Há uns dias recebi e-mail do meu pai sobre sua desistência total com relação à Marina Silva. Reproduzo abaixo o texto que motivou tal desistência e mais abaixo a minha resposta, que gostaria de dividir com todos. Resisti à tentação de querer melhorar o texto, optando por mantê-lo da forma que enviei, no calor do momento. Permito-me apenas ao embasamento da primeira frase: por diversas vezes publicaram coisas que não estavam de acordo com o que a Soninha havia dito, e tenho a nítida impressão de que estão se esforçando bastante com essa estória aqui. Enfim, vejam, reflitam e me digam o que lhes parece.
Marina diz que não irá posar com bandeira do movimento gay
BERNARDO MELLO FRANCO
Enviado Especial a Sorocaba
A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira que não vai empunhar ou posar para fotos com a bandeira arco-íris, símbolo do movimento gay. Ela disse ter sido vítima de um mal-entendido no episódio em que o vereador Sander Simaglio do PV em Alfenas (MG) a acusou de esconder uma bandeira do movimento gay entregue por ele.
Ao comentar a polêmica, Marina disse: "Não vou levantar a bandeira (arco-íris), assim como não faço como os demais movimentos. Não costumo fazer esse tipo de coisa." Marina afirmou fazer o mesmo com o MST (Movimento dos Sem-Terra) apesar de se considerar aliada do movimento.
Evangélica, a senadora reafirmou, porém, ser contra o casamento gay religioso. "Existem políticas públicas e nenhuma pessoa pode ser discriminada. Quando se trata de sacramento reivindico minhas questões de consciência como no caso do aborto."
Em e-mail que circula na rede, Sander Simaglio afirma que Marina se recusou a estender a bandeira em ato na última sexta-feira, em Belo Horizonte. Ele relata ter viajado 800 quilômetros com o presente no bolso do paletó e se diz frustrado com a reação e o "semblante de espanto" da senadora.
"A senhora, para minha surpresa, dá um jeitinho de me abraçar com uma mão e com a outra, por baixo, esconder mais que depressa o símbolo da luta do movimento homossexual brasileiro", afirma no texto.
Minha resposta
Pois eu não cairia na da mídia, já cansei de ver as bobagens que fazem quando querem sacanear!
Ela sendo evangélica é de se entender que não seja a favor do "casamento gay religioso", mas de que religião estamos falando? Nenhum cardecista será a favor do aborto, assim como os católicos no geral não o são, mas isso não quer dizer que serão melhores ou piores gestores.
Considero realmente uma lástima o jogo que a política faz, atacando quem até o outro dia era admirado. Eu continuo admirando-a e tenho certeza que se uma lei sobre o aborto ou a união civil estável homosexual fosse aprovada ela não a vetaria simplesmente por conta da sua crença. São coisas separadas que ela já deixou claro, mas que insistem e insistirão em misturar a fim de prejudicá-la. Somos flexíveis, e um chefe de Estado tem que ser mais ainda, quem é esclarecido e opta por ter uma religião, dificilmente a segue de olhos fechado, mas aproveita o que tem de bom e deixa de lado o que não lhe parece tão bom.
Copio mais abaixo o texto que a própria Marina escreveu a respeito, e espero que repensem e não tirem conclusões tão precipitadas.
Aliás, prefiro ter alguém no poder que ao menos sei que tem religião, ética e uma grande preocupação com a maneira com que se pretende progredir, considerando o mínimo respeito que este planeta e sua natureza requerem porque mais que ele, nós o precisamos. Já pararam para contar quantos terremotos houve neste ano? Em quatro meses tivemos 18 terremotos!!! E há uma série de números assustadores que seguimos querendo não ouvir. Por outro lado, as músicas já não cantam "até o fim da minha vida vou te amar", cantam "de janeiro a janeiro vou te amar até o mundo acabar." (!!!) É isso? Já entregamos os pontos? Vamos consumir o mundo até o último minuto? É tudo nosso???
Será possível que sejamos tão egoístas? Ontem ouvi em um filme que os homens despertam o seu lado mais nobre diante da dor. Quantas pessoas ainda terão que morrer para descongelarmos os corações e começarmos a nos preocupar, juntar, ajudar, cuidar? Até quando colocaremos nosso interesses individuais acima dos coletivos? Não somos capazes de mudar um hábito! Somos tão fracos que me envergonho! Perderemos muitas coisas boas por não nos dispormos a abrir mão de nenhuma. Muitas. Será que é tão difícil entender?
