer! Mas vamos com calma que aos poucos a coisa se organiza. Não é mesmo? Dessa vez não vou me desesperar! :)

Fora a isso, a novidade são meus gatos, que a cada dia que passa me apaixono mais e agradeço mais a companhia – que adoro!

O meu filhote (que havia ficado desaparecido uma semana) está lindo, doce e grande, tanto que muitas vezes o confundo com a mãe, ainda mais agora que ela perdeu o barrigão, pois ganhou três gatinhos: dois pretinhos e um todo branquinho! São tão pequeninos, mas já são lindos! Só vivem miando e empurrando um ao outro, coisa que não acontecia com o primeiro que era filho único.

Difícil vai ser conseguir doá-los daqui um ou dois meses! Mas ficar com 5 gatos, até gostaria, mas não dá! E dessa vez a fábrica da Cármen fecha em definitivo, pois já consegui um veterinário que fará um preço amigável (o que não havia conseguido antes dela prenhar de novo).

E falando em gatos, há uma outra espécie de gato preto em casa agora!

É o Rafael! Amigo figuríssima que veio em hora mais que perfeita, não só por poder dividir o aluguel, mas também por ser uma pessoa super animada e pra cima, além de ser organizado, bem disposto e gostar de cozinhar! Ah! E também gosta de compartilhar, ouvir, aprender, entender... não podia ser melhor! Estou muito feliz mesmo de poder contar com essa força, amizade e alegria dentro de casa! =)

Só posso agradecer aos deuses essa sensação tão boa que dá saber que encontro e posso conviver com seres tão lindos, tanto no novo trabalho (onde há muitas pessoas que já quero muito bem), quanto na minha casa!

domingo, 26 de junho de 2011

Atualizando

Depois de dias e dias estudando e tentando escrever o trabalho de conclusão das matérias do mestrado deste semestre, ontem terminei por passar a noite em claro para terminar, já que o prazo (pós-prazo inicial estourado) era este domingo.

Enquanto copiava algumas citações me dei conta de que nunca precisei fazer regime, não sei o que é ter um prato de comida na frente e não poder comer, digo, não sabia até me deparar com os livros do Marco Aurélio Nogueira e ter vontade de comê-los sem a menor condição de tempo para fazê-lo.

Sempre que começo a ler algo dele, tenho vontade de ler mais e mais, pois trata das questões do Estado e outros assuntos que me interessam demais, com uma compreensão e sensibilidade incomuns!

E com isso fiquei me perguntando se algum dia o meu sonho de ser remunerada para estudar seria realizado. Eu acredito que sim, e quando chegar a hora, espero que eu seja capaz de aproveitar muito bem cada momento!

Mas fato é que depois de muito esforço, de entender, escrever, desentender, revisar, por fim, por volta das 16h enviei o bendito trabalho, que já é o primeiro passo da minha dissertação.

O envio pareceu ter me tirado o peso do semestre inteiro das costas! Era um alívio tão grande que eu nem sabia o que fazer, dentre tantas coisas por começar e retomar...

Fiquei muito feliz com o resultado do trabalho, pois apesar de saber que há vários pontos que poderiam ficar muito melhores, estou aprendendo que o ótimo é inimigo do bom, e que tem uma hora que temos que tocar pra frente com o que temos em mãos no momento.

Tinha outras coisas para contar, mas terão de ficar para outro momento, pois hoje my time is over, já que amanhã tenho que estar às 8h da manhã atendendo na recepção da UBS Sta. Cecília – meu mais novo posto de trabalho.

Por hora só posso adiantar que estou muito feliz e muito grata por ter tantas coisas e pessoas boas na minha vida!

A impressão que tenho é que Deus escreve certo por linhas tortíssimas, e não sei o que virá depois da próxima curva, mas estou confiante de que só pode ser algo melhor ou ao menos tão bom quanto o que tenho hoje!

Que essa chuva maravilhosa abra e limpe nossos caminhos! E vamos que vamos que ainda há muito pela frente – para arrumar e para aproveitar! =)