terça-feira, 14 de outubro de 2008

NOSSA POSIÇÃO


Compartilho aqui texto de uma pessoa fantástica que gosto e admiro muito e com quem tenho o verdadeiro prazer de trabalhar hoje (e espero que por muito tempo mais!). Luís Nader é Assessor Jurídico do Gabinete da Vereadora Soninha, e uma das pessoas mais alegres e encantadoras que conheço. Sempre sorrindo e cantando ele não imagina o quanto é importante para nós! E aproveitando que hoje é aniversário dele... e encerrando a rasgação de seda, queria parabenizá-lo e agradecer pelo texto abaixo, com o qual concordo plenamente. ;)

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Não morro de amores por Marta Suplicy. Entendo que seu governo cometeu sérios equívocos, especialmente quanto aos métodos utilizados em sua política de governabilidade.


Daí minha opção por permanecer no Gabinete da Vereadora Soninha, como assessor jurídico, e fazer sua campanha à Prefeitura de São Paulo. Entendo que a candidatura de Soninha trouxe à baila discussões muito caras à cidade, como a necessidade de remodelação do espaço urbano, a importância da atuação do jovem na política, a prioridade à cultura, a defesa da participação popular e do controle social na gestão pública e, sobretudo, apontou para um novo modo de fazer política e para a necessidade de discutir e reformular os rumos da esquerda brasileira.

Compreendo as razões que levaram Soninha a sair do PT, ainda que, na ocasião, eu tenha me posicionado contrariamente a esta decisão. Talvez fora do partido ela tivesse mais condições de propor uma discussão e aglutinar novas forças para participar desta mega-terapia coletiva pela qual a esquerda, inexoravelmente, terá de passar. Sempre concordei com as afirmações de Soninha de que o PT não tinha - e não deveria ter - o monopólio da esquerda brasileira. Sua candidatura à Prefeitura pelo PPS nunca representou uma afronta aos meus princípios, pois, apesar de hoje estar alinhado ao PSDB , o PPS é socialista no nome, tem origens na esquerda, e Soninha sempre defendeu sua ida para aquele partido como um sinal de que o partido queria mudar, queria "voltar a ser de esquerda". Novas formas de se fazer política eram - e são - necessárias e Soninha, para mim, ainda representa muitas dessas formas. Porém, com a definição do quadro eleitoral no segundo turno e o apoio do PPS à candidatura de Kassab, sinto-me obrigado a tornar pública minha discordância com este posicionamento. Não posso permitir que se especule meu apoio pessoal, ainda que silencioso, à candidatura Kassab.
Mesmo porque, na minha opinião, o programa de governo de Soninha se assemelha e se aproxima muito mais das ações desenvolvidas por Marta em seu Governo, que daquelas promovidas por Kassab.

A linha central do programa de Soninha era a redução de distâncias entre ricos e pobres, entre centro e periferia. O Governo Marta promoveu o desenvolvimento da Zona Leste e implementou importantes políticas sociais na periferia, como o Banco do Povo, o Bolsa Trabalho e o Renda Mínima, conseguindo aquecer, em anos ainda recessivos, a economia local, gerando desenvolvimento nas regiões menos abastadas da cidade. Exatamente como propôs Soninha. Diferentemente do que fez Kassab.Marta criou habitações populares no centro. Como propõe Soninha. Kassab segue a linha da Associação Comercial de São Paulo, por ele presidida por tantos anos, defendendo a "limpeza" do Centro. Talvez isso explique a fúria de sua Guarda Civil Metropolitana contra a população de rua. Sobrou gás de pimenta até para Soninha.

Marta criou diversos mecanismos de controle social e incentivou a participação popular em sua gestão, implantando Conselhos Gestores nas unidades de saúdes, nos parques, reuniu o Conselho Municipal de Cultura, realizou a Conferência Municipal de Cultura. Ainda que com distorções colocadas pela Câmara de última hora, propôs a implantação de Conselhos de Representantes. Do mesmo jeito que defende Soninha.

O Governo Serra/Kassab patrocinou a cassação da lei dos Conselhos de Representantes, não reuniu uma vez sequer o Conselho Municipal de Cultura, esvaziou os Conselhos Municipais, acabou com o Orçamento Participativo e vetou dois projetos de lei de Soninha voltados à criação de mecanismos de controle social, que propunham a criação de Conselhos Gestores de Telecentros, do Conselho Municipal de Inclusão Digital e de Conselhos Regionais de Meio Ambiente - estes últimos implementados posteriormente por portaria, com toda a fragilidade política e jurídica que isso significa. Isso sem falar no projeto que regulamentava plebiscito, referendo e iniciativa popular no Municípo, que recebeu veto parcial que inviabilizou sua aplicação.

Portanto, ainda que muitos teimem em despolarizar este segundo turno, tentando dar a Kassab um ar moderno e desvinculá-lo de seu passado conservador, o presente não os autoriza.

Kassab é sim um exemplar típico da fauna pefelista, oriunda da ARENA, que defendeu e deu sustentação ao regime militar, que se amparou e se ampara nas oligarquias rurais e financeiras e nos grandes conglomerados econômicos para fazer política.

Se setores do PT vêm se aliando a representantes dessas oligarquias para galgar espaço político, trata-se de um grande equívoco, de um desvio histórico, pelo qual o PT paga e vai pagar muito caro.

Com Kassab não há que se falar em desvio, ele é isso mesmo. Ele é a oligarquia brasileira, o grande empresariado.

Não há como negar a polarização entre esquerda e direita nessas eleições, o que para nós, de esquerda, não é bom. O paulistano médio é conservador. A regra, na cidade, é eleger prefeitos como Jânio, Maluf, Pitta. E agora, Kassab, que encabeça as pesquisas. As eleições de Erundina e Marta foram exceções em nossa história. Não podemos esquecer que Luiza Erundina se elegeu com pouco mais de 30% dos votos, quando o pleito se resolvia em apenas um turno. Marta teve a sorte de ir para o segundo turno com Maluf, em meio a denúncias feitas pela bancada do PT contra o então Prefeito Celso Pitta. Restou ao paulistano conservador obedecer Maluf, deixando de votar nele, pois Pitta não havia sido bom prefeito.Agora, a disputa está novamente polarizada. Eu sou de esquerda. Eu vou de Marta.
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Obrigada Luís!

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma pessoa que tenta discriminar o Kassab acusando-o nas entrelinhas de ser homossexual, como se um gay não pudesse ser um bom prefeito, não merece nosso voto e respeito!

Discriminação não!

Voto nulo!!

Ana Estrella disse...

Anônimo, o candidato não faz tudo na camapnha. às vezes sai material que ele nem sequer pôde ver, por falta de tempo mesmo. Acontece de já estar pronto e não dar tempo de mudar no caso de desaprovação. Não estou dizendo que a Marta não sabia, mas que pode ser que não. De qualquer forma, apesar de desaprovar, entendo que foi uma estratégia desesperada, da qual não se tinha noção da possível repercussão. Foi feio, mas isso não faz do Kassab um melhor candidato. Sendo gay ou não, tem atitudes de seu governo que desaprovo inteiramente, e votar nulo, é deixar que Kassab ganhe.
Não posso assistir a isso sem me preocupar, sem fazer nada. Não dá.