Como canta o Gunnar: "É tempo de saber, pra onde esse barco vai, se é que ele vai ou no mar vai naufragar sem intenção"
Desculpem o desabafo, escreveria muito mais, mas paro por aqui. Segue abaixo o texto referido mais acima.
Abraços - sempre esperançosos!
O que penso a respeito do movimento LGBTs
Postado em 14/04/2010 por Marina | Categoria(s): Geral
Quem conhece a minha história e convive comigo sabe que respeito as diferenças e sou defensora da tolerância. Acredito que são posturas essenciais para a construção da ética democrática.
Minha voz e meus atos nunca manifestaram ou manifestarão, portanto, qualquer tipo de rejeição a qualquer movimento legitimado por aquilo que costumo chamar de forças vivas da sociedade.
Sempre que me perguntam sobre o que penso a respeito do movimento LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), seus direitos e sua luta por leis que os protejam de discriminação, digo que reconheço a legitimidade do movimento e de suas reivindicações.
O Estado deve assegurar a todos – sem distinção – igualdade. As políticas públicas, democraticamente aprovadas pelo Parlamento, e implementadas pelo governo, devem atender a todos.
Falo isso porque, nos últimos dias, um vereador de meu partido, militante do movimento LGBTs, me escreveu, com cópia para outras pessoas, dizendo que eu "escondi" a bandeira arco-íris que ele me entregou durante um evento público na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O assunto chegou a ganhar certa repercussão no universo da internet. Sander Simaglio, segundo ele escreve, teria me pedido para estender a bandeira.
Sander, um ativo militante e parlamentar, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Alfenas, subiu ao palanque no momento em que o presidente do partido em Minas, Ronaldo Vasconcellos, fazia seu discurso de posse. Na sequência, solicitou que eu tirasse uma foto ao seu lado. Atendi Sander, como faço com todos os pré-candidatos do PV, para registrar aquele encontro momentâneo. Não me recordo de ter tido qualquer outro diálogo com ele.
Logo em seguida, de forma simpática e respeitosa, ele me passou a bandeira que retirou do bolso de seu paletó. Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte.
Aliás, não tive nenhuma reação surpreendente ao receber a bandeira. Receber presentes e lembranças simbólicas é um ato corriqueiro em minhas andanças pelo país.
Na condição de pré-candidata à Presidência da República, me coloco como postulante a representar todos os brasileiros, independentemente do que pensam, de sua orientação sexual, do que crêem ou de sua militância. Minha história é meu compromisso. Política deve ser feita com respeito, sem proselitismo.
Por fim, reafirmo: ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos. O mesmo espero de todas as outras pessoas, candidatas ou não.
3 comentários:
Você acompanhou o caso da reação a essa sua mensagem com identidade falsa na lista teletropis?
Há outras coisas a comentar, mais cedo ou mais tarde... mas não sei se será esta semana.
Ana, parabéns pela resposta!
Muitos "neo-Marina" estão aproveitando a oportunidade para atacá-la e admitirem o que estavam até então envergonhados: apoiar a Dilma.
A Marina disse uma coisa muito simples e humilde: eu apóio os movimentos sociais, mas cada manifestação tem seu horário.
Não adianta chegar com uma bandeira de qualquer movimento em eventos que têm outras finalidades e pedir para ela levantar a bandeira em horário despropositado, como prova de manifestação de apoio, e taxá-la como preconceituosa se não fizer do jeito que querem. (o truque é velho, por sinal)
Isso é manipulação, é tentativa de desqualificá-la. Mas é bem típica dos petistas antigos, reacionários, que não admitem ter uma candidata de origem humilde, batalhadora, do povo, contra a candidatura burguesa que representa a Dilma. Uma pena que essa manipulação tenha influenciado pessoas próximas a você.
Mas são atitudes como a sua que ajudam a desmistificar essa rede suja de desinformação que estão fazendo sobre a Marina.
Parabéns novamente! Precisaremos de muita coragem nesse ano, será uma campanha mais dura do que quando elegemos o Lula em 2002 e quando tentamos reeleger a Marta em 2004 (e eu te conheci!)
Bjs,
jP
Ana, gostei da sua resposta. Ou seja do seu ponto de vista. Vc tem razao...
Tambén achei bem "convencible" ou ben razonado a resposta de Marina Silva, sobretudo a última frase en que diz que "...o mesmo espero de todas as outras pessoas", ou seja, o respeito e tolerancia.
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